Resistência à crise

A dica para os jovens é não desanimar em épocas de crise. Elas costumam passar e quem estiver melhor preparado terá mais oportunidades de sucesso na profissão.

06/11/2015

Luiz Gonzaga Bertelli*

Muitas áreas são afetadas pelo processo de desaceleração da economia. O comércio e a produção industrial são os primeiros a sentirem o impacto negativo. A população sente os efeitos principalmente com o aumento do desemprego e da inflação. Alguns setores, no entanto, sentem mais do que outros. há também aqueles que crescem em momentos de crise. Historicamente, os contadores, por exemplo, costumam manter ou até aumentar o faturamento nesses períodos. Existem também carreiras nas quais a demanda social é tão grande que nem as sequelas da crise é capaz de recrudescer.

Esse é o caso das áreas de tecnologia. As empresas do setor e startups continuam no sentido inverso da crise, mantendo o nível de crescimento. Isso porque, cada vez mais, as empresas necessitam de investimentos em tecnologia para amenizar os efeitos da crise. Tecnologia da informação (TI), por exemplo, é uma carreira em que os jovens podem apostar sem medo. Muitas organizações reclamam da falta de mão de obra qualificada para essa profissão. O gap, segundo entidade de classe que representa a profissão, fica em torno de 100 mil profissionais.

A área de saúde também promete boas perspectivas a longo prazo, já que o envelhecimento da população é num fato marcante para as estatísticas dos próximos anos. Mesmo em tempos de crise, as famílias procuram resistir aos cortes nas despesas com saúde, principalmente pela qualidade a desejar dos serviços públicos no setor. O segmento representa boa fatia do Produto Interno Bruto (PIB) e deve continuar a atrair investimentos.

Quanto à educação, a crise trouxe um forte impacto nas universidades privadas, por causa do enxugamento de recursos do governo federal para os programas de financiamento estudantil, como o Fies. Muitos alunos não tiveram condições de pagar as mensalidades no ensino superior e desistiram do curso. Mesmo assim, a área deve continua aquecida em razão da estrutura precária que ainda existe no país. Faltam professores de disciplinas mais técnicas, como matemática, física e química e há uma necessidade de investimentos nas áreas de licenciatura.

Com o dólar em alta, sobem também as expectativas para oportunidades de exportação de produtos agrícolas e manufaturados. O agronegócio também sentiu o impacto da crise com os insumos e tecnologias importadas. Nas atividades de produção de carne e produtos florestais, no entanto, seguem em alta.

A dica para os jovens é não desanimar em épocas de crise. Elas costumam passar e quem estiver melhor preparado terá mais oportunidades de sucesso na profissão. Por isso, fazer bons cursos, apostar em língua estrangeira e informática, além de investir em programas de estágio e aprendizagem, são boas opções de qualificação para o mercado de trabalho.

*Luiz Gonzaga Bertelli é presidente do Conselho de Administração do CIEE, do Conselho Diretor do CIEE Nacional e da Academia Paulista de História (APH).

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