EUA x Brasil: qual é o futuro desta parceria comercial?

Por Cassio Zeni*

Historicamente, o Brasil sempre foi um grande parceiro dos Estados Unidos. No entanto, com o aumento das políticas protecionistas do governo de Donald Trump, a relação comercial entre os dois países começou a entrar em um terreno de tensão. Por outro lado, diferentemente do que tange a dinâmica dos americanos com outras nações, isso não é um desafio sem solução; trata-se de uma questão estratégica, não necessariamente uma dinâmica que exclui os benefícios que ambas as partes colhem.

Olhando do ponto de vista dos brasileiros, é possível dizer com tranquilidade que ainda somos essenciais para os Estados Unidos, especialmente em relação à exportação de produtos industriais. O Brasil é um fornecedor importante e confiável de commodities como petróleo e aço, o que deve continuar acontecendo independentemente do teor das próximas movimentações políticas e econômicas.

EUA x Brasil: qual é o futuro desta parceria comercial?

Do outro lado, a situação não é diferente e o mesmo ocorre com algumas importações que o Brasil faz do território americano. Setores que dependem de insumos estrangeiros, como o automotivo e de tecnologia, são extremamente relevantes para o país. 

É claro que isso não abona alguns obstáculos impulsionados pela intensificação do protecionismo de Trump, principalmente em áreas específicas. Produtos como o próprio aço e o alumínio podem ser citados como exemplos, o que, de uma forma ou de outra, impacta diretamente a balança comercial brasileira. 

Além disso, o endurecimento das políticas tarifárias segue com um ponto de interrogação. Hoje, o governo americano está em negociações para rever algumas taxas, mas isso ainda não aconteceu com os brasileiros e as alíquotas para as importações continuam em 10%. Obviamente, esse cenário pode mudar de um dia para o outro, mas também precisamos considerar fatores políticos nesse quesito: enquanto o mandato do presidente dos Estados Unidos continua até 2028, por aqui devemos ter, potencialmente, eleições nacionais muito polarizadas em 2026.

Novos pontos de atenção
O Brasil vem se esforçando para diversificar as parcerias comerciais, mas o foco nos Estados Unidos definitivamente não é abandonado. Pelo contrário, ele ganha novos contornos, muito mais abrangentes e que merecem muita atenção nos próximos meses e anos.

A sustentabilidade climática, por exemplo, recebe um peso a mais na mesa de negociação. Atualmente, essa é uma das maiores preocupações globais, então, é interessante observar aspectos nesse sentido. É o caso da COP 30 (Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas), que acontece em novembro, em Belém (PA), e do monitoramento da performance de mercados ESG (sigla em inglês para “Ambiental, Social e Governança”).

O desempenho do agronegócio brasileiro também entra nessa lista. Podemos olhar com otimismo para o crescimento constante do setor, com commodities como soja, milho e carne bovina ganhando cada vez mais relevância e suprindo demandas urgentes no comércio internacional. Logo, podemos nos posicionar como um dos grandes fornecedores de subsídios agrícolas para os Estados Unidos.

Por fim, outro ponto que não podemos deixar de lado é o dólar. Entre janeiro e março, o PIB (Produto Interno Bruto) americano sofreu uma queda de 0,5%, segundo o Departamento do Comércio. Contudo, os desafios econômicos do país não excluem a força da sua moeda, que ainda dita muitas das oscilações fiscais que ocorrem no âmbito brasileiro.

Em resumo: a relação entre Brasil e Estados Unidos ainda é sólida e precisa ser olhada de perto, mesmo que tenha sofrido alguns impactos recentes. Os choques geopolíticos e medidas repentinas de restrição comercial não podem ser ignorados, mas também não são motivos para enxergar essa troca com maus olhos.

A inteligência estratégica é a chave para os próximos passos. Apostar na diplomacia e na capacidade de adaptação é fundamental para manter essa parceria a longo prazo, perpetuando as vantagens que ela trouxe ao longo dos últimos anos.

*Cassio Zeni é cofundador e diretor de Relações com Investidores da Rubik Capital, gestora de recursos e consultoria de investimentos independente, que busca potencializar a gestão de patrimônios com qualidade, segurança e transparência.

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