Automação exige base estrutural precisa para entregar desempenho, afirma diretor da ISMA

A expansão da automação logística no Brasil tem impulsionado investimentos em robótica e sistemas inteligentes. No entanto, segundo Flávio Piccinin, diretor executivo da ISMA, empresa especializada em sistemas de armazenagem intralogística, a estrutura de armazenagem ainda é um ponto crítico subestimado em muitos projetos.

De acordo com Piccinin, o desempenho da automação está diretamente ligado à qualidade da base física do armazém. “Tem muita empresa olhando para software, robótica e velocidade de operação, o que é natural. Mas a pergunta mais importante vem antes: a estrutura está pronta para isso? Em automação, a base física não é detalhe. Se ela não responde com precisão, o sistema inteiro perde performance”, afirma.

Esse tema ganha relevância à medida que operações buscam maior eficiência, densidade e previsibilidade. Além disso, a automação aumenta a sensibilidade da operação a falhas estruturais, já que sistemas automatizados dependem de precisão para funcionar corretamente.

Estrutura de armazenagem na automação logística

Segundo Piccinin, ao contrário da operação manual, em que desvios podem ser compensados pela experiência humana, a automação não permite improvisos. “Na operação manual, muitas vezes o erro é absorvido pela experiência do operador. Na automação, isso muda completamente. A máquina não improvisa, não compensa desvio, não corrige desalinhamento. Quando a estrutura perde referência, o fluxo trava e aquilo que era para ser ganho de produtividade vira gargalo”, explica.

Flávio Piccinin: “Tem muita empresa olhando para software, robótica e velocidade de operação, o que é natural. Mas a pergunta mais importante vem antes: a estrutura está pronta para isso? Em automação, a base física não é detalhe. Se ela não responde com precisão, o sistema inteiro perde performance”

O diretor destaca que esse fator é ainda mais crítico em sistemas como transelevadores, shuttles e sorters. Nesses casos, a estrutura deixa de ser apenas suporte e passa a integrar diretamente o desempenho operacional, podendo inclusive servir de base para os próprios equipamentos.

Além disso, o risco de investimentos não entregarem o resultado esperado aumenta quando a infraestrutura não recebe o mesmo nível de atenção técnica que os sistemas automatizados. “Não faz sentido investir em uma solução sofisticada sem verificar se o piso foi dimensionado corretamente, se a montagem respeita tolerâncias rigorosas ou se a estrutura foi concebida para esse tipo de aplicação. Automação de alta performance não convive bem com improviso técnico”, ressalta.

Em operações automatizadas, qualquer desalinhamento pode comprometer o throughput e afetar a fluidez dos processos. Por isso, etapas como projeto, fabricação, montagem e manutenção preventiva devem ser tratadas de forma integrada.

“Os problemas são inúmeros, mas o impacto mais crítico é a perda de referência dos equipamentos automatizados. Diferente do humano, a máquina não ‘procura’ a carga; se a estrutura estiver fora de esquadro, o sistema entra em estado de erro, travando o fluxo e gerando um gargalo operacional que anula o ganho de produtividade esperado. É fundamental lembrar que uma empilhadeira em manutenção, salvo raras exceções, pode ser rapidamente substituída por outra. Um transelevador, não”, completa.

Segundo o executivo, a tendência é que a evolução da automação amplie a importância da engenharia estrutural nas decisões logísticas. “Automação não perdoa aquilo que o olho humano costumava ignorar. Desempenho não depende só da tecnologia que aparece, mas da engenharia que sustenta tudo o que ela promete”, conclui.

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