Com investimentos de mais de R$ 20 bilhões, Porto de Santos quer estar entre os 20 maiores do mundo

19/06/2024

Ser um dos vinte maiores portos do mundo em capacidade instalada. Este foi um dos destaques da fala do presidente da Autoridade Portuária de Santos, Anderson Pomini, no evento Plano de Investimentos do Porto de Santos, realizado pela Anetrams (Associação Nacional das Empresas de Engenharia Consultiva de Infraestrutura de Transportes), na manhã desta segunda-feira, em São Paulo.

Na ocasião, Pomini detalhou o plano que prevê mais de R$ 20 bilhões em ações de melhorias no Porto nos próximos cinco anos. “O Porto de Santos concorre com qualquer outro porto do mundo em termos de tecnologia. A nossa responsabilidade é garantir uma boa estrutura para a iniciativa privada comandar com êxito as operações. Hoje, o Porto é o 39º do mundo em capacidade e, com os investimentos, pode chegar a ser um dos 20 maiores”, avaliou Pomini. “Nove dos dez maiores portos, hoje, estão na China”, completou.

Carbono zero e hidrogênio verde

Acompanhando as tendências e responsabilidades globais, o Porto de Santos pretende atingir o objetivo de ser uma instalação carbono zero até 2030. Nesta manhã, Pomini detalhou o plano para uma Parceria Público Privada (PPP) da usina de Itatinga, hidrelétrica que pertence ao próprio Porto de Santos.

A PPP possibilitará a diversificação da matriz energética – com produção de hidrogênio verde – e terá investimento de cerca de R$ 500 milhões no projeto que se encontra em fase de contratação de consultoria, com estudos de modelagem que devem ser entregues até janeiro de 2025.

Prazos e investimentos

Para melhorar a circulação e acesso de navios, a calha do canal do Porto passará por alargamento e aprofundamento, passando de 15 para 16 metros através de contratação de empresa privada. Para a primeira etapa do projeto, o IBAMA já expediu a licença para a obra de derrocagem, e o BNDES está formatando a concessão do canal, considerada a principal obra da logística do porto, com montantes que atingirão R$ 6.5 bilhões em 20 anos.

Também conectada a operação do canal está a implantação do Sistema de Monitoramento e Tráfego de Navios (VTMIS). A tecnologia que passará a ser implantada a partir de 2025, auxiliará na capacidade de movimentação e manobrabilidade de navios, com a utilização de drones submarinos, que também auxiliam na inspeção de cascos de navios, colaborando com autoridades no combate ao tráfico de drogas.

Uma das mudanças mais significativas será a transferência do terminal de passageiros Concais para o Valongo, ampliando a capacidade e conforto no atendimento de passageiros e recebimento de navios de turismo. A primeira fase do Parque Valongo está com entrega prevista para o dia 5 de julho deste ano, e o evento contará com a presença do Ministro de Portos e Aeroportos, Silvio Costa Filho.

“O investimento do Porto de Santos é um evento histórico, com impacto relevante na economia e com a preocupação de ser sustentável. O Plano e os gestores têm total capacidade para realizar as ações com êxito,” declarou Luciana Dutra, presidente da Anetrams.

A construção do túnel submerso Santos-Guarujá, com orçamento de R$ 5,13 bilhões, tem o início da concessão para a construção prevista para o primeiro semestre de 2025. Esta concessão, que terá duração de 70 anos (35 com a possibilidade de renovação por mais 35), deverá impactar positivamente cerca de 2 milhões de pessoas na região.

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A combinação de juros elevados e restrição ao crédito tem levado o setor de transporte rodoviário a buscar novas estratégias de geração de receita. Diante da queda nas vendas de caminhões, empresas da cadeia logística passaram a acelerar a adoção de modelos baseados em serviços e receita recorrente no transporte, com foco em maior previsibilidade financeira. De acordo com dados da Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave), as vendas de caminhões recuaram 34,6% em janeiro deste ano em relação a dezembro de 2025. Além disso, na comparação com janeiro do ano anterior, a retração foi de 30,14%. Esse cenário reforça a necessidade de diversificação das fontes de receita em um ambiente mais volátil. Nesse contexto, a mudança de modelo reflete uma tentativa de reduzir a dependência de vendas pontuais de ativos. Ao mesmo tempo, empresas passam a incorporar soluções tecnológicas embarcadas nas frotas não apenas para ganho operacional, mas também como nova fonte de faturamento para concessionárias, revendedores e companhias de software. Receita recorrente no transporte avança com uso de tecnologia logística Segundo Rony Neri, diretor-executivo LATAM da Platform Science, multinacional americana especializada em soluções de segurança e tecnologia para o setor de transporte, a lógica do mercado está em transformação. “A lógica do setor está mudando. Antes, a receita estava concentrada na venda do ativo. Agora, com o uso de tecnologia, é possível construir uma base recorrente de faturamento, mais previsível e menos exposta às oscilações do mercado”, afirma. A empresa atua no desenvolvimento de plataformas tecnológicas para gestão de frotas e segurança operacional, permitindo a integração de dados e serviços no ambiente logístico. Dessa forma, soluções como telemetria, videomonitoramento e plataformas digitais passam a viabilizar modelos de assinatura, ampliando o ticket médio e a retenção de clientes. “A tecnologia passa a funcionar como uma camada de inteligência que fortalece o negócio principal e cria novas oportunidades de receita ao longo do tempo”, reforça Neri. Além disso, o movimento também alcança o agronegócio, onde a digitalização da logística tem impacto direto nos custos operacionais. Com o uso de dados e monitoramento em tempo real, produtores e operadores conseguem reduzir desperdícios, evitar falhas mecânicas e aumentar a eficiência no transporte da safra. “Esses ganhos operacionais têm impacto direto na rentabilidade, especialmente em um cenário em que o custo logístico é um dos principais fatores de pressão para o produtor rural”, detalha o executivo. Para empresas de software, a incorporação de dados operacionais das frotas abre espaço para expansão de portfólio sem necessidade de novos investimentos em hardware. Assim, aumenta-se o valor agregado das plataformas e amplia-se a oferta de serviços. Por fim, o modelo de receita recorrente no transporte tende a apresentar maior estabilidade em comparação à comercialização de produtos físicos. A venda de serviços contínuos, baseada em assinaturas, contribui para reduzir a sazonalidade típica do setor e cria uma base mais previsível de faturamento ao longo do tempo. “A recorrência permite que empresas atravessem períodos de baixa venda de ativos sem perda significativa de receita. É uma mudança estrutural na forma como o setor captura valor”, finaliza Neri.
Queda nas vendas de caminhões impulsiona receita recorrente no transporte, sinaliza Platform Science

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