Infraestrutura deficiente, insegurança e gargalos regulatórios são citados pelos entevistados como problemas que atingem o segmento em âmbitos nacional e internacional. Internamente, os embarcadores também apontam onde seus parceiros logísticos podem melhorar.
De um lado, as indústrias farmacêuticas. De outro, as distribuidoras, responsáveis pela entrega diária dos produtos nos varejistas. Ambas, seja por meio de entidades ou por elas mesmas, falaram à revista Logweb sobre a logística do segmento farmacêutico. Esta matéria também acompanha uma lista de Operadores Logísticos/Transportadoras que trabalham neste setor, servindo como uma guia para sua contratação.
Cuidados e problemas
Começando pelo correto manuseio e transporte de produtos farmacêuticos, o presidente da Abafarma – Associação Brasileira do Atacado Farmacêutico (Fone: 11 5080.3636), que reúne as 23 maiores distribuidoras de medicamentos do Brasil, Luiz Fernando Buainain, conta que os principais cuidados que se deve ter são com a integridade das embalagens, a umidade e o transporte seguro dos produtos, além da temperatura, pois este tipo de carga exige a utilização de recipientes refrigerados no transporte e o armazenamento em câmaras apropriadas. Neste item, a entidade trabalha em conjunto com a Iso-System, responsável pelo baú isotérmico e pela cobertura utilizados pelas distribuidoras, mantendo a baixa temperatura.
De maneira geral, os produtos farmacêuticos concentram alto valor agregado, de forma que mesmo quantidades pequenas têm custos elevados. Isso demanda atenção redobrada no manuseio das mercadorias, seja por conta de riscos de avarias ou por questões de segurança, já que são comuns os roubos de cargas farmacêuticas. É o que explica, por sua vez, Ricardo Camargo Mendes, sócio-diretor da Prospectiva Consultoria, empresa responsável pelo estudo "Logística Internacional para a Indústria Farmacêutica" feito para a Febrafarma – Federação Brasileira da Indústria Farmacêutica.
Ele também lembra que o transporte e manuseio de medicamentos é regulamentado por regras da Anvisa – Agência Nacional de Vigilância Sanitária, que estabelece a necessidade de supervisão das cargas por profissionais formados em farmácia, além da utilização de veículos adequados, entre outras questões. "As empresas que manuseiam produtos farmacêuticos têm de ter registro na vigilância sanitária local", acrescenta.
Sobre os problemas brasileiros enfrentados pelo segmento, Buainain, da Abafarma, enumera: péssimas condições na infraestrutura rodoviária existente no país, insegurança, restrições de circulação nas grandes cidades e alto custo de pedágios e fretes.
Com relação ao transporte internacional, a Prospectiva identificou que há gargalos regulatórios, sobretudo nos procedimentos de importação de medicamentos e matérias-primas por parte da Anvisa – toda importação de produtos farmacêuticos depende de anuência do órgão. De acordo com as empresas entrevistadas no trabalho para a Febrafarma, as regras da Anvisa são complicadas, pouco transparentes e instáveis, com procedimentos demorados e imprevisíveis. Entre os procedimentos considerados mais críticos nas operações de importação de produtos que necessitam de anuência da Anvisa, destacam-se:
Petição de autorização de embarque no exterior junto a Anvisa: procedimento redundante, haja vista que as empresas já realizam procedimentos bastante rigorosos no registro dos produtos no país;
Encaminhamento das mercadorias para armazém: a Anvisa não autoriza o armazenamento em EADIs – Estações Aduaneiras Interior de alguns produtos (custo de estocagem nos armazéns da Infraero é muito mais alto que nas EADIs) e divergência nos dados do sistema Datavisa aumenta o tempo para a aprovação das Licenças de Importação;
Conferência da Anvisa: não há prazos estipulados para esse procedimento. Dependendo da demora, a empresa tem de custear outros períodos nos armazéns da Infraero. Há diferenças nos critérios aplicados por diferentes fiscais;
Licenciamento de Importação Substitutiva: depende de anuência da Anvisa em Brasília. Não há definição de prazo. Custos adicionais de armazenamento.
