Transporte ferroviário: a salvação da lavoura!

16/09/2008

Chega a ser inacreditável quando examinamos mais detidamente a situação atual da malha ferroviária existente no País, pois, se contávamos com mais de 60 mil quilômetros de trilhos operantes, hoje não temos nem 30 mil quilômetros ativos.

Apesar da inequívoca vocação e potencial hidroviário e ferroviário para transportar passageiros e cargas com expressiva economia, os governos passados optaram prioritariamente pelo transporte rodoviário.

Até dá para entender momentaneamente essa opção, pela necessidade de fortalecer no País a indústria automobilística, mas convenhamos que o desmantelamento ferroviário da forma como foi executado, nos leva a conclusão lógica de que não foi feita uma avaliação mais profunda e criteriosa dos incalculáveis prejuízos de ordem social e financeira advindos dessa opção.

O Governo Federal vem incansavelmente resgatando o transporte ferroviário, dotando o sistema de uma atualização tecnológica na sua operacionalização técnica, sem esquecer sua importância no âmbito social.

Especificamente quanto a CBTU, responsável pelo transporte urbano de pessoas, é intenção da Companhia, definir e implantar uma qualidade de transporte nivelado aos principais países do primeiro mundo, com a aquisição dos VLTs, Veículos Leves sobre Trilhos, prioritariamente para as capitais nordestinas.

A circulação normal de trens no Brasil faz muita falta, principalmente quando lembramos a nossa extensão territorial / continental de quase 9 milhões de quilômetros quadrados, a espetacular produção de grãos, álcool combustível e ainda produtos da agropecuária, manufaturados industriais com expressiva economia no custo por tonelada, e tudo isso sem falar da importância do ir e vir de pessoas.

O transporte ferroviário é sem a menor sombra de dúvidas, o mais importante agente de inclusão social no Brasil, com tendência a uma inominável grandiosidade.

É acertado e inteligente, todo esse estímulo que o Governo Federal vem proporcionando ao sistema ferroviário, independente se é lucrativo ou não financeiramente, porque se no primeiro momento o transporte de pessoas é subsidiado, como o é em todos os países do mundo, o lucro social é incalculável, e um governo bem intencionado se “alimenta” de lucros sociais, e como bem o disse o Engenheiro Marcus Quintella, diretor-técnico da CBTU, em um de seus artigos publicado na imprensa nacional, “O TRANSPORTE PÚBLICO SOBRE TRILHOS NÃO FOI FEITO PARA DAR LUCRO FINANCEIRO, MAS SOCIAL”, e essa é uma verdade incontestável.

Estamos caminhando para o advento do primeiro “Trem Bala” no Brasil, unindo em um primeiro momento, as cidades do Rio de Janeiro e São Paulo; só esse importante fato, demonstra claramente, a existência de um célere processo de “ferroviarialização”, que esperamos seja em caráter definitivo no País.

 

José Marques de Lima é superintendente da CBTU-Maceió

 

Fonte: Revista Ferroviária

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