Cofundador da Mafrei Construtora aponta: eficiência na construção civil passa pela logística

A logística na construção civil tem assumido papel cada vez mais estratégico, impactando diretamente custos, prazos e a experiência do cliente. Historicamente marcada por baixa produtividade, a construção ainda enfrenta desafios estruturais. Relatório da McKinsey indica que o setor evoluiu menos de 1% ao ano nas últimas décadas, desempenho inferior ao de segmentos como a manufatura.

Parte dessa limitação está associada a falhas operacionais, sobretudo na gestão de materiais, na logística e na coordenação entre etapas da obra. Ao mesmo tempo, no varejo, estudos da Deloitte apontam que a eficiência da cadeia de suprimentos é determinante para a competitividade, influenciando diretamente custos e níveis de serviço.

Integração logística melhora produtividade e reduz custos na construção

Nesse contexto, a logística deixa de ser uma função de apoio e passa a atuar como elemento central na operação. Magnus Bruno Oyama Machado, engenheiro civil e cofundador da Mafrei Construtora e Incorporadora — empresa que atua no desenvolvimento de empreendimentos residenciais e comerciais, com foco em planejamento e execução de obras — destaca essa mudança. “Hoje, a eficiência logística impacta diretamente a margem, o prazo da obra e a satisfação do cliente. Quem não estrutura essa área perde competitividade”, afirma.

Segundo ele, o aumento da complexidade das operações exige maior integração entre áreas. “A obra não para por falta de projeto, ela para por falha no fluxo de materiais. Quando há erro na separação, atraso na entrega ou falta de visibilidade do estoque, todo o cronograma é afetado”, explica.

Na prática, empresas têm revisado processos para reduzir problemas recorrentes, como retrabalho e baixa rastreabilidade. Em um dos projetos liderados pelo especialista, a reorganização logística — com implantação de sistema de gestão de estoque e padronização operacional — elevou a acuracidade para 90% e reduziu em 30% o tempo de separação de pedidos.

Além disso, a centralização de estoques, a reorganização de layout e a definição de fluxos mais eficientes contribuem para reduzir desperdícios e melhorar o giro de produtos. “Não é só sobre ter material disponível, mas sobre garantir que ele esteja no lugar certo, na hora certa e com controle. A previsibilidade é o que sustenta a produtividade”, afirma.

A digitalização também acelera esse processo. Tecnologias como sistemas de gestão de armazém, automação e analytics têm potencial para reduzir custos operacionais e ampliar a eficiência logística. Dessa forma, empresas conseguem responder com mais rapidez às variações de demanda e reduzir perdas ao longo da operação.

O impacto dessas melhorias é percebido diretamente pelo cliente. Entregas corretas e dentro do prazo aumentam a confiança e reduzem cancelamentos, enquanto falhas logísticas geram custos adicionais e retrabalho. “A logística mal estruturada não aparece só no custo, ela aparece no cliente que não volta. É um efeito silencioso, mas muito relevante”, destaca Machado.

A estruturação da área, no entanto, exige mudanças relevantes. O primeiro passo é mapear processos e identificar gargalos. Muitas empresas ainda operam com base em conhecimento informal, o que limita a escalabilidade e aumenta a dependência de pessoas específicas.

Outro ponto crítico envolve a escolha de parceiros logísticos. A falta de critérios técnicos pode comprometer a operação como um todo. Avaliar capacidade de entrega, nível de integração e histórico de desempenho passa a ser parte da estratégia. “Logística não é só transporte, é sistema. Se não houver integração, o problema apenas muda de lugar”, afirma.

Com essa evolução, a logística se consolida como uma das principais alavancas de resultado no setor. A gestão eficiente de materiais e fluxos operacionais passa a influenciar diretamente o desempenho das obras e a competitividade no varejo de materiais de construção.

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