Conforme expõe Mendes, da Prospectiva, os problemas relacionados à Secretaria da Receita Federal nos procedimentos de importação são menos graves, de acordo com as empresas do setor. "Um dos principais problemas indicados é a falta de otimização no Siscomex, sobretudo no que diz respeito à interligação com os diferentes órgãos envolvidos nos trâmites de fiscalização sanitária e de desembaraço aduaneiro, o que acarreta em duplicações de competências dos órgãos, aumentando os prazos e prejudicando a agilidade na conferência documental e física das mercadorias", conta.
O estudo também verificou que os gargalos procedimentais para a exportação de medicamentos no Brasil são significativamente menores do que os enfrentados nos processos de importação. Tanto a Anvisa como a Secretaria da Receita Federal tiveram avaliações mais positivas quando comparadas com as operações de importação.
O principal gargalo apontado pelas empresas nos procedimentos de exportação ocorre no encaminhamento da mercadoria para o aeroporto: o produto tem que estar no aeroporto entre três e quatro dias antes do embarque. Problemas com vôos podem fazer com que mercadorias tenham que ficar mais dias nos terminais de carga da Infraero. Em Guarulhos, SP, como não há armazéns refrigerados no TECA – Terminal de Cargas da Infraero, os produtos que requerem refrigeração acabam tendo prioridade de embarque, podendo ser entregues no aeroporto poucas horas antes do embarque. "No entanto, essa prática não é assegurada por nenhum tipo de regulamentação, podendo a empresa ficar com o produto parado no aeroporto sem a devida estrutura para armazenamento", expõe Mendes, segundo o estudo.
Outro ponto destacado como gargalo nas exportações de produtos controlados se refere à morosidade com o qual a guia de exportação é emitida pela Anvisa. "O prazo para a liberação deste documento pode atingir de 30 a 40 dias e frequentemente apresenta incorreções, o que obriga as empresas a solicitarem novamente tal documento", aponta o sócio-diretor da Prospectiva.
Em relação às exigências das indústrias nos processos de logística internacional, o profissional cita, com base no trabalho: melhorar os procedimentos nos postos da Anvisa; definir prazos para as operações; interligar o Siscomex aos diferentes órgãos envolvidos nos trâmites de fiscalização sanitária e desembaraço aduaneiro.
Atacado farmacêutico movimenta R$ 16 bilhões em 2008
A Abafarma fechou 2008 com faturamento total das vendas ultrapassando R$ 16 bilhões. Mais de 1,4 bilhão de unidades foram repassadas às redes varejistas, sendo 1 bilhão somente de medicamentos. A distribuição destes representa 90,7% do faturamento dos associados à entidade, movimentando aproximadamente R$ 15 bilhões. "Foi um excelente ano para a distribuição, apesar de termos sofrido os reveses por conta da crise financeira", expõe Buainain.
Ações para melhoria do setor no Brasil
Um dos focos da Abafarma para melhorar a logística do segmento é o sistema de rastreabilidade dos medicamentos, que, após a promulgação da lei, aguarda a regulamentação da Anvisa.
As vantagens deste projeto estão principalmente na maximização do uso de tecnologia via sistema que será implantado; na melhor gestão de armazenagem, separação e expedição; na segurança ao consumidor via plena rastreabilidade do produto; e na minimização dos riscos de ilícitos no transporte, tipo roubo de cargas, contabando e receptação. "É essencial um mecanismo eficiente que controle e valide a autenticidade dos medicamentos. Mas o país está apto a controlar o fluxo de medicamentos em mais de 5.600 municípios, muitos dos quais acessíveis apenas por vias fluviais ou com utilização de ônibus, motocicletas e bicicletas?", questiona Buainain.
De acordo com ele, os custos após análise deverão ser suportados pelo setor industrial, que é o ambiente em que as embalagens recebem os aplicativos.
