IA no comércio exterior deve ganhar escala e eficiência a partir de 2026, projeta eComex

A eComex projeta que 2026 marcará um novo ciclo de maturidade da Inteligência Artificial no comércio exterior, com impacto direto na eficiência operacional, gestão de riscos e competitividade das empresas.

De acordo com a empresa, o setor atravessa um momento de inflexão tecnológica. Nesse cenário, a Inteligência Artificial deixa de ser apenas uma ferramenta experimental para se tornar infraestrutura operacional crítica, influenciando custos, produtividade e a gestão de processos de importação e exportação.

“O comércio exterior sempre foi intensivo em documentos, validações manuais e retrabalho. A Inteligência Artificial nos permite eliminar atritos históricos e transformar tempo operacional em inteligência estratégica”, afirma André Barros, CEO da eComex. “Não estamos falando de substituir pessoas, mas de ampliar a capacidade humana e elevar o nível das decisões.”

Eficiência acima de potência

Um dos pontos centrais apontados pela empresa é a mudança na lógica de adoção da IA nas operações de comércio exterior. Em vez de depender exclusivamente de grandes modelos generalistas, empresas passam a adotar modelos menores e especializados, conhecidos como SLMs (Small Language Models), treinados com dados proprietários e voltados a tarefas específicas.

Segundo a eComex, essa abordagem tende a ser mais eficiente e economicamente sustentável no contexto do comércio exterior. Nesse modelo, o diferencial competitivo deixa de estar na potência do sistema e passa a depender da qualidade e da organização dos dados internos das empresas.

“Quando você especializa a IA no seu domínio e utiliza sua própria base histórica, o ganho é muito mais concreto. O foco precisa ser eficiência de custo e aplicação prática, não apenas capacidade máxima de processamento”, explica Barros.

Além disso, a execução local desses modelos contribui para fortalecer a soberania de dados e reduzir riscos regulatórios, aspecto considerado relevante em um setor altamente regulado e que lida com informações estratégicas sensíveis.

Automação documental e redução de erros

Outro avanço apontado é a expansão da automação documental baseada em Inteligência Artificial. Sistemas desse tipo já são capazes de capturar, classificar, validar e padronizar automaticamente documentos comuns em operações internacionais, como invoices, packing lists e conhecimentos de embarque, independentemente do layout ou do idioma utilizado.

Com isso, segundo a empresa, há redução de falhas humanas, menor risco de multas e maior agilidade nos processos de desembaraço aduaneiro. A digitalização inteligente também tende a diminuir etapas operacionais que tradicionalmente geram retrabalho.

“O maior ganho não está apenas em fazer o processo mais rápido, mas em eliminar etapas que geram retrabalho e exposição ao risco. Quando você reduz o erro, reduz o custo invisível”, afirma o CEO.

Arquitetura agêntica e automação de fluxos

Outro ponto destacado pela eComex foi o avanço das chamadas arquiteturas agênticas, que combinam diferentes agentes de IA especializados para executar etapas específicas das operações logísticas e documentais.

Nesse modelo, múltiplos agentes atuam de forma coordenada, assumindo funções como copilotos de atendimento, analistas de dados, validadores documentais e simuladores logísticos. Dessa forma, os sistemas passam a operar com maior nível de autonomia e precisão.

Além disso, interfaces conversacionais começam a ganhar espaço nas plataformas corporativas, permitindo que profissionais consultem dados operacionais, prazos e custos por meio de perguntas em linguagem natural. Como resultado, o acesso à informação se torna mais rápido, reduzindo o tempo de busca e aumentando a produtividade.

Impacto financeiro e consolidação logística

A aplicação da IA no comércio exterior também já começa a apresentar reflexos financeiros nas operações logísticas. Segundo a eComex, algoritmos de simulação têm sido utilizados para projetos de consolidação logística, com o objetivo de reduzir o número de embarques e documentos associados.

Esse tipo de reorganização da cadeia logística pode gerar redução de custos operacionais, incluindo despesas relacionadas a taxas portuárias e emissão de conhecimentos de embarque. Em alguns cenários analisados, a empresa afirma ter identificado economias anuais relevantes, ao mesmo tempo em que houve diminuição da exposição operacional.

“A IA precisa fechar a conta. Quando ela gera economia real, melhora previsibilidade e libera capital humano para decisões estratégicas, ela deixa de ser tendência e se torna parte da infraestrutura do negócio”, diz Barros.

2026: consolidação e vantagem competitiva

Na avaliação da empresa, 2026 tende a marcar a consolidação da Inteligência Artificial no comércio exterior. O entusiasmo inicial com a tecnologia começa a dar lugar à necessidade de retorno financeiro mensurável, governança de dados estruturada e integração entre sistemas corporativos.

Nesse contexto, organizações que estruturarem seus dados e adotarem IA de forma estratégica poderão alcançar vantagem competitiva relevante, especialmente diante da crescente digitalização dos processos regulatórios.

“O setor já está sendo impactado por sistemas inteligentes do lado do governo, que cruzam dados com mais precisão e velocidade. As empresas que não evoluírem sua capacidade tecnológica vão operar em desvantagem”, conclui o CEO.

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