A Confederação Nacional de Transportes (CNT) divulgou, no dia 22 de dezembro último, a nova edição do Índice de Confiança do Transportador (ICT), levantamento que acompanha a percepção dos empresários do Transporte Rodoviário de Cargas (TRC) sobre o ambiente econômico e as condições de seus negócios. A pesquisa serve de base para análises técnicas, ações institucionais e decisões estratégicas no setor.
De acordo com os dados, ao final do 2º semestre de 2025, o índice geral de confiança do transportador no Estado de São Paulo caiu de 45,9% para 45,3%, representando uma retração de 0,6 ponto percentual. Trata-se do menor patamar desde o início da sondagem, em 2023, evidenciando a deterioração da percepção dos empresários em relação à economia e à própria atividade empresarial.

Quando analisadas as condições atuais da economia e dos negócios, o cenário se mostra ainda mais desafiador. Esse subíndice recuou para 34,3%, queda de 2,9 pontos percentuais em comparação com o 1º semestre de 2025 e de expressivos 12,0 pontos percentuais em relação ao mesmo período de 2024. Segundo a CNT, o resultado reflete um ambiente mais restritivo para investimentos e operações no transporte rodoviário de cargas.
Para o presidente da Federação das Empresas de Transporte de Cargas do Estado de São Paulo (FETCESP), Carlos Panzan, os números traduzem as dificuldades enfrentadas pelo setor. “O transportador sente no dia a dia os efeitos de um cenário econômico mais restritivo. Custos elevados, dificuldade de planejamento e incertezas regulatórias acabam impactando diretamente a confiança dos empresários, especialmente quando falamos de um setor que depende de previsibilidade para investir e operar”, avalia.
Por outro lado, o índice de expectativas para a economia brasileira e para a atividade das empresas nos próximos seis meses apresentou leve melhora, alcançando 50,8%, alta de 0,6 ponto percentual frente ao 1º semestre de 2025. Ainda assim, na comparação com o 2º semestre de 2024, houve recuo de 2,7 pontos percentuais, indicando cautela quanto ao ritmo de recuperação.
Entre os principais fatores citados pelos empresários paulistas para a baixa confiança do transportador estão a manutenção da taxa Selic em níveis elevados, a escassez de mão de obra qualificada, a desaceleração da atividade industrial — que aumenta a ociosidade da frota —, além da fiscalização insuficiente das normas do setor. Também pesam a percepção de uma política fiscal expansionista, a insegurança jurídica, as incertezas relacionadas à reforma tributária e fatores sazonais, como anos eleitorais, grandes eventos esportivos e o excesso de feriados.
Apesar do ambiente doméstico adverso, o levantamento mostra que os transportadores mantêm expectativas futuras apoiadas em ganhos de eficiência interna e em estratégias de adaptação. Entre elas, destacam-se o uso de tecnologias, a requalificação das equipes e a diversificação da carteira de clientes.
Fonte: FETCESP









