Interrupções na cadeia de suprimentos preocupam 8 em cada 10 conselheiros de empresas, aponta pesquisa da FTI Consulting

Em meio à crescente instabilidade geopolítica e à intensificação das sanções internacionais, interrupções na cadeia de suprimentos surgem como uma das principais preocupações para conselheiros de empresas. É o que aponta a nova edição da pesquisa “What Directors Think”, realizada pela FTI Consulting, em parceria com o Diligent Institute e a Corporate Board Member.

O levantamento ouviu mais de 200 conselheiros de empresas de capital aberto dos Estados Unidos e revelou que 80% consideram a cadeia de suprimentos como uma ameaça significativa ao desempenho das companhias. O dado reforça a urgência de planos de contingência estruturados e auditorias regulares para mitigar riscos operacionais, reputacionais e legais.

Interrupções na cadeia de suprimentos preocupam 8 em cada 10 conselheiros de empresas, aponta pesquisa da FTI Consulting

Apesar da percepção elevada de risco, menos de 10% das empresas priorizam a gestão desses riscos em 2025. Isso evidencia uma lacuna entre o reconhecimento do problema e a implementação de medidas concretas de compliance e controle.

“A adoção de avaliações periódicas, a identificação de sinais de alerta e a implementação de boas práticas de compliance são etapas fundamentais para que as organizações possam fortalecer sua estrutura interna”, afirma Enéas Moreira, Diretor Executivo da área de Consultoria Forense e Litígios da FTI Consulting.

Auditorias e sanções internacionais ainda recebem pouca atenção

O estudo também revela que 20% dos conselheiros não sabem se suas empresas realizam auditorias regulares na cadeia de suprimentos para monitorar riscos como suborno e corrupção. Essa falta de monitoramento é especialmente crítica para organizações com atuação global, mais expostas a contextos regulatórios diversos e instáveis.

Além disso, 34% dos conselheiros dizem que suas empresas não enfrentam ameaças relacionadas a sanções internacionais, índice que sobe para 75% entre empresas com atuação restrita aos Estados Unidos. No entanto, os riscos indiretos — como impacto sobre fornecedores ou parceiros comerciais — continuam sendo relevantes.

“Mesmo empresas que não são diretamente afetadas por sanções devem estar atentas aos riscos indiretos. Isso reforça a importância de construir cadeias de suprimentos resilientes e adaptáveis”, completa Moreira.

Ambiente regulatório exige novas estratégias de governança

Segundo o levantamento, 93% dos conselheiros acreditam que ambientes políticos e regulatórios desfavoráveis impactam os negócios. Entre os que atuam em mercados internacionais, 78% reconhecem que eventos geopolíticos regionais influenciam diretamente os resultados das empresas, e 30% classificam esse impacto como significativo ou prejudicial.

Diante desse cenário, especialistas recomendam que as empresas reforcem a avaliação contínua de riscos, programas de compliance, monitoramento político, planejamento de cenários e estratégias de comunicação de crise. Tais medidas são fundamentais para garantir resiliência operacional frente a um ambiente global cada vez mais complexo.

Metodologia

Desde 2002, a Corporate Board Member realiza estudos com conselheiros de empresas abertas nos EUA. A edição 2025 da pesquisa “What Directors Think” foi realizada online entre setembro e outubro de 2024, em parceria com o Diligent Institute e a FTI Consulting. Parte dos dados também inclui informações do Director Confidence Index, publicado em novembro.

Para acessar o estudo completo, clique aqui.

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