Daimler Truck conclui primeiro ano de testes com caminhões movidos a célula de combustível

Cinco caminhões Mercedes-Benz GenH2, movidos a célula de combustível, completaram mais de 225.000 quilômetros em testes com clientes como Amazon, Holcim e Air Products. A quilometragem equivale a cinco voltas e meia ao redor da Terra e foi alcançada em operações logísticas reais, sem emissões locais de CO2.

Os veículos demonstraram alta confiabilidade, autonomia superior a 1.000 km e tempos de reabastecimento de 10 a 15 minutos, confirmando sua viabilidade para o transporte de longa distância. O consumo médio variou entre 5,6 kg/100 km e 8 kg/100 km de hidrogênio líquido, dependendo da aplicação e da carga transportada.

Daimler Truck conclui primeiro ano de testes com caminhões movidos a célula de combustível

Integração prática às operações logísticas

Os caminhões GenH2 foram utilizados em diferentes aplicações, incluindo transporte de contêineres, cimento, PVC e rotas da rede logística da Amazon. O feedback dos clientes destacou a praticidade comparável à dos caminhões a diesel, além da condução suave, silenciosa e do desempenho dinâmico.

Desafios para expansão do hidrogênio

Apesar do sucesso nos testes, a falta de uma rede robusta de postos de abastecimento de hidrogênio líquido (sLH2) ainda é um entrave. Estima-se que a Europa precisará de pelo menos 2.000 postos até 2030 para viabilizar a adoção em larga escala. Outro ponto crítico é o alto custo do hidrogênio e do seguro, que impactam negativamente o TCO (Custo Total de Propriedade).

Próximos passos da Daimler Truck

A Daimler Truck planeja iniciar, no quarto trimestre de 2025, uma segunda fase de testes com novos clientes e, em 2026, começar a produção de 100 unidades em série do GenH2. A empresa aposta em uma estratégia dupla para a descarbonização do transporte, combinando caminhões elétricos a bateria e movidos a hidrogênio. A industrialização em grande escala, porém, está prevista apenas para o início da década de 2030.

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A combinação de juros elevados e restrição ao crédito tem levado o setor de transporte rodoviário a buscar novas estratégias de geração de receita. Diante da queda nas vendas de caminhões, empresas da cadeia logística passaram a acelerar a adoção de modelos baseados em serviços e receita recorrente no transporte, com foco em maior previsibilidade financeira. De acordo com dados da Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave), as vendas de caminhões recuaram 34,6% em janeiro deste ano em relação a dezembro de 2025. Além disso, na comparação com janeiro do ano anterior, a retração foi de 30,14%. Esse cenário reforça a necessidade de diversificação das fontes de receita em um ambiente mais volátil. Nesse contexto, a mudança de modelo reflete uma tentativa de reduzir a dependência de vendas pontuais de ativos. Ao mesmo tempo, empresas passam a incorporar soluções tecnológicas embarcadas nas frotas não apenas para ganho operacional, mas também como nova fonte de faturamento para concessionárias, revendedores e companhias de software. Receita recorrente no transporte avança com uso de tecnologia logística Segundo Rony Neri, diretor-executivo LATAM da Platform Science, multinacional americana especializada em soluções de segurança e tecnologia para o setor de transporte, a lógica do mercado está em transformação. “A lógica do setor está mudando. Antes, a receita estava concentrada na venda do ativo. Agora, com o uso de tecnologia, é possível construir uma base recorrente de faturamento, mais previsível e menos exposta às oscilações do mercado”, afirma. A empresa atua no desenvolvimento de plataformas tecnológicas para gestão de frotas e segurança operacional, permitindo a integração de dados e serviços no ambiente logístico. Dessa forma, soluções como telemetria, videomonitoramento e plataformas digitais passam a viabilizar modelos de assinatura, ampliando o ticket médio e a retenção de clientes. “A tecnologia passa a funcionar como uma camada de inteligência que fortalece o negócio principal e cria novas oportunidades de receita ao longo do tempo”, reforça Neri. Além disso, o movimento também alcança o agronegócio, onde a digitalização da logística tem impacto direto nos custos operacionais. Com o uso de dados e monitoramento em tempo real, produtores e operadores conseguem reduzir desperdícios, evitar falhas mecânicas e aumentar a eficiência no transporte da safra. “Esses ganhos operacionais têm impacto direto na rentabilidade, especialmente em um cenário em que o custo logístico é um dos principais fatores de pressão para o produtor rural”, detalha o executivo. Para empresas de software, a incorporação de dados operacionais das frotas abre espaço para expansão de portfólio sem necessidade de novos investimentos em hardware. Assim, aumenta-se o valor agregado das plataformas e amplia-se a oferta de serviços. Por fim, o modelo de receita recorrente no transporte tende a apresentar maior estabilidade em comparação à comercialização de produtos físicos. A venda de serviços contínuos, baseada em assinaturas, contribui para reduzir a sazonalidade típica do setor e cria uma base mais previsível de faturamento ao longo do tempo. “A recorrência permite que empresas atravessem períodos de baixa venda de ativos sem perda significativa de receita. É uma mudança estrutural na forma como o setor captura valor”, finaliza Neri.
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