Hyundai apresenta caminhão a hidrogênio XCIENT e avança na logística limpa nos EUA

Na ACT Expo 2025, realizada em Anaheim, nos Estados Unidos, a Hyundai Motor Company apresentou a nova versão do caminhão a hidrogênio XCIENT Fuel Cell Classe-8. O modelo reforça a estratégia da montadora sul-coreana para ampliar a adoção de soluções sustentáveis no transporte rodoviário de cargas.

Segundo a empresa, o veículo é o primeiro caminhão pesado com célula de combustível produzido em série no mundo. Lançado em 2020, o XCIENT já circula em 13 países e acumula mais de 13 milhões de quilômetros rodados, especialmente na Suíça, seu primeiro mercado. A nova versão foi desenvolvida para o mercado norte-americano, com ajustes técnicos e operacionais voltados à realidade local.

Caminhão a hidrogênio da Hyundai

Entre os principais dados técnicos, o caminhão a hidrogênio traz motor elétrico de 350 kW, torque de 2.237 Nm, autonomia superior a 700 km e 10 tanques de hidrogênio, com capacidade combinada de aproximadamente 68 kg. O caminhão também conta com um conjunto completo de Sistemas Avançados de Assistência ao Motorista (ADAS), como frenagem autônoma, alerta de colisão e controle de cruzeiro adaptativo.

Na Hyundai Motor, estamos redefinindo o futuro da logística limpa com soluções inovadoras que priorizam a segurança, a eficiência e a sustentabilidade”, afirmou Ken Ramirez, vice-presidente executivo e head global de veículos comerciais e hidrogênio da Hyundai.

A montadora já testa e utiliza o modelo em larga escala na América do Norte. Pelo projeto NorCAL ZERO, 30 caminhões XCIENT estão em operação nos portos de Oakland e Richmond, na Califórnia, acumulando cerca de 700 mil milhas rodadas desde setembro de 2023. Esses veículos são usados no transporte de contêineres com zero emissões no escapamento.

Outro projeto em destaque é a parceria com a GLOVIS America, que viabiliza a operação de 21 caminhões XCIENT na fábrica da Hyundai (HMGMA), na Geórgia. Eles já respondem por quase metade da logística interna da planta, utilizando hidrogênio produzido e consumido localmente, num exemplo prático de cadeia logística descarbonizada.

Durante o evento, a Hyundai também anunciou a criação da HTWO Energy Savannah, primeira estação de abastecimento de hidrogênio e recarga elétrica para caminhões Classe-8 da região. A estrutura, desenvolvida em parceria com a HydroFleet e a Capital Development Partners, será inaugurada até o fim de 2025, ampliando a infraestrutura para mobilidade sustentável.

A iniciativa integra os esforços da montadora para estruturar um ecossistema completo de hidrogênio, do suprimento à operação dos veículos, com foco na transição energética do transporte de cargas.

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A combinação de juros elevados e restrição ao crédito tem levado o setor de transporte rodoviário a buscar novas estratégias de geração de receita. Diante da queda nas vendas de caminhões, empresas da cadeia logística passaram a acelerar a adoção de modelos baseados em serviços e receita recorrente no transporte, com foco em maior previsibilidade financeira. De acordo com dados da Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave), as vendas de caminhões recuaram 34,6% em janeiro deste ano em relação a dezembro de 2025. Além disso, na comparação com janeiro do ano anterior, a retração foi de 30,14%. Esse cenário reforça a necessidade de diversificação das fontes de receita em um ambiente mais volátil. Nesse contexto, a mudança de modelo reflete uma tentativa de reduzir a dependência de vendas pontuais de ativos. Ao mesmo tempo, empresas passam a incorporar soluções tecnológicas embarcadas nas frotas não apenas para ganho operacional, mas também como nova fonte de faturamento para concessionárias, revendedores e companhias de software. Receita recorrente no transporte avança com uso de tecnologia logística Segundo Rony Neri, diretor-executivo LATAM da Platform Science, multinacional americana especializada em soluções de segurança e tecnologia para o setor de transporte, a lógica do mercado está em transformação. “A lógica do setor está mudando. Antes, a receita estava concentrada na venda do ativo. Agora, com o uso de tecnologia, é possível construir uma base recorrente de faturamento, mais previsível e menos exposta às oscilações do mercado”, afirma. A empresa atua no desenvolvimento de plataformas tecnológicas para gestão de frotas e segurança operacional, permitindo a integração de dados e serviços no ambiente logístico. Dessa forma, soluções como telemetria, videomonitoramento e plataformas digitais passam a viabilizar modelos de assinatura, ampliando o ticket médio e a retenção de clientes. “A tecnologia passa a funcionar como uma camada de inteligência que fortalece o negócio principal e cria novas oportunidades de receita ao longo do tempo”, reforça Neri. Além disso, o movimento também alcança o agronegócio, onde a digitalização da logística tem impacto direto nos custos operacionais. Com o uso de dados e monitoramento em tempo real, produtores e operadores conseguem reduzir desperdícios, evitar falhas mecânicas e aumentar a eficiência no transporte da safra. “Esses ganhos operacionais têm impacto direto na rentabilidade, especialmente em um cenário em que o custo logístico é um dos principais fatores de pressão para o produtor rural”, detalha o executivo. Para empresas de software, a incorporação de dados operacionais das frotas abre espaço para expansão de portfólio sem necessidade de novos investimentos em hardware. Assim, aumenta-se o valor agregado das plataformas e amplia-se a oferta de serviços. Por fim, o modelo de receita recorrente no transporte tende a apresentar maior estabilidade em comparação à comercialização de produtos físicos. A venda de serviços contínuos, baseada em assinaturas, contribui para reduzir a sazonalidade típica do setor e cria uma base mais previsível de faturamento ao longo do tempo. “A recorrência permite que empresas atravessem períodos de baixa venda de ativos sem perda significativa de receita. É uma mudança estrutural na forma como o setor captura valor”, finaliza Neri.
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