IVECO Capital amplia acesso ao crédito do BNDES para renovação de frota no Brasil

O lançamento do Programa de Renovação de Frota do BNDES representa um novo avanço para a modernização do transporte rodoviário de cargas no Brasil. Com aporte total de R$ 10 bilhões, a iniciativa tem como objetivo estimular a substituição de veículos antigos por caminhões mais modernos, promovendo ganhos em eficiência logística, segurança viária e redução das emissões de CO₂. Nesse cenário, a IVECO Capital, braço financeiro do Iveco Group, assume papel estratégico ao estruturar e viabilizar o acesso dos transportadores às condições previstas pelo programa.

A linha de financiamento permite a aquisição de veículos novos e seminovos, com financiamento de até 100% do valor do bem. Além disso, os prazos podem chegar a 60 meses, com carência de três meses. As taxas de juros são de 0,99% ao mês para pessoas físicas e 1,05% ao mês para pessoas jurídicas, exclusivamente para a compra de veículos IVECO novos. No entanto, as operações devem atender a critérios rigorosos de regularidade fiscal, ambiental e de conteúdo nacional, bem como aos limites de emissão definidos pelo PROCONVE.

IVECO Capital amplia acesso ao crédito do BNDES para renovação de frota no Brasil

Segundo Frans Alpaert, diretor de Serviços Financeiros do Iveco Group na América Latina, a atuação do agente financeiro é fundamental para conectar a política pública ao cliente final. “A IVECO Capital atua como parceira dos clientes IVECO na estruturação das operações, traduzindo as regras do programa em soluções financeiras acessíveis e competitivas, com o objetivo de facilitar o acesso ao crédito e apoiar a renovação da frota de forma sustentável e eficiente”, afirma.

Renovação de frota com foco em veículos leves, médios e pesados

Entre os destaques do programa está a elegibilidade de caminhões das linhas Daily, Tector e S-Way, que ocupam posições relevantes no mercado brasileiro. No segmento de leves, os modelos Daily Hi-Matic 35-180, Daily 35-160 e Daily Furgão 30-160 são os únicos a atender integralmente aos critérios da nova linha de renovação de frota, ampliando o acesso ao crédito para operações de distribuição urbana e logística de curta e média distância.

A atuação da IVECO Capital, operada pelo Banco CNH, envolve a gestão completa do processo de financiamento. Isso inclui a orientação sobre elegibilidade, o enquadramento das operações, a formalização dos contratos e a liberação dos recursos. Para isso, a empresa conta com uma esteira dedicada e processos simplificados, o que contribui para reduzir prazos e apoiar a tomada de decisão dos transportadores interessados em investir na modernização da frota. A liberação dos recursos, contudo, está condicionada à análise de crédito do Banco e à dotação orçamentária do programa.

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A combinação de juros elevados e restrição ao crédito tem levado o setor de transporte rodoviário a buscar novas estratégias de geração de receita. Diante da queda nas vendas de caminhões, empresas da cadeia logística passaram a acelerar a adoção de modelos baseados em serviços e receita recorrente no transporte, com foco em maior previsibilidade financeira. De acordo com dados da Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave), as vendas de caminhões recuaram 34,6% em janeiro deste ano em relação a dezembro de 2025. Além disso, na comparação com janeiro do ano anterior, a retração foi de 30,14%. Esse cenário reforça a necessidade de diversificação das fontes de receita em um ambiente mais volátil. Nesse contexto, a mudança de modelo reflete uma tentativa de reduzir a dependência de vendas pontuais de ativos. Ao mesmo tempo, empresas passam a incorporar soluções tecnológicas embarcadas nas frotas não apenas para ganho operacional, mas também como nova fonte de faturamento para concessionárias, revendedores e companhias de software. Receita recorrente no transporte avança com uso de tecnologia logística Segundo Rony Neri, diretor-executivo LATAM da Platform Science, multinacional americana especializada em soluções de segurança e tecnologia para o setor de transporte, a lógica do mercado está em transformação. “A lógica do setor está mudando. Antes, a receita estava concentrada na venda do ativo. Agora, com o uso de tecnologia, é possível construir uma base recorrente de faturamento, mais previsível e menos exposta às oscilações do mercado”, afirma. A empresa atua no desenvolvimento de plataformas tecnológicas para gestão de frotas e segurança operacional, permitindo a integração de dados e serviços no ambiente logístico. Dessa forma, soluções como telemetria, videomonitoramento e plataformas digitais passam a viabilizar modelos de assinatura, ampliando o ticket médio e a retenção de clientes. “A tecnologia passa a funcionar como uma camada de inteligência que fortalece o negócio principal e cria novas oportunidades de receita ao longo do tempo”, reforça Neri. Além disso, o movimento também alcança o agronegócio, onde a digitalização da logística tem impacto direto nos custos operacionais. Com o uso de dados e monitoramento em tempo real, produtores e operadores conseguem reduzir desperdícios, evitar falhas mecânicas e aumentar a eficiência no transporte da safra. “Esses ganhos operacionais têm impacto direto na rentabilidade, especialmente em um cenário em que o custo logístico é um dos principais fatores de pressão para o produtor rural”, detalha o executivo. Para empresas de software, a incorporação de dados operacionais das frotas abre espaço para expansão de portfólio sem necessidade de novos investimentos em hardware. Assim, aumenta-se o valor agregado das plataformas e amplia-se a oferta de serviços. Por fim, o modelo de receita recorrente no transporte tende a apresentar maior estabilidade em comparação à comercialização de produtos físicos. A venda de serviços contínuos, baseada em assinaturas, contribui para reduzir a sazonalidade típica do setor e cria uma base mais previsível de faturamento ao longo do tempo. “A recorrência permite que empresas atravessem períodos de baixa venda de ativos sem perda significativa de receita. É uma mudança estrutural na forma como o setor captura valor”, finaliza Neri.
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