A LOTS Group, empresa do Grupo Scania especializada em soluções de logística verde, e a ICC Nutrição Animal, líder global em soluções naturais à base de levedura de cana-de-açúcar para nutrição, saúde, bem-estar e performance animal, iniciaram um projeto de transporte rodoviário utilizando biometano. A iniciativa prevê a movimentação de mais de 12 mil toneladas de levedura durante a safra 2026/2027 entre unidades da ICC no Estado de São Paulo, com o objetivo de reduzir emissões de gases de efeito estufa e fortalecer as estratégias de sustentabilidade das duas empresas.
Segundo as companhias, a operação utiliza caminhões movidos a biometano, combustível renovável capaz de reduzir significativamente as emissões associadas ao transporte rodoviário convencional. Além disso, o projeto busca integrar toda a cadeia logística, desde a origem do combustível até a distribuição da carga.

Projeto utiliza biometano para reduzir emissões no transporte rodoviário
A operação experimental foi estruturada a partir de usinas parceiras da ICC Nutrição Animal localizadas no Estado de São Paulo. O transporte conecta essas unidades às demais operações da empresa utilizando caminhões abastecidos com biometano, substituindo o diesel em parte das viagens realizadas durante a safra.
De acordo com Pedro Silvestrini, VP de Estratégia e Novos Negócios da LOTS Group, iniciativas desse tipo demonstram que a descarbonização do transporte de cargas no agronegócio pode ser implementada por meio da colaboração entre diferentes empresas da cadeia. “Projetos como esse mostram que a descarbonização do transporte de cargas no agronegócio brasileiro é uma realidade viável quando há visão de longo prazo e disposição para inovar. Na LOTS, acreditamos que a logística verde só se concretiza por meio de parcerias estratégicas que integrem toda a cadeia, do combustível renovável à operação no campo. O biometano é uma solução madura, disponível e com enorme potencial para transformar o setor.”
Para Ricardo Manzoli Jr., gerente de Logística e Armazéns da ICC Nutrição Animal, a viabilidade do projeto depende da integração entre os parceiros envolvidos. “A escolha pelo biometano exige uma mudança de mentalidade. Se tentarmos operar esse projeto apenas pela lógica da logística tradicional, ele não sai do papel. O fator crucial para dar certo é a sinergia e o alinhamento estratégico entre as empresas parceiras. É preciso entrar no projeto com a cabeça de fazer acontecer, trabalhando juntos para encaixar os custos e viabilizar a operação dentro do nosso ecossistema.”
O executivo acrescenta que o combustível renovável utilizado na operação é produzido dentro da própria cadeia ligada à matéria-prima utilizada pela empresa. “Em vez de dependermos de fontes tradicionais, aproveitamos um ativo gerado no próprio ecossistema em que operamos. Isso resulta em uma operação logisticamente mais inteligente, integrada e ambientalmente responsável.”
Segundo as estimativas apresentadas pelas empresas, o projeto prevê uma redução de pelo menos 84% nas emissões de gases de efeito estufa (GEE) nas operações participantes da safra 2026/2027. As emissões passariam de 223,58 toneladas de dióxido de carbono equivalente (CO₂e) para 36,02 toneladas de CO₂e, com a substituição de aproximadamente 100 mil litros de diesel por biometano.
Além disso, a expectativa é de uma redução de 99% na emissão de poluentes atmosféricos locais, como óxidos de nitrogênio (NOx), monóxido de carbono (CO), dióxido de enxofre (SO₂) e material particulado. Nesse caso, as emissões deverão cair de 2.226 quilos para 31 quilos ao longo da operação. As empresas informam que o impacto ambiental estimado equivale à capacidade de remoção de carbono de mais de 22,5 mil árvores durante um ano, em uma área equivalente a 11 campos de futebol, com base em estimativas publicadas pela SOS Mata Atlântica.
Segundo Manzoli Jr., a iniciativa também fortalece a estratégia ESG da companhia. “Estamos utilizando um combustível renovável gerado dentro da própria cadeia de onde adquirimos nossa matéria-prima, o que nos permite reduzir drasticamente as emissões de gases de efeito estufa nos trechos operados. É uma estratégia que, além de trazer um ganho ambiental direto, fortalece a sinergia entre os parceiros e o caráter ESG na operação logística da ICC.”










