Automação logística tardia pressiona custos e reduz eficiência em CDs do setor alimentício, avalia Pitney Bowes

A adoção tardia de automação logística em centros de distribuição tem ampliado gargalos operacionais e pressionado os custos no setor alimentício. Em um segmento em que fatores como tempo, temperatura e precisão são determinantes para a operação, especialistas apontam que muitas empresas ainda mantêm processos manuais e baixa integração tecnológica, cenário que dificulta ganhos de produtividade e eleva riscos de desperdício.

Segundo dados da McKinsey & Company, operações com baixo nível de automação podem registrar entre 20% e 30% de ineficiência operacional, considerando falhas na separação de pedidos, retrabalho de processamento e baixa produtividade logística. Paralelamente, dados da Organização das Nações Unidas apontam que o Brasil desperdiça cerca de 27 milhões de toneladas de alimentos por ano, sendo parte dessas perdas concentrada em etapas ligadas ao transporte, manuseio e armazenagem.

Além das perdas operacionais, o setor também enfrenta uma pressão crescente por rastreabilidade e conformidade sanitária. Com exigências regulatórias mais rígidas, empresas precisam ampliar o controle sobre a cadeia logística para reduzir riscos de não conformidade e prejuízos reputacionais.

Nos centros de distribuição, gargalos muitas vezes pouco perceptíveis, como falhas no controle de temperatura, baixa rastreabilidade, ausência de integração de dados e processos manuais, comprometem o fluxo de mercadorias e aumentam o risco de perdas, especialmente no caso de produtos perecíveis. Limitações estruturais relacionadas à armazenagem e ao transporte também continuam entre os principais desafios do segmento.

De acordo com Murilo Namura, Head de Equipamentos da Pitney Bowes, muitas companhias ainda tratam a automação como um investimento secundário. “A automação logística ainda é vista por muitas empresas como um investimento de segunda etapa, quando na prática deveria ser parte central da estratégia operacional desde o início. Esse atraso gera um efeito cascata: estoques mal geridos, picking ineficiente e manual e custos logísticos elevados que corroem a margem do negócio”, afirma.

Outro ponto destacado pelo setor envolve os impactos financeiros gerados por erros operacionais. Dados da Material Handling Industry Association mostram que falhas de picking podem representar até 13% do custo logístico total.

Automação logística e eficiência operacional

O avanço da automação logística é apontado como uma das principais alternativas para aumentar a eficiência operacional no setor alimentício. A adoção de sistemas automatizados pode contribuir para reduzir erros de separação, melhorar a leitura de códigos e etiquetas, além de ampliar a produtividade em operações de abastecimento contínuo.

Segundo o material, projetos de automação podem gerar redução de até 40% no tempo de separação de pedidos e aumento superior a 20% na produtividade operacional. O movimento acompanha a expansão do e-commerce, o aumento da complexidade das cadeias de abastecimento e a pressão por redução de custos logísticos.

“O setor alimentício não pode mais tratar a automação como diferencial, ela já é uma necessidade básica para garantir eficiência, segurança e competitividade. Quem demora a investir paga o preço em desperdício ou até mesmo com ruptura de estoque e perda de mercado. Operar com consistência em operações complexas ou de fluxo contínuo é garantir a capacidade de performance com mais eficiência”, conclui Namura.

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