A Cedro Participações, holding brasileira com atuação em mineração, agronegócio, logística e real estate, investirá em um sistema de transporte contínuo para minério de ferro como parte do projeto de expansão da mina de Mariana, em Minas Gerais.
O projeto prevê a implantação de um Transportador de Correia de Longa Distância (TCLD), tecnologia que substituirá o deslocamento do minério por carretas até a conexão com a infraestrutura ferroviária. A iniciativa integra o plano de ampliação da unidade, que representa investimento estimado em R$ 4 bilhões, sendo cerca de R$ 700 milhões destinados ao TCLD.
Com aproximadamente 20 quilômetros de extensão, o equipamento será um dos maiores sistemas desse tipo no Brasil. O transportador terá capacidade para movimentar entre 1.800 e 2.000 toneladas por hora, com velocidade de operação de 4 metros por segundo e correia com 1.200 milímetros de largura.
A tecnologia será aplicada no transporte do minério produzido na mina de Mariana, com foco na produção de até 5 milhões de toneladas anuais de pellet feed, material conhecido como “minério verde” por apresentar características que permitem reduzir emissões no processo siderúrgico.
Segundo Ricardo Jeunon, diretor de Engenharia e Implantação de Projetos da Cedro Mineração, o modelo escolhido possui características diferentes dos sistemas tradicionais, permitindo curvas horizontais que reduzem a necessidade de grandes intervenções no terreno.
“A tecnologia empregada neste TCLD elimina a necessidade de construir prédios estruturais a cada mudança de direção, o que gera economia de recursos, reduzindo intervenções civis no terreno e evitando a geração de poeira durante a transferência do minério”, afirma Jeunon.

Tecnologia com automação e redução de impactos ambientais
O sistema também contará com recursos de automação para inspeção e manutenção. Conforme explica a empresa, a verificação física da correia será realizada por um robô instalado em trilhos inferiores, equipado com inteligência artificial e sensores de vibração e temperatura.
“Esse mecanismo utilizará IA e sensores de vibração, temperatura para indicar a necessidade de manutenções preventivas, eliminando o risco da exposição humana em campo. Ademais, o funcionamento será operado integralmente de forma remota através de uma sala de controle”, pontua o diretor de Engenharia e Implantação de Projetos da Cedro Mineração.
Além de substituir parte do transporte rodoviário realizado por veículos pesados, o transportador de correia de longa distância deve contribuir para a redução de emissões. Segundo a Cedro, o sistema evitará a emissão de aproximadamente 54 mil toneladas de CO₂ por ano, devido à eliminação do consumo de diesel e do desgaste de pneus.
“A retirada dos veículos pesados das vias rodoviárias reduzirá drasticamente o ruído e a poeira para as comunidades vizinhas aos cerca de 20 km do trajeto. Toda a estrutura será alimentada pela rede elétrica da operadora de energia de do estado de Minas Gerais, que é proveniente de fontes renováveis, e o TCLD contará também com acionamentos regenerativos contribuindo com a redução do consumo de energia”, afirma Jeunon.
O executivo também destaca que o sistema permitirá movimentação contínua de grandes volumes, reduzindo gargalos operacionais e a necessidade de abertura de novas estradas internas.
Expansão da produção de minério de ferro
A Cedro está em fase final para obtenção da Licença de Instalação (LI) ambiental do projeto. Paralelamente, a empresa trabalha na engenharia detalhada e no Plano de Execução do Projeto (PEP).
“Após a liberação da licença, as obras (como supressão vegetal e terraplanagem) poderão ser iniciadas. O prazo estimado de conclusão da planta é de cerca de 36 meses, podendo variar conforme a janela do período de chuvas na região”, detalha Jeunon.
A expansão da mina de Mariana faz parte do planejamento da Cedro para elevar sua produção para 9 milhões de toneladas até 2028 e alcançar 20 milhões de toneladas até 2030.
Atualmente, a unidade produz cerca de 3 milhões de toneladas de minério de ferro por ano. Com os investimentos previstos, serão adicionadas mais 2 milhões de toneladas, e toda a produção passará a ser de pellet feed.
A Cedro destaca que o material possui maior teor de qualidade e menores níveis de impurezas, contribuindo para redução das emissões na indústria siderúrgica. A companhia também informa que utiliza tecnologias como filtragem e empilhamento a seco, além do reaproveitamento de aproximadamente 85% da água utilizada nos processos.










