Uma das principais rodovias do Brasil, a Via Dutra, que liga Rio de Janeiro e São Paulo, começou a dar os primeiros passos para se transformar em um corredor logístico eletrificado, com foco na redução de emissões e na transição para um modelo de transporte rodoviário sustentável. A iniciativa marca um avanço relevante em um setor historicamente dependente do diesel e responsável por grande parte da movimentação de cargas no país.
O projeto, denominado Laneshift e-Dutra, foi apresentado durante a 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (COP30), realizada em Belém, PA. A proposta é eletrificar progressivamente a frota de caminhões que circula pela rodovia, considerada um dos principais eixos logísticos do Brasil, conectando os dois maiores polos econômicos nacionais.

O e-Dutra conta com o apoio de um consórcio formado por 17 empresas dos setores de transporte e logística. Entre as participantes estão Volkswagen, Amazon e o LOTS Group, empresa de soluções tecnológicas para transporte ligada ao Grupo Scania, responsável pela realização da primeira viagem do projeto.
“O que estamos mostrando com este projeto é que a logística sustentável não é algo para daqui a 10 anos. Já é possível hoje”, afirmou à Agência EFE Edson Guimarães, diretor executivo para a América Latina do LOTS Group.
O plano prevê que, até 2030, cerca de 1.000 caminhões elétricos circulem diariamente pela Via Dutra, rodovia que conecta aproximadamente 60 milhões de pessoas nos dois maiores centros econômicos do país, responsáveis por 41% do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro. Quando essa meta for alcançada, a estimativa é de que sejam evitadas cerca de 75 mil toneladas de CO2, volume equivalente às emissões geradas por aproximadamente 16 mil automóveis à combustão.
Para Guimarães, o projeto e-Dutra demonstra como a cooperação entre empresas, governos e organizações técnicas é fundamental para a transição energética no transporte de cargas. “Nenhum ator consegue fazer essa transformação de forma isolada. A logística verde só avança quando toda a cadeia trabalha de forma coordenada”, explicou.
Corredor logístico eletrificado e uso de biometano
Além do projeto de eletrificação na Via Dutra, o LOTS Group apresentou na COP30 outro piloto voltado à descarbonização do transporte rodoviário: a implantação da primeira rota de longa distância com caminhões movidos a biometano. A iniciativa reúne Scania, Ultragás e o Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai).
A rota tem 2.950 quilômetros de extensão e liga São Bernardo do Campo (SP) a Belém (PA), cidade que sediou a COP30. Segundo Guimarães, projetos desse tipo ajudam a reduzir a chamada paridade do custo total de propriedade, tornando caminhões elétricos e movidos a combustíveis sustentáveis economicamente equivalentes aos modelos a diesel.
“Hoje, vemos muitos projetos-piloto, mas ainda em pequena escala. Para crescer, a transição precisa de custos equivalentes ao modelo tradicional. Esse é o grande acelerador”, afirmou.
O executivo destacou ainda que a empresa já obteve resultados concretos em um projeto recente de logística com a indústria de embalagens metálicas, no qual foi possível elevar a eficiência operacional em mais de 200% em apenas dois meses, por meio da redução de horas operacionais e da otimização de rotas, compensando os custos das tecnologias verdes.
Guimarães reiterou que esse caminho, baseado em mais eficiência, maior cooperação e eletrificação, será decisivo para que o e-Dutra deixe de ser um projeto-piloto e se consolide como o primeiro corredor logístico verde em larga escala da América Latina.
Fontes: Exame e FETCESP/ Foto: CCR







