
A transição para uma economia de baixo carbono deixou de ser uma pauta de longo prazo para se consolidar como fator estratégico na tomada de decisão das empresas brasileiras. O movimento ganhou ainda mais tração com o amadurecimento de marcos regulatórios como o Sistema Brasileiro de Comércio de Emissões de Gases de Efeito Estufa (SBCE), instituído pela Lei nº 15.042/2024.
Nesse cenário, companhias de portes e segmentos variados adotam rotas diversificadas que combinam eficiência energética, substituição de combustíveis, transição para energias renováveis, gestão avançada de resíduos e inovação logística. Onde a redução direta encontra limites técnicos, a compensação e a certificação — a exemplo do Selo Carbon Free® — entram como ferramentas de transparência perante o mercado e os consumidores.
Logística e transporte: o papel indutor da Brado Logística
No setor de transportes e infraestrutura, a Brado Logística demonstra como a gestão de emissões está atreeada ao core business da operação. A companhia neutralizou integralmente suas emissões diretas e indiretas (Escopos 1 e 2) por meio da aquisição de créditos de carbono — gerados pela Usina Hidrelétrica Jirau (RO) e certificados em parceria com a Carbon Free Brasil — e do uso de energia limpa com garantia de I-RECs. A ação foi complementada pelo plantio de 280 mudas de espécies nativas da Mata Atlântica no estado de São Paulo.
Na frente operacional, a Brado aposta na frota de caminhões movidos a Gás Natural Liquefeito (GNL), matriz que reduz em cerca de 25% as emissões de $CO_2$, até 90% os óxidos de nitrogênio ($NO_x$) e diminui expressivamente o material particulado nas rodovias. Além disso, a empresa reduziu em 19% o envio de resíduos para aterros.
Para Camila Matte, CHRO e responsável pela área de ESG da Brado Logística, a capilaridade do setor exige responsabilidade sistêmica:
“A logística ocupa uma posição estratégica na agenda da descarbonização porque conecta diferentes cadeias produtivas e acompanha a movimentação de inúmeros setores da economia. Quando conseguimos tornar o transporte mais sustentável, contribuímos para que diferentes segmentos avancem em seus próprios compromissos ambientais, ampliando o impacto positivo ao longo de todo o ecossistema.”
O modelo multimodal da empresa evitou que aproximadamente 306,5 mil toneladas de gases poluentes fossem emitidas por clientes ao longo de 2025, volume equivalente às emissões anuais de cerca de 66 mil automóveis.
Diversificação de estratégias em tecnologia, indústria e agro
Outros setores da economia também aceleram suas agendas sustentáveis:
- Algar (Tecnologia e Telecom): A companhia registrou uma queda de 44,8% em suas emissões totais entre 2021 e 2025. Com foco na entrega de soluções de TI e Telecom sustentáveis, a empresa neutralizou 2.304 $tCO_2e$, enquanto a Algar Holding compensou 42 $tCO_2e$ referentes às operações da controladora, CSC e Instituto Algar, utilizando créditos de projetos validados pela ONU.
- Tintas Verginia (Indústria): Certificada como Empresa B e detentora do selo Aterro Zero, a fabricante combina eficiência energética e melhorias logísticas. Para o biênio 2025-2026, a empresa estruturou o compromisso de mensurar e compensar cerca de 1.095 $tCO_2e$, além de participar de iniciativas de Cashback Ambiental com o plantio de mudas nativas na Mata Atlântica.
- Vinícola Aurora (Vitivinicultura): A cooperativa mensurou 2.454,64 $tCO_2e$ em suas operações diretas e consumo de energia (Escopos 1 e 2) em 2025, dando continuidade ao inventário em 2026 com estimativa de compensação de 2.725 $tCO_2e$. Utilizando créditos da UHE Foz do Chapecó (certificados pela VERRA), a empresa estampa o Selo Carbon Free® diretamente em seus rótulos nas gôndolas de todo o país.
Com o cerco regulatório e as exigências das cadeias globais de suprimento em alta, a mensuração rigorosa e a transparência na comunicação de resultados reafirmam que a sustentabilidade deixou de ser diferencial competitivo para se tornar requisito de perenidade nos negócios.








