Ampliação da malha ferroviária da Ferrovia Tereza Cristina: benefícios econômicos e vantagens competitivas

14/03/2011

Os investimentos da iniciativa privada nos últimos dez anos, a partir da implantação do modelo de concessão da malha ferroviária brasileira, recuperaram uma estrutura que estava sucateada nos tempos da RFFSA transformando a centenária Ferrovia Tereza Cristina (FTC) em um importante elo da cadeia logística do Sul Catarinense. No entanto, o fato de sua malha ferroviária não estar integrada ao sistema ferroviário nacional é um grande entrave ao crescimento da ferrovia e da própria economia de Santa Catarina. 

Dados do “Estudo de Viabilidade do Sistema Ferroviário no Estado de Santa Catarina" apontam que em 2030, o Estado terá uma demanda de transporte de aproximadamente 144 milhões de toneladas de cargas. Para atender esta demanda, três vezes superior ao volume atual, a duplicação da BR-101 poderá não suportar considerando também o crescimento dos veículos de passageiros. A solução para esses problemas passa por ações urgentes de modernização e ampliação da infraestrutura ferroviária no Estado.

Com base em dados socioeconômicos e em estudos de demanda, foram identificados três corredores de transportes principais no estado: um no Litoral Catarinense, ligando as regiões Norte, Vale do Itajaí, Grande Florianópolis e Sul do Estado; um segundo no Planalto Serrano (fluxos internos); um terceiro ligando o Oeste Catarinense com o Litoral, suas regiões e portos marítimos. No corredor litorâneo, com fluxo de aproximadamente 32 milhões de toneladas transportadas ao ano, foi projetado um trecho ferroviário entre Imbituba e Araquari com 236 km ligando os quatro portos catarinenses: Imbituba, Itajaí, Navegantes e São Francisco do Sul.

Considerado o mais viável no momento e com maior retorno de investimento, o trecho denominado “Ferrovia Litorânea” além de integrar a FTC a malha ferroviária nacional via operadora América Latina Logística (ALL) a partir de Araquari no trecho Mafra-São Francisco do Sul, promoverá um grande acréscimo no volume de cargas a ser transportado. Entre as principais cargas com potencial para o transporte ferroviário na Litorânea destacam-se: cerâmica, granéis agrícolas, combustíveis, produtos têxteis, fertilizantes, metalúrgicos, siderúrgicos e minerais; químicos, petroquímicos e plásticos; madeiras e derivados; carnes, carga geral, contêineres e outros. 

Para a implantação da Ferrovia Litorânea, estima-se que serão necessários cerca de R$ 584 milhões, considerando as obras civis para a implantação da via ferroviária, ações sobre o meio ambiente e frota de material rodante (vagões e locomotivas). O valor é baixo, tendo em vista os benefícios econômicos e as vantagens competitivas que a obra trará ao Estado e ao País.

O empreendimento irá gerar cerca de 130 mil empregos, entre temporários (no período da construção da Ferrovia) e permanentes (no período de operação), considerando os diretos, indiretos e aqueles que se originam através do efeito-renda. Com a Ferrovia Litorânea, será gerada uma renda de cerca de R$ 12 bilhões ao ano e a incorporação teórica de R$ 480 milhões anuais à Renda Nacional, permitindo também a arrecadação de tributos da ordem de R$ 170 bilhões, considerando todos os níveis da Administração Pública.

A ampliação do sistema ferroviário no Estado, em seu conjunto, apresenta também uma “Taxa de Retorno Social” elevada em função da redução de encargos para as rodovias e emissão de poluentes, traduzidos em uma economia anual de cerca de R$ 40 milhões; redução do consumo de combustível, em média 10 milhões de litros anuais; redução do número de acidentes rodoviários, representando uma economia de R$ 13,6 milhões em custo de indenizações além da redução anual de R$ 21 milhões nos custos dos materiais perdidos em acidentes.

A ampliação da malha da FTC promoverá ganhos nos custos de transporte e logística para os empresários catarinenses; ganhos sociais através da distribuição das cargas para as ferrovias, oferecendo mais segurança e qualidade de vida na utilização das rodovias que passarão a ser mais seguras com menos acidentes; ganhos na logística com o transporte de médias e longas distâncias feito pela Ferrovia e com o Rodoviário realizando a captação e a distribuição das cargas em sua origem/destino; ganhos ambientais com menos poluição pelo baixo consumo de combustível.

Vilmar P. de S. Junior – Operador Logístico
zuza_jr@hotmail.com

 

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