Last mile mais caro torna gestão de combustível essencial

Por Nelson Margarido*

O avanço do e-commerce nos últimos anos transformou a logística urbana em um dos pontos mais sensíveis da operação varejista. A chamada Last Mile — ou última milha, etapa final da entrega até o consumidor — deixou de ser apenas um elo operacional e passou a influenciar diretamente a margem, a experiência de compra e a competitividade das empresas.

Agora, em um cenário de desaceleração do consumo, crédito mais caro e maior pressão sobre os custos logísticos, esse desafio se torna ainda mais evidente. Segundo o IBGE, o varejo brasileiro fechou 2025 com alta de apenas 1,6%, ritmo inferior ao observado no ano anterior, sinalizando perda de tração da atividade comercial.

Para o e-commerce, isso significa um ambiente mais competitivo e menos tolerante a ineficiências. Quando o consumidor reduz o ritmo de compras, compara mais preços e prioriza itens essenciais, o custo do frete passa a pesar ainda mais na decisão. Produtos pequenos, baratos ou de menor valor agregado podem perder atratividade quando a entrega encarece, especialmente diante da alternativa de compra no comércio local, sem pagamento de frete.

Pressão sobre custos e impacto no last mile

Nesse contexto, o last mile tende a ser um dos segmentos mais impactados. A última etapa da entrega já é, tradicionalmente, uma das mais caras da cadeia logística, por envolver deslocamentos urbanos, múltiplas paradas, reentregas, consumo de combustível, tempo ocioso e alta dependência da eficiência das rotas. Quando há retração ou menor ritmo de crescimento nas vendas, a pressão sobre as margens aumenta e qualquer desperdício operacional se torna mais relevante.

O combustível está no centro dessa equação. No transporte rodoviário de cargas, o diesel representa cerca de 35% do custo operacional, sendo um dos principais componentes na formação do preço do frete, segundo a CNT. Em operações de last mile, nas quais veículos circulam diariamente em áreas urbanas, muitas vezes com baixa previsibilidade de trânsito e grande volume de paradas, o controle sobre abastecimentos, consumo, desvios e produtividade da frota deixa de ser apenas uma prática administrativa e passa a ser uma ferramenta de sobrevivência financeira.

Gestão de combustível como resposta imediata

A gestão de combustível permite que empresas identifiquem desperdícios, reduzam perdas, acompanhem o consumo por veículo, motorista ou rota e tomem decisões mais rápidas sobre a operação. Em momentos de crescimento acelerado, muitas ineficiências acabam absorvidas pelo aumento da demanda. Em momentos de crise ou desaceleração, elas aparecem diretamente no resultado.

Para transportadoras, operadores logísticos, frotas próprias de varejistas e empresas de entrega, a tecnologia aplicada ao abastecimento oferece uma camada adicional de controle. Sistemas baseados em RFID, por exemplo, permitem automatizar a identificação de veículos, validar abastecimentos, reduzir falhas manuais e gerar dados confiáveis para a gestão. Com informações mais precisas, é possível comparar desempenho, corrigir distorções e evitar que o combustível se transforme em um custo invisível dentro da operação.

Nelson Margarido: “Em um cenário em que o frete pode definir se uma compra online vale ou não a pena para o consumidor, reduzir desperdícios deixa de ser uma escolha e passa a ser uma necessidade”

A tendência é que o mercado de last mile continue relevante, mas com uma dinâmica mais seletiva. Empresas que dependem apenas de volume podem enfrentar maior pressão caso a demanda desacelere. Já aquelas que conseguirem operar com mais eficiência, previsibilidade e controle terão melhores condições de preservar margens e manter competitividade.

Em um cenário em que o frete pode definir se uma compra online vale ou não a pena para o consumidor, reduzir desperdícios deixa de ser uma escolha e passa a ser uma necessidade. A gestão de combustível entra nesse momento como uma resposta prática para um problema imediato: fazer mais com menos, proteger a operação e transformar dados em economia real.

*Nelson Margarido é diretor operacional da Korth, empresa brasileira considerada pioneira em tecnologia RFID para gestão de abastecimento.

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