Congresso Brasileiro da Cadeia do Frio apontou dados do mercado e estratégias para o desenvolvimento do setor

11/01/2022

Promovido pela GCCA – Global Cold Chain Alliance Brasil, o Congresso Brasileiro da Cadeia do Frio aconteceu de forma presencial em São Paulo, no dia 2 de dezembro. As palestras abordaram temas de fundamental importância para o segmento de armazenagem, distribuição e logística de produtos conservados em baixas temperaturas.

A Logweb foi convidada a participar e destaca, nesta matéria, alguns dos pontos altos do encontro. Leandro Perna, gerente de cold chain da Maersk no Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai, e Vinicius Cordeiro, gerente executivo e comercial para mercado externo da Brado, falaram sobre transporte marítimo e ferroviário na palestra “Meios de transporte na Cadeia do Frio Brasileira”.

O mercado de contêineres reefers no mundo é estimado em torno de 3,4m de TEUs ou 1,7m de FFEs. Entre os desafios da área no Brasil, Perna apontou a frota atual de contêineres, que é insuficiente, o desequilíbrio entre demanda e oferta para contêineres refeers e o déficit entre importação e exportação em torno de 75,6%. Com relação aos impactos da Covid-19, citou que a confiabilidade das programações de navios caiu de +90% para -30%. Além disso, o número de navios para carga refrigerada vem reduzindo cada vez mais.

Também falou sobre os contêineres DRY, que acabam tomando o lugar dos contêineres reefers, devido à concorrência de frete, e os problemas de roubo do Genset, gerador elétrico para manter a temperatura do contêiner no transporte rodoviário de cargas.

Outros desafios são, ainda, o tempo de prateleira, já que nem sempre o transporte marítimo é adequado para determinada mercadoria, e a necessidade de abertura de novos mercados. “Não podemos depender da China. O ideal seria toda a comunidade envolvida na cadeia do frio se empenhar para abrir novos mercados no Brasil”, disse Perna.

Ele salientou que a Maersk, o maior grupo armador do mundo, está buscando parceiros de negócios para desenvolvimento de estratégia de integrador logístico e gerenciamento da cadeia para o frio. São empresas de armazenagem refrigerada para operações de cross docking próximas a portos e para armazenagem de carga para exportação e importação. Além de empresas de transporte rodoviário, FTL e LTL, para transporte internacional entre os países da América do Sul, para transporte fracionado em apoio às operações cross docking e para transporte dedicado.

Cordeiro, por sua vez, explicou que a Brado utiliza diferentes modais de forma inteligente, como o rodoviário e o ferroviário, contribuindo para a redução de emissão de gases de efeito estufa. “Nosso projeto multimodal é focado na redução de CO2 e na prevenção de acidentes, na competitividade da solução multimodal, na produtividade logística, na operação com regularidade durante 100% do ano e na segurança da carga para o embarcador.”

Ele apontou que o uso de contêineres vem crescendo muito no Brasil. Mais de 130 produtos podem ser transportados por eles, como ovos, soja, café, materiais de construção, embalagens e cerâmica. A operação reefer representa 40% do total de operações da empresa, e a expectativa é de crescimento. Cordeiro também comentou sobre a necessidade de investimento em carga doméstica.

 

Ligação com o Oceano Pacífico

Consolidar uma rota terrestre entre o Centro-Oeste brasileiro e o Oceano Pacífico, passando pelo Paraguai, Argentina e Chile, foi o tema apresentado pelo ministro da Secretaria de Negociações Bilaterais e Regionais do Ministério das Relações Exteriores do Brasil, João Carlos Parkinson de Castro, na palestra “Logística Refrigerada no Corredor Bioceânico: Realidade e Perspectivas Regionais Brasileiras”.

Como coordenador nacional do Corredor Bioceânico, Castro ressaltou as inúmeras vantagens da rota para exportadores e importadores de produtos que precisam de refrigeração. “Além de criar fluxos comerciais mais ágeis e econômicos, o corredor resultaria na integração territorial até o Pacífico”, salientou.

A Rota Bioceânica é um corredor rodoviário com extensão de 2.270 quilômetros que tem potencial de redução de custo generalizado de 37%. Castro disse que é importante pensar em Centros de Distribuição ao longo da rota. Um armazém refrigerado instalado em um ponto estratégico entre Campo Grande e Antofagasta, no Chile, por exemplo, assegura a preservação da temperatura da carga e aumenta o fluxo desses produtos.

“O corredor visa dar competitividade através da redução de custos e de tempo, além de integrar outros territórios, que podem exportar produtos para o Brasil, promover a integração ferroviária entre o Norte da Argentina e Mato Grosso do Sul, permitindo que em cinco dias se transporte uma carga de um ponto a outro, o que hoje leva 48 dias para descer por via marítima, passando pelo estreito até o Porto de Santos”, explicou Castro.

Para embasar a proposta, o Ministério contratou um estudo da Universidade de São Carlos sobre a disponibilidade de unidades capazes de realizar a logística frigorificada nos estados de Goiás e Mato Grosso do Sul. A pesquisa, baseada em fontes governamentais e dados da GCCA Brasil, foi apresentada pelos professores Mário Batalha e Marcelo Carrer, do Departamento de Engenharia de Produção da Ufscar – Universidade Federal de São Carlos, no estado de São Paulo.

A pesquisa apontou como problemas na região: déficit de armazenagem refrigerada no Mato Grosso do Sul, potencial déficit futuro de armazenagem refrigerada em Goiás, déficit de transporte refrigerado e déficit de estruturas de frio nos aeroportos de Goiás e Mato Grosso do Sul. Esses problemas podem ser resolvidos com aumento da capacidade instalada de armazéns frigorificados, aumento da frota de veículos refrigerados e investimentos em câmaras frias nos terminais aeroportuários. Tudo isso envolvendo todos os atores da cadeia.

Também participaram do congresso os vice-presidentes da GCCA, Lowell Randal e Adam Thocher. Além disso, durante o encontro foi entregue o prêmio Líder do Futuro GCCA Brasil para Murilo Miglioruci, controller da SuperFrio Logística Frigorificada, por Robson de Paula, da Elgin. O evento foi patrocinado pelas empresas Danfoss, Elgin, Körber, Bitzer, Testo, Mayekawa e Refrio.

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