Segurança logística: como a tecnologia redefine a proteção e a eficiência nos centros de distribuição

Por Adriano Broilo*

A cadeia logística brasileira vive uma fase de expansão acelerada, impulsionada pelo avanço do comércio eletrônico e pela exigência de entregas cada vez mais rápidas. Mas, junto com a eficiência, surge um desafio proporcional: a segurança.

Os centros de distribuição (CDs), que concentram volumes milionários de produtos e dados estratégicos, tornaram-se alvos de ações criminosas cada vez mais sofisticadas.

Segundo dados da Associação Nacional do Transporte de Cargas e Logística (NTC&Logística), o Brasil registrou mais de 10 mil ocorrências de roubo de cargas em 2024. Apesar da queda de 11% no número de casos, o valor das mercadorias roubadas aumentou 21%, ultrapassando R$ 1,2 bilhão. O dado evidencia uma mudança no comportamento das quadrilhas, que agora direcionam suas ações a cargas de maior valor agregado, como medicamentos, eletrônicos e insumos industriais.

Segurança logística: como a tecnologia redefine a proteção e a eficiência nos centros de distribuição

Da reação à prevenção inteligente

Nesse novo cenário, a segurança deixou de ser apenas uma barreira física. As operações mais avançadas apostam na integração entre tecnologia, inteligência e resposta rápida. A prioridade passou a ser antecipar riscos e detectar comportamentos suspeitos antes que a ameaça se concretize.

Entre as soluções mais eficazes estão os radares perimetrais de longo alcance, que criam uma espécie de “muro invisível” de proteção. Associados a câmeras com inteligência artificial, esses radares detectam movimentações humanas a centenas de metros de distância e enviam alertas automáticos para as equipes de vigilância. O foco é agir de forma preditiva, não apenas reativa.

Além dos sensores e câmeras inteligentes, barreiras anti-veiculares retráteis, dilaceradores de pneus e sistemas de intertravamento veicular, as chamadas “gaiolas de segurança”, compõem as camadas físicas de defesa. Já a identificação por biometria facial e digital, o reconhecimento automático de placas (LPR) e o monitoramento contínuo via SOC (Security Operations Center) fortalecem o controle digital e operacional.

Eficiência e segurança: lados de uma mesma equação

O conceito de segurança logística está intrinsecamente ligado à continuidade operacional. Em um ambiente de alta rotatividade, qualquer falha na proteção pode gerar perdas financeiras e comprometer o cumprimento de prazos. Por isso, a segurança passou a ser tratada como um ativo estratégico, uma variável que impacta diretamente na produtividade e na reputação das empresas.

A tecnologia permite que a segurança se torne também um fator de eficiência. Sistemas integrados reduzem o tempo de resposta, otimizam processos de controle de acesso e garantem a rastreabilidade completa das operações. Em vez de representar um obstáculo à fluidez, a proteção bem planejada assegura que o fluxo logístico se mantenha contínuo e confiável.

O futuro da segurança logística

Com a sofisticação das quadrilhas e o aumento do valor agregado das cargas, a segurança logística tende a se tornar cada vez mais inteligente, integrada e automatizada. O uso combinado de inteligência artificial, análise de dados e automação industrial permitirá que as operações antecipem riscos, ajustem níveis de proteção conforme o comportamento operacional e aprendam continuamente com cada ocorrência.

No fim das contas, segurança e eficiência deixaram de ser conceitos opostos. Hoje, proteger é garantir desempenho. A tecnologia consolidou-se como a principal aliada da logística moderna e seu papel será cada vez mais decisivo na sustentação de uma cadeia segura, ágil e resiliente.

* Adriano Broilo é diretor executivo da Emive Grandes Projetos, unidade especializada do ecossistema Emive&Co.

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