Obrigado portuários, transportadores, despachantes aduaneiros, exportadores e importadores

30/04/2020

Por Paulo Henrique Cremoneze*

O mundo está de pernas para o ar. A COVID-19 transformou o cotidiano e praticamente paralisou muitos países. Em todo lugar sistemas de saúde em colapso, contágio em progressão geométrica, gente contaminada e doente, milhares de mortes, especialmente na Europa, no estado de Nova Iorque, EUA, e na China. Na América do Sul, especialmente no Brasil, a pandemia se avoluma e começa a causar estragos significativos.

Lá atrás, disse o poeta: “navegar é preciso, viver não é preciso”. E disse bem. A navegação é uma arte que se faz com instrumentos, cálculos, réguas, mapas e compassos. A vida, não. A vida dotada de uma fundamental imprecisão.

Fingindo não saber que atrás de todo berço há uma lápide e que a morte é a mais leal companheira da vida, deixamo-nos seduzir porém pelos confortos da modernidade e, burgueses involuntários, passamos a acreditar no controle do destino.

O Coronavírus rasgou o véu das ilusões e nos levou a outro, com toda sua imprecisão vital. Nas palavras de Winston Churchill: “quão espesso e pesado é o véu da incerteza”.

A única certeza que temos hoje é de não termos mais certeza de nada.

O sistema de saúde precisa achatar a tão famosa curva de contágio, para ser capaz de aguentar o tranco da nova doença; e os cientistas precisam de tempo para encontrar a cura e, quem sabe, a vacina. Tudo indica que, embora ruim, o distanciamento social é necessário. Só que ele tem um custo, um efeito colateral, como quase tudo na vida. E o custo não é dos mais leves.

Este annus horribilis é um período de resiliência. Temos que ser resilientes. Para aceitar o distanciamento social e o isolamento dos lares, para suportar os efeitos econômicos, financeiros e sociais. Cada um de nós deve aceitar: este não será um ano de avanço. Nosso único avanço é resistir, com coração quase espartano, sem nenhuma projeção glamorosa.

No entanto, tudo passa; e esta pandemia, com seus efeitos ruins, cedo ou tarde nos deixará. Depois, com muito esforço, as adversidades serão vencidas e o crescimento ocupará merecido espaço em nosso cotidiano.

Dentro do pragmatismo que me recomenda cautela e da consciência que me aproxima da dureza do porvir, sinto-me porém otimista e esperançoso. Acredito que o comércio exterior fará sua parte e a crise talvez dure até menos do que dizem as projeções iniciais.

Notícia recente autoriza-me dizer isso: no último trimestre a movimentação no Porto de Santos cresceu pouco mais de 5%. E, mesmo com a crise pandêmica, todos os dias navios entram e saem abarrotados de cargas.

O porto não para. O comércio exterior também não. Muitas atividades estão paralisadas, amornadas por razões óbvias de saúde pública, mas outras continuam mantendo vivas as chamas da confiança. Rendo culto ao deus clichê: o inverno pode ser duro, mas nunca deixa de ceder espaço para a primavera.

Termino rendendo minha homenagem aos que trabalham com o comércio exterior, aos produtores brasileiros, aos trabalhadores dos portos e aeroportos, aos caminhoneiros, aos profissionais de logística. Padarias, mercados, supermercados, farmácias, postos de gasolina, entre outros estabelecimentos, abastecidos permitem estabilidade social e paz neste instante tão difícil. Não fosse a certeza do abastecimento, tumultos maiores estariam em pleno curso, e a situação seria muito pior.

Médicos, enfermeiros, técnicos de saúde, policiais, jornalistas, agentes públicos em geral, costumam ser os mais lembrados no combate ao vírus. Mas os demais profissionais não podem ser esquecidos, porque essenciais para a ordem geral. O mais bem treinado exército nada poderá fazer sem munição e víveres. Pensemos nisso. E fiquemos em nossas casas, confiantes em Deus, resilientes e esperançosos!

*Paulo Henrique Cremoneze é advogado, mestre em Direito Internacional Privado, especialista em Direito do Seguro, autor e diretor jurídico do Clube Internacional de Seguros de Transporte (CIST)

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