Aspectos econômicos e desenvolvimentistas

13/07/2008

Atualmente, existe uma nova fronteira do conhecimento econômico, que consiste em avaliar o comportamento dos indivíduos e os resultados práticos de suas ações. Um exemplo expoente deste pensamento trata-se do economista Steven Levitt, professor da Escola de Chicago e autor do livro Freakonomics. No seu livro, o autor relata os seus interesses pela economia tradicional, com análises associadas aos juros e câmbio, mas fundamentalmente por temas que desafiam a sabedoria convencional, como a criminalidade e o aborto. Porém, a grande qualidade do professor Levitt está em pesquisar e em responder problemas que parecem comuns ao dia a dia, mas não são.

Com este intuito, muitos artigos vêm sendo publicados sobre o comportamento humano e a dinâmica do mercado como um todo por outros especialistas. Por exemplo, como avaliar a crise de crédito dos Estados Unidos com a ação direta dos corretores dos grandes bancos internacionais? Estariam estas pessoas mal intencionadas, com o único objetivo de exercer ganhos pessoais em suas operações financeiras? Qual o impacto destas ações nos preços das commodities atualmente? Se isto for verdade, o mundo estaria nas mãos de poucas pessoas e sujeito a crises constantes, desde que os agentes de fiscalização, representados pelo governo, atuem no tempo adequado.

Como até o momento, a fiscalização governamental não vem sendo criteriosa e adequada, o ideal seria recorrer aos princípios da psicologia, representadas por Abraham Maslow (1908-1970), professor do MIT nos Estados Unidos, em que os indivíduos buscam sempre realizar as suas necessidades básicas e pessoais, com liberdade de escolha e ação. Porém, não seria ideal a atuação destes mesmos indivíduos em um ambiente estimulado por regras claras e que sejam exercidas, para que problemas sejam dirimidos?

Apesar de toda a filosofia exposta acima, desde a crise de crédito nos Estados Unidos, muitas explicações surgiram e sem consenso entre os analistas financeiros do mundo. A economia americana vem perdendo o seu valor, o dólar cada dia mais fraco, a valorização do euro um marco, a maior presença chinesa no mundo um fato, empresas fechando as portas e a preocupação com a inflação na América Latina.

Diante das circunstâncias, é notável a migração de recursos financeiros para as commodities, entre elas o petróleo e os recursos agrícolas. Estaria o mundo vivendo um novo surto especulativo?

A elevação dos preços do petróleo deve-se em parte, a descoberta de novas reservas da matéria prima no mundo, aos custos de exploração em águas profundas e a problemas políticos, ocasionando nas maiores cotações do barril em toda a história. Já a elevação dos produtos agrícolas deve-se a necessidade por alimentos no mundo e não as questões relacionadas ao etanol, até porque o Brasil possui áreas suficientes para o plantio e aumento de produtividade, ao contrário das acusações sofridas pelo país como sendo responsável pelo aumento das cotações e estímulo a fome para as populações mais pobres.

O futuro demanda pessoas que pensem no desenvolvimento integrado e na democratização dos povos. Aumentos expressivos nos preços dos produtos finais, em virtude da elevação das cotações das commodities, pode estar correlacionado à busca desenfreada em exercer lucros por grandes organizações pelo mundo e  o duvidoso cumprimento das regras de mercado.

O mundo precisa de um mercado que funcione, porém, trazendo desenvolvimento para os indivíduos, empresas e nações, sem que a causa principal esteja focada em pequenos grupos de investidores e com conseqüências desastrosas para a economia mundial. Logo, estaria Maslow correto?  Seria mais favorável um estudo do comportamento humano por estudiosos como Steven Levitt, dada à complexidade do tema, do que avaliar fundamentalmente a dinâmica industrial.

Hugo Ferreira Braga Tadeu é professor e Coordenador do Grupo de Estudos em Operações da Escola de Governo Professor Paulo Neves de Carvalho da Fundação João Pinheiro. E-mail: hugofbraga@gmail.com

 

Fonte: Portal NewsComex

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