O alto preço de ignorar a manutenção de empilhadeiras

Por Junior Orbolato*

Em um mercado cada vez mais dinâmico e competitivo, onde eficiência operacional e cumprimento de prazos são determinantes para o sucesso, muitas empresas seguem negligenciando um fator que impacta diretamente seus resultados: a manutenção de empilhadeiras. O problema é silencioso, mas altamente custoso. Dados divulgados pela Logweb apontam que uma empilhadeira adquirida por R$ 70.000, depreciada em cinco anos, representa cerca de R$ 90,00 por dia de inatividade.

Além disso, o custo de um operador ocioso, considerando um salário médio de R$ 2.000, soma aproximadamente R$ 91,00 por dia. O cenário se agrava ainda mais quando se observa que, sem manutenção adequada, a disponibilidade dos equipamentos pode cair para menos de 75%, exigindo, muitas vezes, a locação ou aquisição de novas empilhadeiras apenas para manter a operação funcionando.

Ainda assim, muitas empresas insistem em tratar manutenção como gasto, e não como investimento estratégico. Este erro compromete diretamente o desempenho operacional, aumenta o custo total de operação (TCO) e impacta tanto a saúde financeira quanto a competitividade da empresa. Ignorar a manutenção resulta em custos ocultos significativos, como paradas inesperadas, necessidade de reparos emergenciais, maior desgaste de outros ativos da frota e riscos operacionais elevados. Práticas recorrentes agravam esse cenário, como o adiamento das revisões, a improvisação com peças genéricas, a falta de treinamento dos operadores e a negligência diante de sinais claros de falhas, como ruídos e vibrações anormais.

O impacto financeiro dessas práticas é direto e mensurável. A redução da produtividade, a quebra de prazos de entrega e os riscos operacionais colocam em xeque não apenas a eficiência, mas também a reputação da empresa perante seus clientes e parceiros. Quando as empilhadeiras passam mais tempo paradas do que operando, o custo se multiplica: além da depreciação diária e do operador sem atividade, há ainda despesas com locações emergenciais, contratações temporárias e, muitas vezes, perda de contratos. Tudo isso poderia ser evitado com uma gestão eficiente da manutenção.

A solução para este problema está diretamente relacionada à mudança de mentalidade dentro das organizações. Manutenção não deve ser encarada como um centro de custo, e sim como um investimento essencial para garantir a disponibilidade dos ativos, a segurança dos operadores e a saúde financeira da operação. Construir uma cultura preventiva passa por implementar cronogramas rigorosos de manutenção, adotar peças de qualidade, capacitar operadores e investir em tecnologias que permitam o monitoramento contínuo das condições dos equipamentos.

Portanto, ignorar a manutenção tem um preço, e ele é muito mais alto do que qualquer investimento em prevenção. É uma decisão que impacta diretamente a sustentabilidade econômica do negócio. Manter as empilhadeiras em perfeito funcionamento não é apenas uma obrigação técnica, mas uma estratégia inteligente de gestão, produtividade e competitividade.

*Junior Orbolato é diretor comercial da Netmak, com ampla experiência no setor de movimentação de cargas e equipamentos industriais. Atua com foco em eficiência operacional, planejamento técnico e estratégias para redução de custos logísticos.

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