Gargalo rodoviário

10/07/2008

No dia 9 de maio, São Paulo registrou o maior engarrafamento do ano: 266 quilômetros de veículos parados. Uma fila tão grande que ultrapassa, em 15 quilômetros, a distância entre Curitiba e Blumenau.

O grande motivo para esse congestionamento de proporções colossais é o aumento das vendas do setor automobilístico, que cresce a passos largos. Só no primeiro trimestre do ano, foram comercializados 1,1 milhão de veículos, conforme dados da Fenabrave – quantidade 25,7% maior que a do mesmo período do ano passado.

Nesse contexto, os caminhões têm participação expressiva nas vendas: ao todo, foram mais de 25 mil nos três primeiros meses do ano, 28% a mais que o primeiro trimestre de 2007. Motivo de comemoração para as montadoras, mas de preocupação para o setor logístico. Embora mais automóveis nas estradas signifique crescimento da economia, eles também indicam a iminência de uma insuficiência na prestação de serviços do setor logístico. E as razões para isso são inúmeras, sendo a primeira e mais clara delas a participação do transporte rodoviário na economia brasileira.

Os caminhões são responsáveis por 60% do escoamento da produção nacional e enfrentam diariamente um grande inimigo: a má infra-estrutura das estradas.

Conforme a Confederação Nacional dos Transportes , dos 169 mil quilômetros que compõem a malha viária brasileira, 84 mil deles (74%) estão em condições inaceitáveis de tráfego.

O governo federal promete R$ 33 bilhões em investimentos por meio do PAC, mas ainda levará um bom tempo para regularizar a situação das rodovias.

Além disso, o Brasil está prestes a colher uma nova safra recorde de grãos, estimada em mais de 142 milhões de toneladas. E com o início da colheita, é natural que o número de carretas nas rodovias aumente expressivamente.

Todos esses elementos juntos são suficientes para estourar a bolha e projeta uma quantidade absurda de veículos nas estradas, dificultando o escoamento da produção. No entanto, há uma saída: a renovação da frota brasileira de caminhões.

No ano passado, depois de muito estudo, sugeri a criação de um programa intitulado Emplaca Brasil , com a idéia simples de incentivar os proprietários de trucões antigos, com mais de 25 anos, a trocá-los por bônus para a compra de veículos mais novos.

Os antigos brutos seriam levados a um centro de sucateamento e reciclagem para o reaproveitamento de peças, enquanto os proprietários ganhariam descontos na compra de novos caminhões.

Assim, poderíamos evitar, por ora, os congestionamentos de magnitudes interestaduais, que tanto atravancam o progresso nacional, e trazer conseqüências positivas para a economia e o meio ambiente, que sofrerá menos com a poluição emitida pelos caminhões mais antigos.

Markenson Marques é presidente da Cargolift e diretor da Associação Brasileira de Logística

Fonte: www.dcomercio.com.br

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