Outras ações da entidade são: melhoria nas captações dos pedidos – em parceria com a IMS Health do Brasil, responsável pela ferramenta de e-commerce IMS Estoque –, melhoria nas roteirizações e na segurança viária e espelho da nota fiscal eletrônica.
Já para lidar com o problema dos custos da distribuição de medicamentos, a Abafarma solicitou a uma entidade de renome mundial um amplo estudo para defitivamente se obter os custos de distribuição no Brasil e nas regiões onde os associados atuam. "Na oportunidade certa iremos divulgar os percentuais de custos a toda cadeia produtiva do setor e fazer as devidas avaliações desses custos de distribuiçao", diz Buainain.
Para melhorar a logística internacional
O Estudo da Prospectiva para a Febrafarma identificou as principais
propostas para melhoria da logística internacional farmacêutica:
Que a indústria farmacêutica seja incluída no RECO;
Que seja criada uma linha expressa da Anvisa, semelhante ao Regime de Despacho Aduaneiro Expresso (Linha Azul) já em vigor nos procedimentos da Receita Federal;
Que o desconto concedido pelo Programa de Fidelização e Flexibilização de Armazenagem (Febrafarma-Infraero) seja mantido no primeiro período no caso de utilização dos terminais por mais de um período;
Que seja criado um programa de fidelização de bens de capital vinculado à modernização do parque industrial;
Que haja harmonização da legislação regulatória de transportes entre os países da América do Sul;
Que se crie um grupo técnico de trabalho com representantes da Anvisa, SR, Infraero e setor farmacêutico capaz de discutir e implementar políticas que melhorem a competitividade da cadeia logística farmacêutica.
No que se refere às exportações, pelo modal aéreo:
Em relação aos TECAs da Infraero, reduzir prazos dos procedimentos adotados; ampliar estrutura de armazéns refrigerados e segurança das cargas;
Solicitar infraestrutura adequada para as exportações (câmaras frigoríficas) sem perder a prioridade do embarque dos produtos farmacêuticos;
Utilizar a infraestrutura da importação (armazéns refrigerados) também para a exportação pode ser uma solução imediata e de baixo custo;
Acabar com a exigência de que as mercadorias estejam nos terminais da Infraero prontas entre três e quatro dias antes do embarque;
Agilizar o procedimento de exportação de produtos controlados;
Estudar a possibilidade de haver terminais refrigerados no aeroporto de Guarulhos;
Viabilizar aeroportos industriais;
Que os produtos farmacêuticos recebam tratamento prioritário nos terminais do país.
No modal marítimo:
Aumentar a capacidade dos portos;
Melhorar os acessos aos portos por meio rodoviário e ferroviário;
Atentar-se para o fato de que parte dessas questões depende de políticas públicas e parte de maior articulação do setor farmacêutico com os setores de transporte e serviços logísticos.
Indústrias x distribuidoras
Segundo Mendes, da Prospectiva, há desentendimentos entre as indústrias e as distribuidoras de medicamentos. "Uma das principais questões para isso é a concentração do mercado de distribuição em poucas empresas, dificultando para a indústria as negociações sobre margens e condições comerciais", expõe.
Buainain, da Abafarma, além de não considerar que haja desentendimentos entre as partes, diz que, na verdade, a própria indústria há cerca de um ano tentou concentrar a distribuição de medicamentos em três ou quatro empresas, seguindo o modelo norte-americano. "Mas acabaram voltando atrás, pois perceberam que este modelo não se adéqua ao Brasil pela grande distância entre as cidades, além de não ser benéfico para o mercado", expõe. De acordo com o profissional, atualmente, as indústrias estão investindo, principalmente, em distribuidoras regionais, para um atendimento mais rápido.
Quanto às dificuldades na área comercial entre distribuidoras e indústrias, o presidente da Abafarma enumera três: recomposição da margem de lucro, pois declara que a remuneração dada pelas indústrias acaba sendo, muitas vezes, menor que o próprio custo operacional das distribuidoras; adequação dos prazos de compra aos prazos de vendas; e logística da distribuição falha em muitos casos. "Algumas empresas demoram até 15 dias para entregarem a mercadoria para a distribuidora. A indústria não achou ainda uma forma efetiva de parceria com a distribuição para chegar com maior rapidez aos pontos de entrega", expõe.
