As ferrovias da Vale atingiram o melhor desempenho em eficiência energética dos últimos dez anos, consolidando avanços relevantes na redução do consumo de diesel e das emissões de CO2. O resultado foi alcançado em 2025 e reflete uma combinação de melhorias operacionais, uso mais eficiente dos recursos e estratégias voltadas à descarbonização.
As operações da Estrada de Ferro Carajás (EFC) e da Estrada de Ferro Vitória a Minas (EFVM), responsáveis por cerca de 14% das emissões da companhia, apresentaram ganhos expressivos. Juntas, as ferrovias reduziram o consumo anual previsto de combustível em 11 milhões de litros de diesel, o que corresponde a aproximadamente 28 mil toneladas de CO2 evitadas. Em termos comparativos, o volume economizado seria suficiente para abastecer cerca de 245 mil carros populares ao longo de um ano.

Foto: Cristiano Oliveira
O avanço na eficiência energética em ferrovias está diretamente relacionado à otimização de processos e ao uso de tecnologia. O indicador considera a relação entre o consumo de combustível, a distância percorrida e o volume transportado, evidenciando ganhos operacionais relevantes. Além disso, o transporte ferroviário já apresenta vantagem ambiental significativa, podendo reduzir emissões em até 85% em comparação ao transporte rodoviário.
Segundo Carlos Medeiros, vice-presidente executivo de operações da Vale, o resultado é fruto de uma estratégia contínua de aprimoramento. “A jornada de descarbonização das nossas ferrovias passa tanto por repensar processos consolidados, quanto por buscar novas alternativas tecnológicas. Contamos com um time altamente dedicado, que vem avançando por meio de melhoria contínua, sistemas de controle sofisticados, projetos seis sigma e ações de reengenharia. Os resultados mostram, na prática, que é possível operar de forma cada vez mais eficiente e sustentável, preservando a performance e garantindo um avanço consistente na nossa agenda de redução de emissões”, afirmou.
Priorização de trens carregados
Entre as medidas adotadas, destaca-se a priorização da circulação de trens carregados. O centro de controle passou a incorporar critérios energéticos na definição de rotas e cruzamentos, evitando paradas desnecessárias, que aumentam o consumo de combustível.
Além disso, o mapeamento de trechos críticos permitiu identificar pontos onde paradas e arrancadas geram maior impacto energético. Com base nessa análise, foram implementadas ações para reduzir esses movimentos, especialmente em áreas mais sensíveis da malha ferroviária.
Outra estratégia relevante envolve o uso do relevo a favor da operação. Em trechos descendentes, passou a ser adotada a condução em marcha lenta, com locomotivas desligadas, permitindo que os trens mantenham a circulação sem consumo de combustível em determinados momentos.
Paralelamente, a companhia também avança na busca por alternativas aos combustíveis fósseis. Estão em andamento testes com biodiesel B30 e B50, além de estudos em parceria com a Wabtec Corporation para o desenvolvimento de motores flex (dualfuel), capazes de operar com diesel e mistura de diesel e etanol.
Além disso, a Vale avalia tecnologias de eletrificação e outros combustíveis alternativos como parte de sua estratégia de longo prazo. Em 2025, a empresa firmou acordo para testar o uso de etanol em locomotivas, ampliando as possibilidades de redução de emissões.
No âmbito da estratégia de descarbonização, a companhia mantém metas para reduzir as emissões de Escopos 1 e 2 em 33% até 2030 e alcançar emissões líquidas zero até 2050. Já em relação ao Escopo 3, que abrange a cadeia de valor, o objetivo é reduzir as emissões líquidas em 15%, combinando inovação tecnológica, parcerias e ganhos contínuos de eficiência operacional.









