Programa Navegue Simples define calendário de ações e avança na desburocratização do setor portuário

O Comitê Técnico Interinstitucional do programa Navegue Simples, coordenado pelo Ministério de Portos e Aeroportos, realizou na última sexta-feira (13 de março) a primeira reunião ordinária de 2026 para definir o calendário de ações e avançar em medidas de desburocratização do setor portuário. Durante o encontro, foram avaliados resultados do programa e estabelecidas metas para a chamada “2ª Onda” de entregas.

A reunião também teve como objetivo discutir iniciativas voltadas à modernização da gestão portuária brasileira, com foco na criação de um ambiente mais seguro para investimentos e na redução do chamado Custo Brasil. Nesse contexto, os participantes analisaram propostas que buscam melhorar a governança do setor portuário e tornar os processos administrativos mais ágeis.

Entre as decisões do encontro, foi criada uma nova estrutura de trabalho voltada à identificação de oportunidades tecnológicas. O Grupo de Trabalho (GT) será responsável por estudar tendências e prospectar novas possibilidades de uso de ativos portuários públicos em aplicações não convencionais. Além disso, o grupo deverá mapear oportunidades relacionadas à transição energética, combustíveis sustentáveis e saneamento, alinhando a infraestrutura portuária brasileira às demandas globais.

Novo Grupo de Trabalho criado no programa Navegue Simples vai focar em oportunidades de inserção de novas tecnologias no setor portuário

Segundo Tetsu Koike, diretor de Políticas Setoriais, Planejamento e Inovação do Ministério de Portos e Aeroportos, o programa busca promover mudanças estruturais na gestão logística do país. “O Navegue Simples não é apenas um esforço de gestão, é uma virada de chave na mentalidade logística do país. Debater os rumos do programa e ouvir o setor é fundamental para que as soluções não fiquem restritas a atos normativos”, afirmou.

Outro ponto apresentado durante a reunião foi o painel de ações que está em desenvolvimento para acompanhar as atividades do programa. A ferramenta permitirá monitoramento online das iniciativas conduzidas pelos seis Grupos de Trabalho que compõem o Navegue Simples. No ambiente digital, também será possível integrar informações com sistemas de outros órgãos públicos, como a Secretaria de Patrimônio da União (SPU), a Secretaria Nacional de Portos (SNP) e o Ibama.

A proposta é ampliar a transparência das ações e facilitar a interlocução entre as instituições envolvidas. Dessa forma, espera-se melhorar a coordenação entre áreas responsáveis pelo planejamento portuário, gestão patrimonial e licenciamento ambiental.

Nova portaria interministerial

Em paralelo às ações do programa, o governo federal trabalha na elaboração de uma nova portaria interministerial que deverá substituir as regras atuais de cessão de águas públicas, estabelecidas pela Portaria SPU 7.145/2018. A iniciativa busca ampliar a segurança jurídica para instalações portuárias localizadas fora da área do porto organizado.

Além disso, está em andamento um esforço para reduzir o tempo necessário para o reequilíbrio econômico-financeiro de contratos de arrendamento portuário, processo que atualmente pode levar cerca de dois anos. Entre as medidas previstas está a publicação, ainda neste ano, de um novo Manual de EVTEA (Estudos de Viabilidade Técnica, Econômica e Ambiental).

De acordo com Renildo Barros, Superintendente de Outorgas da Antaq, a iniciativa pretende tornar os processos de investimento mais eficientes. “o objetivo é conferir maior autonomia, celeridade e eficiência aos investimentos portuários. O EVTEA representa uma etapa complexa no processo decisório e, somado ao acompanhamento dos investimentos, acaba demandando importante tempo e recursos tanto do setor privado quanto do poder público. A proposta é tornar esse processo mais ágil, estimulando novos investimentos e reduzindo entraves burocráticos.”

A reunião também abordou temas relacionados à sustentabilidade no setor portuário. Entre os pontos discutidos esteve a adaptação das instruções normativas do Ibama às alterações introduzidas pela Lei Geral de Licenciamento Ambiental (15.190/2025). Paralelamente, está em andamento uma consulta pública para aprimorar a Política Nacional de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação Portuária.

De acordo com Koike, a integração entre órgãos públicos e setor privado tem contribuído para aprimorar a coordenação institucional. “Essa sinergia tem contribuído para tornar os processos mais previsíveis e eficientes, inclusive em temas ambientais, ao aproximar as áreas responsáveis pelo planejamento portuário, gestão patrimonial e licenciamento ambiental”, afirmou. “Como resultado, avançam iniciativas voltadas à compatibilização de procedimentos, à redução de sobreposições regulatórias e ao desenvolvimento de soluções que conciliem expansão da infraestrutura portuária com sustentabilidade e proteção ambiental”, conclui.

O programa Navegue Simples também apresentou o calendário de atividades previstas para 2026. Nos dias 5 e 6 de maio, será realizada a Caravana da Inovação no Porto de Paranaguá (PR). Além disso, os portos de Maceió (AL), Rio Grande (RS) e Navegantes (SC) receberão eventos semelhantes nos meses de julho e setembro.

Já no Rio de Janeiro, está programado para junho o evento Inova Portos, enquanto o lançamento oficial da 2ª Onda do programa Navegue Simples está previsto para 30 de setembro. Essas iniciativas fazem parte da estratégia de ampliar o debate sobre inovação, governança e modernização do setor portuário brasileiro.

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