
A Associação Brasileira de Logística (Abralog) manifestou forte preocupação diante da aprovação, pelo Senado Federal, da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que extingue a escala de trabalho 6×1. Por se tratar de um setor que atua 24 horas por dia e sete dias por semana — e que já enfrenta escassez de motoristas e operadores qualificados —, a mudança acende um alerta vermelho sobre a cadeia de suprimentos nacional.
A entidade enfatiza que são os serviços de transporte e logística os responsáveis diretos por assegurar o abastecimento essencial da sociedade: medicamentos em hospitais, alimentos nas prateleiras dos supermercados, insumos para o parque industrial e entregas na residência de cada cidadão.
Principais impactos apontados pelo setor
Para dimensionar o peso da medida sobre a economia, a Abralog compilou dados expressivos divulgados por entidades representativas do setor produtivo:
- Elevação de custos com mão de obra: Um impacto financeiro adicional estimado em R$ 11,9 bilhões apenas no subsetor de transporte, conforme levantamento da Confederação Nacional do Transporte (CNT).
- Pressão inflacionária: Uma alta média projetada de 6,2% nos preços repassados ao consumidor final, segundo estimativas da Confederação Nacional da Indústria (CNI).
- Riscos estruturais: Crescimento das chances de migração de trabalhadores para a informalidade e perda geral de competitividade do Brasil no cenário internacional.
Para a Abralog, o engessamento das jornadas por meio de texto constitucional ignora as particularidades operacionais de cada segmento, região e modelo de negócio, cujo equilíbrio adequado deveria ser construído primariamente por meio da negociação coletiva.
A entidade conclui que, embora o debate sobre jornadas de trabalho seja legítimo, decisões precipitadas e sem a devida mensuração de impactos transferem um custo elevado para toda a sociedade.








