O Brasil aparece como um dos destaques globais em intenção de contratação para o segundo trimestre de 2026. De acordo com a Pesquisa de Expectativa de Emprego (MEOS), do ManpowerGroup, o país ocupa a terceira posição no ranking mundial, com taxa de 55%, ficando atrás apenas da Índia (68%) e dos Emirados Árabes (60%). O índice brasileiro supera com folga a média global, que é de 31%.
Segundo o levantamento, 63% das empresas nacionais pretendem contratar novos profissionais entre abril e junho. A Expectativa Líquida de Emprego, indicador que considera a diferença entre empresas que planejam contratar e as que pretendem reduzir equipes, reforça o cenário positivo no país, mesmo em um contexto econômico ainda moderado.
“O fato de o Brasil aparecer entre os três países com maior expectativa de contratação mostra que, mesmo em um cenário econômico ainda moderado, as empresas continuam priorizando a atração de talentos para sustentar crescimento e transformação dos negócios. A demanda está cada vez mais direcionada a profissionais com competências específicas, capazes de acompanhar mudanças tecnológicas e novos modelos de trabalho”, comenta Nilson Pereira, Country Manager do ManpowerGroup Brasil.
Entre os setores econômicos, finanças e seguros lideram a intenção de contratação, com 68% dos empregadores planejando ampliar equipes. Em seguida aparecem o setor de informação, com 67%, e os segmentos de comércio e logística, com 57%, além de hospitalidade, com 56%. Esse movimento indica uma demanda diversificada, impulsionada tanto pela transformação digital quanto pela retomada de atividades presenciais.
No recorte regional, o estado de São Paulo apresenta a maior expectativa de contratação, com 61%, seguido pela cidade de São Paulo (57%). Na sequência aparecem Paraná (52%), Rio de Janeiro (48%) e Minas Gerais (45%), demonstrando concentração das oportunidades nas regiões mais industrializadas e com maior dinamismo econômico.
Outro dado relevante do estudo diz respeito ao porte das empresas. Organizações com 250 a 999 colaboradores registram expectativa de contratação de 65%, enquanto empresas com 1.000 a 4.999 funcionários aparecem logo atrás, com 63%. Isso sugere que médias e grandes companhias seguem liderando o movimento de geração de empregos formais.

Inteligência artificial avança, mas ainda enfrenta desafios nas empresas
A pesquisa também destaca o impacto da inteligência artificial no mercado de trabalho. Segundo o estudo, 86% das organizações relatam desafios relacionados ao uso da tecnologia, principalmente devido a preocupações com privacidade e regulamentação. Além disso, lacunas de habilidades e resistência dos trabalhadores também aparecem como entraves relevantes.
Ao mesmo tempo, a adoção de IA em processos de gestão de talentos ainda é limitada. Apenas 21% dos empregadores afirmam que as soluções atuais atendem às expectativas em áreas como recrutamento, integração e treinamento, enquanto outros 21% dizem não utilizar a tecnologia nessas frentes.
“As empresas estão percebendo que a inteligência artificial exige mudanças na forma de trabalhar e no desenvolvimento de habilidades. Esse processo passa por capacitação, adaptação cultural e definição de regras claras para o uso da tecnologia, o que explica por que muitas organizações ainda estão em fase de testes ou implementação gradual”, afirma Pereira.
O ManpowerGroup, empresa global especializada em soluções de força de trabalho, realiza trimestralmente a pesquisa como indicador econômico. Nesta edição, foram ouvidos 41.764 empregadores, públicos e privados, em 42 países e territórios, permitindo uma visão comparativa das tendências de emprego em escala global.







