Galpões logísticos em regiões emergentes: onde investidores estão apostando no futuro

Por Fernando Guimarães*

O mercado brasileiro de galpões logísticos vive um dos momentos mais promissores da sua história. A combinação entre a expansão do e-commerce, a força do agronegócio e a modernização da infraestrutura portuária tem impulsionado a demanda por ativos de qualidade em regiões estratégicas do país. Entre elas, Garuva/Itapoá (SC) e Brasília despontam como novos polos logísticos de alto valor.

De acordo com levantamento da Binswanger, a absorção líquida de galpões logísticos no Brasil atingiu 1,8 milhão de m² no primeiro semestre de 2024, com taxa de vacância de apenas 8,5% — a menor da série histórica. Esse cenário evidencia a forte pressão por espaço em corredores logísticos ligados ao agronegócio e ao comércio eletrônico.

Galpões logísticos em regiões emergentes: onde investidores estão apostando no futuro

A região de Garuva e Itapoá, no norte de Santa Catarina, tem se consolidado como um dos principais hubs logísticos do país. O Porto de Itapoá, um dos mais eficientes da América Latina, movimentou mais de 1,3 milhão de TEUs em 2023, segundo a autoridade portuária. Essa expansão tem atraído indústrias, operadores logísticos e fundos imobiliários interessados em ativos na região.

A FLG Realty já entregou mais de 230.000 m² em galpões logísticos na região, com investimentos que somam aproximadamente R$ 590 milhões. Nos próximos três anos, a expectativa é ampliar esse portfólio em mais 265.000 m², representando um aporte adicional de R$ 615 milhões. Essa combinação de proximidade portuária, infraestrutura rodoviária e disponibilidade de terrenos coloca Garuva/Itapoá no mesmo patamar de regiões como Campinas (SP) e Cajamar (SP), tradicionais referências do setor.

Outro eixo que merece destaque é a região do Distrito Federal e entorno, que se fortalece como plataforma logística voltada ao agronegócio. O Centro-Oeste brasileiro responde por mais de 45% da produção nacional de grãos, segundo a Conab, e a demanda por galpões para armazenagem e distribuição cresceu significativamente.

Os fundos de investimento e grandes grupos empresariais têm voltado os olhos para Brasília justamente por sua posição estratégica: está no centro do país, próximo às principais fronteiras agrícolas e com acesso facilitado a diferentes regiões. A FLG Realty tem olhado de forma estratégica para esse mercado, avaliando ativos e novas oportunidades de desenvolvimento imobiliário, sempre com foco em criar hubs que atendam tanto ao agronegócio quanto às demandas crescentes de comércio eletrônico.

O crescimento do setor de galpões logísticos também está atrelado a um movimento estrutural: a sucessão e profissionalização da gestão patrimonial em grandes grupos familiares. Nos próximos 10 a 15 anos, estima-se que centenas de bilhões de reais em ativos serão transferidos para novas gerações. Nesse processo, a criação de estruturas de governança e a gestão inteligente dos imóveis tornam-se determinantes para preservar e multiplicar o patrimônio.

É nesse contexto que a atuação de um especialista em real estate se torna estratégica: analisar o portfólio existente, promover desinvestimentos em ativos de baixa performance, realocar recursos em empreendimentos de maior rentabilidade e estruturar novos projetos alinhados às tendências globais.

Com a perspectiva de crescimento do comércio eletrônico, a consolidação do Brasil como potência agrícola e os investimentos em infraestrutura, o mercado de galpões logísticos tende a seguir em expansão. Regiões como Garuva/Itapoá e Brasília estão apenas no início desse ciclo virtuoso, que deve atrair cada vez mais investidores institucionais e family offices. O futuro do real estate passa por unir inteligência urbana, visão global e estratégia de longo prazo. E os galpões logísticos são, sem dúvida, um dos ativos mais promissores dessa jornada.

* Fernando Guimarães é Head de Real Estate e fundador da FLG Realty

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A combinação de juros elevados e restrição ao crédito tem levado o setor de transporte rodoviário a buscar novas estratégias de geração de receita. Diante da queda nas vendas de caminhões, empresas da cadeia logística passaram a acelerar a adoção de modelos baseados em serviços e receita recorrente no transporte, com foco em maior previsibilidade financeira. De acordo com dados da Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave), as vendas de caminhões recuaram 34,6% em janeiro deste ano em relação a dezembro de 2025. Além disso, na comparação com janeiro do ano anterior, a retração foi de 30,14%. Esse cenário reforça a necessidade de diversificação das fontes de receita em um ambiente mais volátil. Nesse contexto, a mudança de modelo reflete uma tentativa de reduzir a dependência de vendas pontuais de ativos. Ao mesmo tempo, empresas passam a incorporar soluções tecnológicas embarcadas nas frotas não apenas para ganho operacional, mas também como nova fonte de faturamento para concessionárias, revendedores e companhias de software. Receita recorrente no transporte avança com uso de tecnologia logística Segundo Rony Neri, diretor-executivo LATAM da Platform Science, multinacional americana especializada em soluções de segurança e tecnologia para o setor de transporte, a lógica do mercado está em transformação. “A lógica do setor está mudando. Antes, a receita estava concentrada na venda do ativo. Agora, com o uso de tecnologia, é possível construir uma base recorrente de faturamento, mais previsível e menos exposta às oscilações do mercado”, afirma. A empresa atua no desenvolvimento de plataformas tecnológicas para gestão de frotas e segurança operacional, permitindo a integração de dados e serviços no ambiente logístico. Dessa forma, soluções como telemetria, videomonitoramento e plataformas digitais passam a viabilizar modelos de assinatura, ampliando o ticket médio e a retenção de clientes. “A tecnologia passa a funcionar como uma camada de inteligência que fortalece o negócio principal e cria novas oportunidades de receita ao longo do tempo”, reforça Neri. Além disso, o movimento também alcança o agronegócio, onde a digitalização da logística tem impacto direto nos custos operacionais. Com o uso de dados e monitoramento em tempo real, produtores e operadores conseguem reduzir desperdícios, evitar falhas mecânicas e aumentar a eficiência no transporte da safra. “Esses ganhos operacionais têm impacto direto na rentabilidade, especialmente em um cenário em que o custo logístico é um dos principais fatores de pressão para o produtor rural”, detalha o executivo. Para empresas de software, a incorporação de dados operacionais das frotas abre espaço para expansão de portfólio sem necessidade de novos investimentos em hardware. Assim, aumenta-se o valor agregado das plataformas e amplia-se a oferta de serviços. Por fim, o modelo de receita recorrente no transporte tende a apresentar maior estabilidade em comparação à comercialização de produtos físicos. A venda de serviços contínuos, baseada em assinaturas, contribui para reduzir a sazonalidade típica do setor e cria uma base mais previsível de faturamento ao longo do tempo. “A recorrência permite que empresas atravessem períodos de baixa venda de ativos sem perda significativa de receita. É uma mudança estrutural na forma como o setor captura valor”, finaliza Neri.
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