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Hebron: empresas de logística devem estar abertas ao diálogo
Na Hebron (Fone: 81 3366. 9294), todos os produtos, além de armazenados em cartuchos individuais, são colocados em caixas de embarque de papelão Kraft onda B – RK 42.
A Rapidão Cometa e a Transportadora Ramos são as parceiras logísticas da empresa somente no transporte. "Quando escolhemos uma transportadora, analisamos principalmente três fatores: prazo para entrega do produto ao cliente, número de avarias e preço. Estes três itens são bastante relevantes e têm pesos iguais", declara Fernanda Monteiro Henrique, diretora administrativa da Hebron.
Segundo ela, não adianta a transportadora ter um preço bom, mas demorar muito na entrega ao cliente; ou entregar rápido, mas com mercadorias avariadas. "O principal diferencial é a parceria. As empresas que trabalham conosco têm de estar abertas ao diálogo, para atender nossas demandas e atuar em conjunto em todos os momentos, principalmente para que possamos nos antecipar aos possíveis problemas desta operação e, assim, evitá-los", complementa.
Fernanda expõe que as parceiras atendem quase totalmente às necessidades da companhia, pois ainda existem algumas praças com problemas no transporte, principalmente onde as operações são quarteirizadas. Além disto, revela que a antecipação a problemas ainda não é 100%. "Às vezes, descobrimos que tivemos algum problema na entrega depois que já passou do prazo de recebimento por parte do cliente", observa.
Ela explica que a logística reversa também é feita através de transportadoras, utilizando o mesmo canal de distribuição. O consumidor (após tratar o assunto com o SAC da Hebron) procura a farmácia, que fala com a distribuidora que, por sua vez, aciona a fabricante dos medicamentos.
Fernanda também diz que como o canal de distribuição da empresa é feito através de distribuidoras farmacêuticas, não é necessária uma malha logística muito grande, já que a quantidade de clientes, que seria enorme caso enviasse diretamente às farmácias, diminui consideravelmente ao entregar ao distribuidor. Em contrapartida, como trabalha com planos promocionais que são entregues a cada um dos propagandistas, a Hebron possui uma operação bem mais complexa, que envolve vários setores da empresa para que o pessoal de campo possa receber o material de trabalho dentro do prazo. "Mas as transportadoras entregam este material sem maiores dificuldades, utilizando, em alguns casos, a via aérea, para garantir o prazo de chegada acordado", completa.
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LBB: parceiras só credenciadas e autorizadas pela Anvisa
Cada medicamento é embalado e acondicionado em caixas específicas no LBB – Laboratório Brasileiro de Biologia (Fone: 21 2501.2507). As embalagens chamadas de primárias ou cartuchos são aquelas aprovadas pela Anvisa quando da concessão do registro do medicamento. Além destas, há o acondicionamento nas embalagens de embarque, estas normalmente são fabricadas em papelão ondulado e resistentes, para garantir ao produto um transporte sem danos ao conteúdo, detalha o diretor geral da empresa, Paulo Pinheiro.
As remessas são realizadas através de três transportadoras, credenciadas e autorizadas pela Anvisa e com grande qualidade na prestação destes serviços, segundo o profissional. "A Transcole, a Teknológica e a Pajuçara têm como diferencial a manipulação adequada ao tipo de produto coletado e obediência às normas da Anvisa e aos procedimentos internos de cada laboratório", conta Pinheiro.
Por não se tratar de cargas comuns, é exigido pelo LBB, quando da qualificação do prestador de serviços, todos os documentos e licenças emitidos pelos órgãos do Ministério da Saúde/Anvisa.
A empresa usa o serviço de transporte não só para o caso de produto acabado, mas também de matérias-primas controladas e com alto grau de exigência para a sua coleta e transporte. Segundo o profissional, uma boa descrição da matéria-prima a ser coletada impede erros na espécie de viatura deslocada para este fim. Em alguns casos, esta viatura deve portar cones de cor específica para delimitar áreas, kits de segurança e manipulação, além de uniformes apropriados.
