Em um cenário em que a logística deixou de ser apenas execução para se tornar um centro estratégico de decisões, a colunista do Portal Logweb Viviane Pimenta propõe uma reflexão sobre como o conceito de produtividade vem sendo redefinido. Ao analisar a transição de modelos baseados em esforço e reação para uma lógica sustentada por dados, previsibilidade e inteligência artificial, o artigo convida o leitor a repensar o que, de fato, significa alta performance nas operações logísticas atuais.
Durante décadas, produtividade na logística foi confundida com velocidade e volume. “Fazer mais com menos” virou mantra — muitas vezes sustentado por esforço, urgência e times apagando incêndio. Só que esse modelo tem limite. Em 2026, alta performance está migrando para outro lugar: previsibilidade, consistência e decisão orientada por dados.
Esse movimento não é teórico. Ele acontece porque a logística ficou mais complexa: mais canais, mais variabilidade de demanda, mais exigência de SLA, mais pressão por custo e mais risco sistêmico. Quando o cenário muda toda semana, o “jeito que sempre funcionou” deixa de ser vantagem e vira vulnerabilidade.
É aqui que entram dados e IA, não como moda, mas como infraestrutura de gestão.

Produtividade 1.0, 2.0, 3.0: a mudança silenciosa
Podemos pensar em três estágios:
– Produtividade 1.0: esforço e controle manual. Indicadores atrasados, decisão reativa, dependência de experiência individual.
– Produtividade 2.0: digitalização e padronização. Sistemas registram, relatórios aparecem, processos ficam mais claros.
– Produtividade 3.0 (agora): dados + IA para prever, priorizar e recomendar. O foco sai do “relatório” e vai para decisão.
A diferença é que a IA não serve apenas para automatizar tarefas repetitivas. Ela serve para enxergar padrão onde há ruído: atrasos recorrentes por tipo de rota, ruptura ligada a variabilidade de lead time, devoluções ligadas a promessas comerciais, custos que “somem” em pequenas ineficiências diárias.
O que a IA muda na operação logística (na prática)
Quando bem aplicada, IA ajuda a:
– Antecipar gargalos: prever picos de demanda e capacidade antes de estourar SLA.
– Detectar anomalias: identificar desvios de custo, atraso ou produtividade antes de virarem crise.
– Recomendar ações: sugerir replanejamento, mudança de prioridade, ajustes de estoque e alocação de recursos.
– Simular cenários: responder perguntas do tipo “se eu mudar a janela de entrega, o que acontece com custo e OTIF?”
– Conectar causa e efeito: ligar decisões comerciais a impactos operacionais e vice-versa.
Isso redefine alta performance: não é a equipe que “corre mais”. É a organização que erra menos, aprende mais rápido e corrige antes do problema escalar.
O novo profissional de alta performance: dados como competência, não como departamento
Aqui está a ponte com especialização (B2C) e com performance (B2B). Em ambientes de Produtividade 3.0, o profissional valorizado é quem:
– Lê KPIs como linguagem de decisão (e não como burocracia)
– Entende trade-offs com clareza (custo, nível de serviço, risco)
– Opera com disciplina de melhoria contínua
– Usa tecnologia para ampliar julgamento, não para terceirizar responsabilidade
O erro mais comum é achar que “time de dados” resolve. Dados não são um setor. São uma competência distribuída. A empresa que escala performance é aquela que cria fluência: gestores e analistas capazes de transformar números em ação.
A pergunta que separa operação boa de operação excelente
Uma operação boa responde rápido. Uma operação excelente antecipa.
Então a pergunta de liderança muda para:
– Qual decisão estamos tomando hoje que poderíamos ter previsto ontem?
– Qual variabilidade estamos aceitando como normal porque não conseguimos medir direito?
– Quais indicadores realmente movem o resultado — e quais só decoram apresentação?
Quando isso vira cultura, produtividade não depende de pessoas extraordinárias. Depende de um sistema inteligente que forma pessoas competentes e toma decisões melhores.
Conclusão: produtividade virou clareza
A nova produtividade na logística é menos sobre esforço e mais sobre clareza:
– Clareza do que medir
– Clareza do que priorizar
– Clareza do que corrigir antes do custo aparecer
IA e dados não são o “futuro”. São o mecanismo atual para transformar performance em consistência — e consistência em vantagem competitiva.










