JSL supera 250 contratações de motoristas mulheres no transporte rodoviário com programa Mulheres na Direção

A presença de motoristas mulheres no transporte rodoviário ainda é reduzida no Brasil. Segundo dados da Secretaria Nacional de Trânsito (Senatran), elas representam pouco mais de 6% dos condutores habilitados nas categorias C, D e E — cerca de 360 mil entre os 9,2 milhões de motoristas aptos a dirigir veículos pesados no país. Em um setor historicamente masculino e que enfrenta desafios de renovação da mão de obra, a JSL tem ampliado iniciativas voltadas à formação de profissionais mulheres para atuar na condução de caminhões e equipamentos logísticos.

Desde 2021, o programa Mulheres na Direção, desenvolvido pela companhia, já realizou 17 edições e resultou na contratação de mais de 250 mulheres para diferentes operações da empresa em várias regiões do Brasil. A iniciativa busca ampliar a participação feminina no setor, ao mesmo tempo em que contribui para a formação de novas profissionais qualificadas para o mercado de transporte e logística.

Entre as profissionais formadas está Roselene Aparecida Marcelo, de 61 anos, natural de São José do Rio Preto (SP). Segundo relato da própria motorista, o interesse pela profissão começou ainda na infância. Aos 12 anos, ela aproveitou um momento em que o tio deixou a chave de um Fusca sobre a mesa para dar sua primeira volta no quarteirão. A experiência terminou no quintal da vizinha, mas não apagou o desejo de dirigir.

Anos depois, já adulta, Roselene contou que viu uma mulher conduzindo um caminhão e decidiu que seguiria o mesmo caminho. “Naquele dia eu disse para mim mesma: é isso que eu vou fazer.”

Em 2020, Roselene ficou desempregada em decorrência do cenário provocado pela pandemia. No ano seguinte, quando o programa Mulheres na Direção foi lançado pela JSL, ela decidiu se inscrever. Selecionada entre 25 candidatas, participou de um treinamento intensivo de três meses. Atualmente, trabalha na operação da empresa em Piracicaba (SP).

Mãe e avó, Roselene afirma que o orgulho da família é uma das principais motivações para continuar na profissão. “Não foi fácil. Pensei em desistir algumas vezes, mas segui firme. Hoje me sinto realizada e muito grata pela oportunidade”, afirma.

O programa é desenvolvido em parceria com o SEST SENAT e oferece formação técnica e prática para motorista de caminhão e também para operadora de empilhadeira. Ao todo, a iniciativa já soma 2.384 horas de capacitação, incluindo aulas sobre legislação de trânsito, segurança, mecânica básica e condução prática, além de vivência operacional acompanhada por profissionais experientes do setor logístico.

Além disso, desde a criação do programa, o projeto mantém índice zero de acidentes de trabalho entre as participantes. Esse resultado, segundo a empresa, está relacionado ao processo estruturado de formação e ao acompanhamento técnico realizado durante o período de treinamento.

O programa Mulheres na Direção já passou por diferentes regiões do país. A maior concentração de turmas ocorreu nos estados de São Paulo, Bahia, Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Mato Grosso do Sul. Em 2025, a iniciativa formou 55 participantes e chegou pela primeira vez ao Pará, ampliando o alcance da capacitação para novas regiões.

Para Bianca Furlan, gerente de Desenvolvimento Humano e Organizacional da JSL, ampliar a presença feminina no setor também responde a um desafio estrutural do transporte rodoviário, que precisa renovar sua base profissional nos próximos anos.

“O transporte rodoviário enfrenta desafios relevantes de renovação da mão de obra.” Segundo ela, iniciativas de capacitação contribuem para ampliar o acesso à profissão e diversificar o perfil dos profissionais que atuam na logística e no transporte de cargas no país.

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