Quanto à logística reversa, os medicamentos que necessitam retornar à fábrica são coletados nos pontos de venda pelas distribuidoras, embalados e entregues no Laboratório para análise e registro em livro próprio.
Pinheiro explica que o LBB efetua suas vendas unicamente para distribuidoras e grandes redes de drogarias que possuem Centros de Distribuição próprios. Estas contam em suas frotas com veículos leves que atendem às necessidades da entrega ponto a ponto.
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Mepha: veículos menores são solução para áreas de difícil acesso
Em caixas de papelão, os medicamentos da Mepha (Fone: 0800 7735060) são transportados pela Luft Express e pela Ativa Logística, que realizam serviços padrões de coleta e entrega de mercadorias. Já os Operadores Logísticos terceirizados são Mantecorp e 2 Alianças Armazéns Gerais, responsáveis por recebimento, armazenagem, pickine entrega de produtos.
De acordo com Ismail Dutra, supervisor de logística da Mepha, os parceiros atendem às necessidades da empresa com algumas restrições. No caso de entregas em áreas de difícil acesso a caminhões, Dutra explica que para contornar o problema, as transportadoras por vezes têm de fazer o transbordo de cargas para veículos menores. Já para realizar a logística reversa, o setor comercial da empresa trata da autorização e negociação das devoluções com os clientes e encaminha formulário solicitando a coleta para os transportadores.
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Relthy: logística é baseada nas necessidades do cliente
Os medicamentos, na Relthy Laboratórios (Fone: 19 3936.9199), são transportados pela Macroviário em frascos, sacos plásticos e caixas de papelão. Segundo Orvil Costa, gerente de logística/negócios internacionais da empresa, a transportadora é aprovada pela Anvisa e opera com pontualidade e bons preços.
O profissional explica que, por se tratar de uma companhia de serviço de encapsulação para o setor farmacêutico, toda a logística da Relthy é baseada nas necessidades de cada cliente.
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TKS: agilidade na entrega é o diferencial das parceiras logísticas
Expresso Araçatuba, Braspress, TSV, Zero Grau, Lagexpress, Planalto Encomendas e Colatinense são as parceiras da TKS Farmacêutica (Fone: 62 3205.2290) em transporte e armazenagem dos medicamentos, que seguem em caixas de papelão. "O diferencial da maioria delas é a agilidade na entrega", revela o gerente comercial, Luiz de Souza Dias.
Ele declara que em casos de avaria ou devolução do produto, a transportadora é acionada e autorizada a retornar a carga ao ponto de origem para serem efetuadas análises no produto e verificar se o mesmo está apto a retornar para o mercado.
Quanto à entrega em área de difícil acesso, Dias conta que ainda não houve casos deste tipo, mas que as próprias empresas de transporte têm parceiros que oferecem serviços nessas regiões, por meio fluvial, por exemplo.
Diferenciais do setor farmacêutico
Transportar e armazenar medicamentos exige certos cuidados que são desnecessários em outros setores, como o controle de temperatura e umidade e a forma diferenciada de manusear as caixas, principalmente em se tratando de produtos líquidos, para evitar avarias. É o que conta Fernanda, da Hebron.
Também é preciso garantir a rastreabilidade de todos os produtos, para casos de recolhimentos, que, segundo a profissional, são raros, mas podem acontecer. Ela também cita que existe toda uma legislação da Anvisa que determina, por exemplo, que lotes diferentes, ainda que sejam do mesmo produto, não podem ser armazenados no mesmo palete; medicamentos não podem ser transportados no mesmo veículo que determinados itens; e na armazenagem deve ser respeitado o espaço entre a mercadoria e o teto, para que não fiquem muito próximos. "Enfim, existem resoluções normativas só para tratar desta questão do transporte e armazenagem de produtos farmacêuticos", expõe.
