O que o Brasil espera do setor logístico em 2012

23/01/2012

 

O ano começou com previsões promissoras para o desenvolvimento do setor logístico brasileiro, mesmo ante a permanência – por tempo indeterminado – do cenário de incertezas da economia na região do Euro e com os Estados Unidos ainda em lenta recuperação. As oportunidades nascem da necessidade de repor os estoques da indústria nacional, que busca atender o aquecido mercado interno, das obras de infraestrutura e da logística dedicada à preparação do Brasil para receber os dois maiores eventos esportivos do planeta nos próximos anos. Além disso, é também um desafio da indústria logística continuar apoiando a qualificação internacional dos setores produtivos, do agronegócio à indústria, que atraem cada vez mais os mercados estrangeiros. 

 

Encerramos o ano passado com índices animadores para enfrentar um período de fragilidade econômica mundial. O saldo final da balança comercial brasileira em 2011, que alcançou US$ 29,7 bilhões, crescimento de 47,8% sobre 2010 que configurou o melhor resultado dos últimos quatro anos, de acordo com o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior. A corrente comercial (soma das exportações e importações) totalizou US$ 482,292 bilhões, com aumento de 25,7% sobre a média de 2010 e o primeiro registro histórico de um valor anual acumulado que ultrapassa a casa dos US$ 450 bilhões.

 

É neste cenário de atenção permanente sobre a  economia internacional aliada a esforços de crescimento interno, que caberá aos atores do setor logístico brasileiro o seguinte questionamento: “estamos preparados?”, e a resposta é eminente: “temos que estar”. 

 

Seguindo a tendência de descentralização da economia brasileira, pensamos a logística nacional em diferentes horizontes e regiões. Sob este prisma, Minas Gerais talvez nos seja uma inspiração, afinal, o estado, de maneira discreta e com cada vez mais dedicação, chegou em 2011 ao segundo lugar entre os maiores exportadores do Brasil. Pela primeira vez na história da balança comercial, os mineiros ultrapassaram os US$ 35 bilhões, ficando atrás apenas de São Paulo e seguidos do Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul e Pará.

 

Não obstante a estratégias e visão de futuro, é preciso ao setor logístico uma gestão focada e sustentada em resultados concretos e reais, além da especialização e constante aperfeiçoamento na excelência de equipes de vendas, investimentos permanentes em recursos humanos, gestão e aumento da capacidade operacional. As variantes e os mercados são cada vez mais diversificados, vide o fato do crescimento das exportações brasileiras em 2011 ter ocorrido em todas as categorias de produtos: básicos (36,1%), semimanufaturados (27,7%) e manufaturados (16%), para os principais compradores internacionais distribuídos em diferentes continentes, com a China à frente (US$ 44,3 bilhões), seguida dos EUA (US$ 25,9 bilhões), Argentina (US$ 22,7 bilhões), Países Baixos (US$ 13,6 bilhões) e Japão (US$ 9,5 bilhões).

 

Na importação, a indústria logística operacionalizou a entrada de bens e produtos, em sua maioria, dos EUA (US$ 34,2 bilhões), China (US$ 32,8 bilhões), Argentina (US$ 16,9 bilhões), Alemanha (US$ 15,2 bilhões) e Coréia do Sul (US$ 10,1 bilhões). O ano de 2012 está apenas começando e sabemos que os processos logísticos, mais do que um termômetro da produtividade nacional, podem ser um importante ponto de apoio ao desenvolvimento, a partir de conhecimentos técnicos de alto nível, tecnologia, dinamismo e muito trabalho. E é isso que o país espera de nossa indústria.

 

 

 

Alexandre Chami – Diretor de Vendas e Marketing da Kuehne + Nagel

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