Terminais privados, a saída

17/09/2008

As cargas exportadas em contêineres já estão ao redor de 64% da movimentação geral e a tendência é que cresçam cada vez mais. Afinal, segundo dados da Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento (Unctad), a movimentação mundial de contêineres deverá duplicar até 2010, chegando a 400 milhões de unidades.

Hoje, o País, além de 40 portos, dispõe de 42 terminais privados, que respondem pela movimentação de 19% de cargas conteinerizadas destinadas à exportação, segundo a Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq). Diante disso, fica claro que, se quiser atender ao crescimento de seu comércio exterior, o Brasil terá de investir não só no reaparelhamento e ampliação dos atuais portos públicos como em novos terminais de uso privado.

Por enquanto, há no País cinco grandes projetos em andamento. Só no Rio de Janeiro, há dois: a empresa LLX pretende investir R$ 250 milhões no Porto Sudeste no município de Itaguaí, onde há outro projeto da Companhia Siderúrgica do Atlântico (CSA), e US$ 700 milhões outro no Porto de Açu, no município de São João da Barra, no Norte fluminense.

Em Santa Catarina, a Hamburg Sud e a Batistella prevêem a construção de um terminal avaliado em R$ 350 milhões. E a Portonave investe mais de R$ 400 milhões num terminal de contêineres em Navegantes. Já em São Paulo há o Porto Brasil, em Peruíbe, também da LLX, que poderá ter 11 berços para atração de navios e capacidade de movimentar 3,2 milhões de TEUs (contêiner equivalente a 20 pés) a partir de 2016.

E em Santos? Só até o final do ano, a iniciativa privada pretende investir mais de R$ 500 milhões. A Santos-Brasil, que administra o Tecon, o maior terminal de contêineres da América do Sul, na margem esquerda, constrói o Tecon 4, cujas obras deverão estar concluídas em janeiro de 2009. Já o Tecondi, no cais do Saboó, investe R$ 170 milhões no projeto de expansão de seu terminal, que inclui um novo berço de atracação e um novo pátio, e na compra de novos equipamentos.

Estão em curso as obras do Terminal da Embraport, do Grupo Coimex, na área continental de Santos, nas proximidades da ilha Barnabé. A companhia pretende investir US$ 500 milhões na construção de um terminal que deve aumentar em mais de 10% a atual capacidade do porto. Esse terminal contará com instalações para armazenamento de contêineres e granéis líquidos. Sua meta será movimentar 460 mil contêineres e embarcar 2 milhões de metros cúbicos de etanol por ano.

Além disso, o Grupo Itamaraty promete a implantação de um novo terminal de granéis, cuja obra vai custar cerca de R$ 52 milhões, enquanto a Associação Brasileira de Terminais para Líquidos (ABTL) procura viabilizar uma parceria público-privada (PPP) para a ampliação do píer do Terminal da Alemoa e a construção de mais dois berços de atracação, na margem esquerda.

Tudo isso é bem-vindo, mas a verdade é que será preciso mais. Para piorar, o governo federal vem encontrando dificuldades para o arrendamento de áreas nos portos públicos em razão de marcos regulatórios defasados, que impedem maiores investimentos privados. Até porque nenhum empresário vai fazer investimentos dessa magnitude em portos e terminais, se não tiver segurança na contrapartida que receberá em forma de concessões.

Como se sabe, há uma disputa entre grupos privados no setor. De um lado, empresários que querem a revogação da resolução 517 da Antaq que determinou que a habilitação para a operações de terminais privados só pode ser concedida a empresa que comprovar que a movimentação de sua própria carga justifica a construção do terminal.

E de outro, a Associação Brasileira dos Terminais de Contêineres de Uso Público (Abratec), que considera inconstitucional a implantação de terminais privados que venham a atuar como se fossem terminais públicos, argumentando que a atividade portuária é um serviço público e, portanto, precisa de licitação.

Ao que parece, o governo, nos próximos dias, deve autorizar a abertura de terminais privados para movimentar cargas de terceiros, sem limites percentuais, em regime de concessão. Os projetos terão necessariamente que passar por licitação pública, contrariando o desejo de parte dos empresários, mas o vencedor da concorrência ficará desobrigado de provar que existe carga própria em quantidade suficiente para justificar o investimento.

Seja qual a for a solução que venha a ser dada, o que se espera é que o governo seja competente para criar condições favoráveis para um planejamento logístico e de melhorias na infra-estrutura dos portos brasileiros. A falta de investimentos nos portos, principalmente nos portos públicos, não pode continuar a ser o grande gargalo da infra-estrutura, sob pena de emperrar o crescimento do País.

Milton Lourenço é diretor-presidente da Fiorde Logística Internacional, de São Paulo-SP: fiorde@fiorde.com.br

Compartilhe:
Kepler Weber e Procer anunciam robô que usa tecnologia integrada para nivelar grãos armazenados
Kepler Weber e Procer anunciam robô que usa tecnologia integrada para nivelar grãos armazenados
ENIACLOG 2026 reúne empresas, especialistas e debates sobre tecnologia e Supply Chain em Guarulhos, SP
ENIACLOG 2026 reúne empresas, especialistas e debates sobre Supply Chain em Guarulhos, SP
Radares do DER-SP entram em operação em quatro rodovias estaduais de São Paulo
Radares do DER-SP entram em operação em quatro rodovias estaduais de São Paulo
Águia Branca Encomendas inicia operação em São José dos Campos, SP, com embarque no mesmo dia
Águia Branca Encomendas inicia operação em São José dos Campos, SP, com embarque no mesmo dia
Fundos imobiliários avançam na região Sul com expansão logística e força do agronegócio
Fundos imobiliários avançam na região Sul com expansão logística e força do agronegócio
Medicamentos em supermercados exigem maior controle da cadeia fria, alerta Grupo Polar
Medicamentos em supermercados exigem maior controle da cadeia fria, alerta Grupo Polar

As mais lidas

01

Descompasso entre demanda e infraestrutura pressiona logística urbana no Estado de São Paulo, avalia o presidente da FETCESP
Descompasso entre demanda e infraestrutura pressiona logística urbana no Estado de São Paulo, avalia o presidente da FETCESP

02

Copa do Mundo 2026 acelera vagas temporárias e fortalece polos logísticos, revela estudo da Mendes Talent
Copa do Mundo 2026 acelera vagas temporárias e fortalece polos logísticos, revela estudo da Mendes Talent

03

Vacância de galpões de alto padrão atinge mínima histórica de 6,4% no Brasil, aponta Binswanger
Vacância de galpões de alto padrão atinge mínima histórica de 6,4% no Brasil, aponta Binswanger