Definições das Poligonais preocupa setor portuário

30/03/2016

O novo marco regulatório sob a Lei nº 12.815/2013 impôs novas diretrizes ao sistema portuário brasileiro, sendo uma delas a definição das poligonais, área de abrangência dos portos públicos, cuja delimitação é fundamental para determinar o futuro do setor que precisa ser eficiente e produtivo. Com a vigência de dois regimes de exploração: Portos Organizados (públicos) e Terminais de Uso Privado (TUPs), o Governo Federal decidiu separar estes sistemas de maneira a que tudo o que está dentro da poligonal é autarquia dos portos públicos e tudo que está fora é regime dos portos privados. Esta divisão tem preocupado o mercado, que espera uma definição justa do traçado para que nenhum dos lados saia em desvantagem.

O tema é estratégico para o sistema e por isso está na programação das Conferências da Intermodal South America, principal encontro do setor de transportes de cargas, logística e comércio exterior das Américas, que reúne os principais players destes mercados. Para o presidente da Federação Nacional dos Operadores Portuários (FENOP), Sergio Aquino, que participará da discussão sobre a Definição das Poligonais, no dia 6 de abril, é importante que sejam criados regramentos que garantam a competitividade, a expansão dos dois sistemas, isonomia e a convivência harmônica entre eles.

“Se você beneficiar um, prejudica o outro. Por isso as definições das poligonais é o ponto mais importante para sinalizar qual é a vontade do governo federal para o futuro. Se restringir demais as áreas dos portos significa que não se pretende garantir a viabilidade futura dos portos organizados. Porém, se o governo expandir demais as poligonais, pode sinalizar à iniciativa privada que planeja investir em portos públicos e não facilitar para quem deseja investir em TUPs”, alerta Aquino.

Para o presidente da FENOP, a solução está no equilíbrio do método para que não haja tendência para nenhum dos lados. “O ideal é que estes dois regimes sejam normais em termos de convivência e utilização. Acredito que não seria muito bom para o país que os regramentos desequilibrassem a competitividade. É fundamental que o governo converse com os dois lados”.

Terminais Privados – Outro ponto destacado por Aquino é sobre o futuro dos Terminais Privados que atuam dentro dos Portos Organizados desde quando a antiga lei permitia esta prática. Hoje, pela nova lei, os Terminais de Uso Privado não podem exercer atividades dentro dos portos públicos. “É preciso encontrar uma solução que preserve a propriedade privada. O empreendedor não pode se prejudicar pelo novo modelo”, explica Aquino.

As áreas dos Portos de Paranaguá e Antonina (PR) são duas das 17 poligonais colocadas em consulta pública pelo Governo. Em fevereiro deste ano a administração dos portos paranaenses anunciou novos investimentos que poderão chegar a R$ 4 bilhões nos próximos anos para alterar o traçado da poligonal do complexo portuário, excluindo as áreas privadas da área do porto organizado e, com isso, revogar o decreto de 2002.

De acordo com a diretora jurídica da Administração dos Portos de Paranaguá e Antonina, Jacqueline Wendpap, que também participará das Conferências da Intermodal, o marco regulatório é um tema que afeta o interesse de todos os que atuam no setor portuário. “Neste seminário vamos mostrar especificamente o caso da alteração das poligonais dos Portos de Paranaguá e Antonina, tendo em vista que o nosso exemplo poderá contribuir com os processos  de outros portos brasileiros que estão em andamento”, afirmou Jacqueline.

No que diz respeito aos Terminais de Uso Privado, a perspectiva é que a medida incentive a expansão portuária e os investimentos privados. Segundo o diretor-superintendente administrativo do Portonave, terminal de contêineres de uso privado em Navegantes (SC), Osmari de Castilho Ribas, com a definição dos limites, os terminais privados existentes poderão planejar a sua expansão considerando o que estabelece o Novo Marco Regulatório e os novos projetos terão mais segurança jurídica e clareza com relação às competências de cada modelo. “A expectativa é de estimulo à implantação de novos TUPs, à redução de conflitos de gestão e aumento na segurança jurídica dos investimentos. Assim, será possível criar condições para uma maior participação de investimentos privados na implantação de infraestrutura portuária e maior competição no segmento”, conclui o diretor-superintendente administrativo da Portonave.

