A redução no roubo de cargas Brasil em 2025 indica avanço nas ações de segurança, mas mantém o alerta para os impactos financeiros e operacionais no Transporte Rodoviário de Cargas. Levantamento da NTC&Logística aponta que, embora haja queda nas ocorrências, o problema segue relevante para o setor.
De acordo com o estudo, foram registradas 8.570 ocorrências em 2025, o que representa uma redução de 16,7% em relação a 2024. Ainda assim, o prejuízo direto estimado alcança cerca de R$ 900 milhões, podendo ultrapassar R$ 1 bilhão quando considerados efeitos indiretos, como aumento de custos operacionais, seguros e impacto no preço final dos produtos.
A NTC&Logística, entidade que monitora o roubo de cargas no Brasil desde 1998, atua na consolidação de dados e no apoio ao desenvolvimento de políticas públicas voltadas à segurança logística. A associação reúne cerca de 4.000 empresas associadas direta e indiretamente, além de mais de 50 entidades patronais, representando um universo de aproximadamente 10.500 empresas.

Para o presidente da entidade, Eduardo Rebuzzi, os resultados refletem avanços, mas indicam a necessidade de continuidade das ações. “A redução registrada ao longo dos últimos anos demonstra que o trabalho conjunto entre setor produtivo e poder público tem gerado resultados. Ao mesmo tempo, evoluímos em pautas importantes, fruto de um trabalho consistente de articulação e construção técnica.”
Um dos pontos centrais para reduzir o roubo de cargas é o combate à receptação, que sustenta economicamente esse tipo de crime. E vemos, agora, um avanço concreto nesse sentido com a sanção da Lei nº 15.358/2026, que institui o Marco Legal do Combate ao Crime Organizado no Brasil, fortalecendo o enfrentamento das estruturas criminosas e ampliando os mecanismos de punição e investigação. “Essa é uma medida importante para dar mais segurança a quem atua dentro da legalidade. Ainda assim, o cenário segue preocupante e exige atenção permanente, com ações estruturadas e integradas em todo o país”.
Perfil do roubo de cargas no Brasil evolui e exige resposta integrada
Além da redução no volume de ocorrências, o levantamento mostra que o roubo de cargas no Brasil segue concentrado em regiões estratégicas. O Sudeste responde por 86,8% dos casos, com destaque para os estados do Rio de Janeiro e de São Paulo.
Paralelamente, o estudo aponta uma mudança no perfil das ações criminosas. As quadrilhas têm priorizado cargas de alta liquidez, como alimentos, combustíveis, medicamentos e eletrônicos, além de adotar estratégias mais sofisticadas, incluindo interceptações em movimento e abordagens durante entregas em áreas urbanas e corredores logísticos.
Segundo o vice-presidente extraordinário de Segurança da NTC&Logística, Roberto Mira, o cenário exige maior integração entre os agentes envolvidos. “Mesmo com a redução no volume de ocorrências, o crime vem se tornando cada vez mais sofisticado. As organizações criminosas atuam de forma estruturada e com inteligência, o que exige do setor e das autoridades uma resposta igualmente integrada, com uso de tecnologia, informação e cooperação contínua.”
O roubo de cargas impacta diretamente a competitividade do transporte rodoviário, a previsibilidade logística e o chamado custo Brasil. Além disso, desafios estruturais, como a fragmentação de dados e a necessidade de maior integração entre sistemas de segurança pública, seguem como pontos críticos apontados pelo levantamento.
O relatório completo está disponível em:
https://drive.google.com/file/d/15QFgl0zCqKr7dF8RXWUAK3zebYdEt-n7/view