Um dos problemas na operação, ainda de acordo com Fernanda, é justamente a autorização da Anvisa, que qualquer empresa necessariamente deve ter para transportar medicamentos. "Por um lado, é bom, já que as exigências deste órgão regulador garantem um certo padrão de qualidade nas operações, mas, por outro lado, torna-se uma dificuldade, já que esta regulação limita a oferta de transportadoras, não deixando muitas opções de transporte para o laboratório que terceiriza esta atividade", opina.
Concorda com ela, Pinheiro, da LBB. Para ele, as maiores dificuldades na área de transporte enfrentadas pela empresa é que devido às exigências dos órgãos de fiscalização, não há muita oferta de transportadoras e Operadores Logísticos para realizarem pequenas operações. "Para utilização de todo o sistema de um OL qualificado para atender ao ramo farmacêutico, em transporte, armazenagem, fracionamento de carga e entrega, é necessário que haja uma quantidade de posições-paletes suficiente para tornar esta ótima alternativa viável para os pequenos laboratórios", diz.
Fernanda, da Hebron, acrescenta, ainda se tratando de regulamentação, que existem algumas exigências que demandam muitos controles de quem armazena e transporta medicamentos. Por fim, outro problema apontado por ela é que nenhuma seguradora faz cobertura contra roubo de medicamentos.
Anvisa recebe proposta para agilizar liberação de produtos médicos importados
Entidades do segmento de saúde entregaram à Gerente de Inspeção de Produtos e Autorização de Empresas em Portos, Aeroportos, Fronteiras e Recintos Alfandegados (Gipa/Anvisa), Solange M. Coelho, propostas para discussão dos principais entraves burocráticos relativos à liberação de produtos médicos e alimentos especiais nos portos, aeroportos e fronteiras do país.
Além da criação de uma Linha Azul para agilização da fiscalização sanitária nos portos, aeroportos e fronteiras do país (PAFs), foram sugeridas a formação de uma Oficina de Trabalho que integraria a Anvisa e as associações e seria um fórum permanente para consulta e atualização de problemas entre o setor regulado e a Agência; a Capacitação Conjunta nos principais portos, aeroportos e fronteiras do país sobre a RDC 81, visando à uniformização de entendimentos – fiscais, despachantes e importadores –, e esclarecimento dos principais pontos divergentes (FAQs no site), com extensão para as Vigilâncias Sanitárias locais nas principais capitais; a revisão da legislação – mais simplificação – e a redução dos prazos atuais e dos pontos críticos.
Segundo Solange, a criação da Linha Azul é mais difícil de ser implementada, mesmo assim, ela assumiu o compromisso de encaminhar e discutir todas as propostas junto à diretoria da Anvisa.
De acordo com Carlos Gouvêa, secretário-executivo da CBDL – Câmara Brasileira de Diagnóstico Laboratorial, a Linha Azul funcionaria nos mesmos moldes da Linha Verde criada pela Receita Federal. Ela agilizaria a liberação sanitária para empresas que cumprem determinados requisitos de confiabilidade. "O principal beneficiário seria o consumidor final. Os produtos teriam seus preços reduzidos em decorrência de um menor custo graças à maior agilidade da cadeia logística – maior confiabilidade no sistema, ocasionando menos estoque em trânsito e tempo menor de armazenagem nas alfândegas", ressaltou.
Outros pontos críticos levantados pelas entidades foram os altos custos de armazenagem das mercadorias, cujas Licenças de Importação (LIs) demoram para ser emitidas e deferidas, principalmente quando há a necessidade de consulta técnica a Brasília; o armazenamento inadequado de determinados produtos em temperaturas diferentes daquelas observadas na embalagem – o que pode levar ao seu perecimento; a falta da estrutura da agência; a falta de treinamento e orientação dos seus técnicos em relação às normas vigentes e aos diferentes segmentos (produtos para saúde, alimentos, medicamentos, cosméticos e saneantes, dentre outros); a falta de informatização em alguns portos, aeroportos e fronteiras do país; e os problemas recorrentes e sérios no sistema Datavisa, dificultando a solução via virtual.
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