O Portonave também participa como expositor da Intermodal South America. A feira reunirá, de 5 a 7 de abril, em São Paulo, 600 marcas  nacionais e internacionais, de 25 países, representantes das mais diversas vertentes da cadeia, como transporte de cargas marítimo, rodoviário, aéreo e ferroviário; terminais; portos; agentes de carga; operadores logísticos; TI e serviços relacionados ao transporte nacional e internacional de carga.

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A combinação de juros elevados e restrição ao crédito tem levado o setor de transporte rodoviário a buscar novas estratégias de geração de receita. Diante da queda nas vendas de caminhões, empresas da cadeia logística passaram a acelerar a adoção de modelos baseados em serviços e receita recorrente no transporte, com foco em maior previsibilidade financeira. De acordo com dados da Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave), as vendas de caminhões recuaram 34,6% em janeiro deste ano em relação a dezembro de 2025. Além disso, na comparação com janeiro do ano anterior, a retração foi de 30,14%. Esse cenário reforça a necessidade de diversificação das fontes de receita em um ambiente mais volátil. Nesse contexto, a mudança de modelo reflete uma tentativa de reduzir a dependência de vendas pontuais de ativos. Ao mesmo tempo, empresas passam a incorporar soluções tecnológicas embarcadas nas frotas não apenas para ganho operacional, mas também como nova fonte de faturamento para concessionárias, revendedores e companhias de software. Receita recorrente no transporte avança com uso de tecnologia logística Segundo Rony Neri, diretor-executivo LATAM da Platform Science, multinacional americana especializada em soluções de segurança e tecnologia para o setor de transporte, a lógica do mercado está em transformação. “A lógica do setor está mudando. Antes, a receita estava concentrada na venda do ativo. Agora, com o uso de tecnologia, é possível construir uma base recorrente de faturamento, mais previsível e menos exposta às oscilações do mercado”, afirma. A empresa atua no desenvolvimento de plataformas tecnológicas para gestão de frotas e segurança operacional, permitindo a integração de dados e serviços no ambiente logístico. Dessa forma, soluções como telemetria, videomonitoramento e plataformas digitais passam a viabilizar modelos de assinatura, ampliando o ticket médio e a retenção de clientes. “A tecnologia passa a funcionar como uma camada de inteligência que fortalece o negócio principal e cria novas oportunidades de receita ao longo do tempo”, reforça Neri. Além disso, o movimento também alcança o agronegócio, onde a digitalização da logística tem impacto direto nos custos operacionais. Com o uso de dados e monitoramento em tempo real, produtores e operadores conseguem reduzir desperdícios, evitar falhas mecânicas e aumentar a eficiência no transporte da safra. “Esses ganhos operacionais têm impacto direto na rentabilidade, especialmente em um cenário em que o custo logístico é um dos principais fatores de pressão para o produtor rural”, detalha o executivo. Para empresas de software, a incorporação de dados operacionais das frotas abre espaço para expansão de portfólio sem necessidade de novos investimentos em hardware. Assim, aumenta-se o valor agregado das plataformas e amplia-se a oferta de serviços. Por fim, o modelo de receita recorrente no transporte tende a apresentar maior estabilidade em comparação à comercialização de produtos físicos. A venda de serviços contínuos, baseada em assinaturas, contribui para reduzir a sazonalidade típica do setor e cria uma base mais previsível de faturamento ao longo do tempo. “A recorrência permite que empresas atravessem períodos de baixa venda de ativos sem perda significativa de receita. É uma mudança estrutural na forma como o setor captura valor”, finaliza Neri.
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