A publicação do guia Port Call Optimization marca um avanço relevante na padronização dos dados portuários e na melhoria da eficiência da logística marítima global. A iniciativa resulta de uma colaboração inédita entre a International Association of Ports & Harbors (IAPH) e a International Harbour Masters Association (IHMA), organizações reconhecidas pela IMO e que representam, respectivamente, portos e o setor de navegação.
O novo framework busca resolver um problema histórico do setor: a fragmentação e a falta de padronização nas informações de escalas portuárias. Atualmente, operadores que atuam em múltiplos portos lidam com diferentes formatos de dados e, em alguns casos, informações conflitantes entre cartas náuticas, bancos de dados e agentes. Esse cenário, portanto, compromete a previsibilidade e a eficiência das operações.
Nesse contexto, o Port Call Optimization Guide estabelece um modelo padronizado para a troca eletrônica de um conjunto mínimo de dados considerados críticos para a operação. Entre eles, estão a identificação do terminal e berços, o horário previsto de chegada ao ponto de embarque do prático e o horário estimado de saída do berço. A proposta segue a lógica de “começar pelo básico”, priorizando informações essenciais para segurança e coordenação operacional.

Padronização de dados portuários e eficiência operacional
Além disso, o guia está alinhado a padrões internacionais consolidados, como os da IMO, ISO e IHO, o que garante consistência global na definição e no uso dos dados. A troca de informações ocorre por meio de APIs seguras, permitindo integração entre sistemas portuários e operadores logísticos, sem romper estruturas contratuais já existentes.
Outro ponto relevante é que o guia já foi testado na prática. Antes de sua publicação, portos considerados avançados na Europa, África, Ásia e Américas realizaram testes de troca de dados entre si. Um dos exemplos foi a demonstração entre a Autoridade Marítima e Portuária de Singapura e o Porto de Roterdã, apresentada durante o IMO FAL 49, em Londres.
Segundo Patrick Verhoeven, diretor-geral da IAPH, “a publicação do Port Call Optimization representa um passo significativo e conjunto rumo a uma navegação de berço a berço mais segura, eficiente e previsível”. Já o capitão Paul O’Regan, da IHMA, destaca que “o princípio central da troca de informações transparente, precisa e universal entre todas as partes continua sendo o principal objetivo para apoiar uma gestão portuária segura e eficiente”.
Os benefícios esperados incluem maior eficiência nas escalas portuárias, redução de custos operacionais, aumento da segurança e maior previsibilidade nas operações. Além disso, a padronização tende a reduzir tempos de espera e, consequentemente, as emissões associadas, contribuindo para metas ambientais do setor.
Duas submissões apresentadas ao Comitê de Facilitação da IMO (FAL 50) reforçam esse avanço. O documento FAL 50/INF.4 introduz o guia e define o conjunto mínimo de dados, enquanto o FAL 50/17 propõe o desenvolvimento de diretrizes para informações náuticas portuárias, com base em normas já existentes.
Com mais de 8 mil portos e uma frota global superior a 110 mil embarcações comerciais, o desafio de padronizar a troca de informações é significativo. Ainda assim, a iniciativa conjunta entre portos e armadores representa um passo concreto para transformar diretrizes históricas da IMO em práticas operacionais dentro dos portos.
O guia está disponível para download público e pode ser acessado em:
https://iaphworldports.org
Mais informações sobre as submissões à IMO podem ser consultadas em:
https://www.imo.org
A iniciativa também conta com o apoio de diversas organizações do setor marítimo, incluindo BIMCO, ICS, Intertanko e Intercargo, além de entidades como IBTA, Nautical Institute, FONASBA e Banco Mundial, ampliando o alcance e a relevância do projeto no cenário global.








