A logística sustentável como fator primordial no futuro dos negócios

*Por Ronaldo Fernandes da Silva

A expansão dos armazéns logísticos, impulsionada pelo crescimento do e-commerce, tem gerado preocupações ambientais, como o consumo excessivo de espaço, o aumento do tráfego de caminhões e a grande geração de resíduos. Para enfrentar esses desafios, os operadores logísticos estão adotando práticas sustentáveis que minimizam os impactos ambientais, reduzem custos e melhoram a eficiência operacional.

A sustentabilidade na logística começa na construção dos armazéns, uma vez que 70% das emissões de CO₂ de um armazém ocorrem antes mesmo do início das operações. A eficiência energética também tem sido uma prioridade, com a instalação de painéis solares que permitem que alguns armazéns gerem até 10 vezes mais energia do que consomem. Além disso, a gestão de resíduos baseada nos 3Rs (Reduzir, Reutilizar e Reciclar) tem sido crucial para diminuir o desperdício e promover operações mais ecologicamente corretas.

No entanto, uma operação logística sustentável vai além da preservação ambiental. A redução do consumo de energia resulta em economia significativa para as empresas. Parcerias com fornecedores de tecnologia e consultorias especializadas em sustentabilidade têm sido essenciais para acelerar esse processo. A melhoria das condições de trabalho, com iluminação adequada e ergonomia, também contribui para a maior produtividade e bem-estar dos colaboradores. A conscientização e capacitação da equipe são fundamentais para garantir a aplicação eficaz das práticas sustentáveis no dia a dia.

O setor de OLs tem desenvolvido e aprimorado soluções de pooling. Essa operação específica combina os processos logísticos e de transporte de vários fabricantes ou marcas para as mesmas redes de distribuição, com entradas e saídas comuns. Os benefícios incluem melhor serviço, entregas econômicas, níveis de estoque otimizados, sinergias entre os fluxos B2B e B2C e emissão de carbono reduzida para uma cadeia de suprimentos sustentável.

Empresas de logística aliam, constantemente, a análise da emissão de carbono com as melhorias na operação implantando scorecards que medem o impacto ambiental das atividades de armazenagem e transporte. Esse painel mostra o impacto equivalente a CO2 dos serviços de logística por cliente e por instalação, bem como os três impactos significativos na sociedade: apoio ao emprego e ao desempenho dos negócios, emissão de carbono e poluição do ar. 

Os operadores logísticos também reestruturam operações por meio de tendências de mercado e percepções dos consumidores para promover padrões de consumo ambiental e socialmente responsáveis. Empresas combinaram inovações com fornecedores e passaram a reduzir significativamente o uso de filme plástico no acondicionamento de produtos nos paletes em processos de armazenagem e distribuição. Esse procedimento consiste em uma remodelação da amarração das cargas paletizadas, o que reduz a aplicação do stretch film que envolve os produtos.

O futuro da logística depende da adoção dessas práticas sustentáveis. Os operadores logísticos têm estabelecido metas ambiciosas, como alcançar a neutralidade de carbono até 2030, combinando a redução do consumo, a compra de energia renovável e a geração própria de eletricidade. Essa abordagem não só contribui para um setor mais verde, mas também fortalece a competitividade e a viabilidade econômica da logística a longo prazo.

*Ronaldo Fernandes da Silva é presidente da FM Logistic do Brasil. Formado em Engenharia de Produção pela Universidade de São Paulo (USP) e com pós-graduação em Administração de Empresas pela FGV-SP, o executivo atuou nas áreas industrial, de distribuição, desenvolvimento de negócios e operações logísticas em diversos setores, tanto no Brasil quanto no Chile, e liderou a integração de empresas na América Latina.

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