Ministro anuncia área para caminhões na perimetral da margem direita do Porto de Santos

24/11/2023

O ministro de Portos e Aeroportos, Silvio Costa Filho, anunciou nesta quinta-feira (23) duas novas áreas para estacionamento de caminhões no Porto de Santos, com capacidade para 260 vagas. A medida representa o primeiro passo para enfrentar e resolver um problema de mais de uma década, questão que foi levada pelos caminhoneiros ao ministro na sua última visita à região, em outubro. 

 As duas áreas ficam na Avenida Governador Mário Covas Junior. A primeira, onde o ministro atendeu à Imprensa, conta com com aproximadamente 26,3 mil m² e capacidade para 180 vagas. A segunda área fica ao lado do pátio da antiga Lloyd Bratti, com aproximadamente 8,4 mil m² e 80 vagas. 

Tendo um déficit estimado em torno de mil vagas, mas considerando que nem todos os caminhões estacionam ao mesmo tempo, os técnicos da Autoridade Portuária de Santos (APS) estimam que 600 vagas seriam suficientes. Assim, as 260 novas vagas liberadas atendem quase a metade da demanda. 

Silvio Costa Filho estava acompanhado das lideranças sindicais de caminhoneiros da região; do presidente da Autoridade Portuária de Santos (APS), Anderson Pomini, e do prefeito de Santos, Rogério Santos. 

O presidente da Autoridade Portuária de Santos (APS), Anderson Pomini, informou que avalia a utilização de uma área nas imediações do Viaduto Mário Covas, trevo da Rodovia dos Imigrantes à interligação com a Rodovia Anchieta na Baixada Santista, em Cubatão, para resolver em definitivo o problema da falta de vagas para caminhões. 

Enquanto se prepara a modelagem da PPP (Parceria Público Privada) para a criação desse pátio definitivo, outras soluções provisórias estão sendo estudadas para atender os caminhoneiros. Há ainda tratativas para utilizar o Pátio de Sucatas da Autoridade Portuária de Santos, área com aproximadamente 8 mil m² (60 vagas). Mas a questão ainda tramita internamente. 

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A combinação de juros elevados e restrição ao crédito tem levado o setor de transporte rodoviário a buscar novas estratégias de geração de receita. Diante da queda nas vendas de caminhões, empresas da cadeia logística passaram a acelerar a adoção de modelos baseados em serviços e receita recorrente no transporte, com foco em maior previsibilidade financeira. De acordo com dados da Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave), as vendas de caminhões recuaram 34,6% em janeiro deste ano em relação a dezembro de 2025. Além disso, na comparação com janeiro do ano anterior, a retração foi de 30,14%. Esse cenário reforça a necessidade de diversificação das fontes de receita em um ambiente mais volátil. Nesse contexto, a mudança de modelo reflete uma tentativa de reduzir a dependência de vendas pontuais de ativos. Ao mesmo tempo, empresas passam a incorporar soluções tecnológicas embarcadas nas frotas não apenas para ganho operacional, mas também como nova fonte de faturamento para concessionárias, revendedores e companhias de software. Receita recorrente no transporte avança com uso de tecnologia logística Segundo Rony Neri, diretor-executivo LATAM da Platform Science, multinacional americana especializada em soluções de segurança e tecnologia para o setor de transporte, a lógica do mercado está em transformação. “A lógica do setor está mudando. Antes, a receita estava concentrada na venda do ativo. Agora, com o uso de tecnologia, é possível construir uma base recorrente de faturamento, mais previsível e menos exposta às oscilações do mercado”, afirma. A empresa atua no desenvolvimento de plataformas tecnológicas para gestão de frotas e segurança operacional, permitindo a integração de dados e serviços no ambiente logístico. Dessa forma, soluções como telemetria, videomonitoramento e plataformas digitais passam a viabilizar modelos de assinatura, ampliando o ticket médio e a retenção de clientes. “A tecnologia passa a funcionar como uma camada de inteligência que fortalece o negócio principal e cria novas oportunidades de receita ao longo do tempo”, reforça Neri. Além disso, o movimento também alcança o agronegócio, onde a digitalização da logística tem impacto direto nos custos operacionais. Com o uso de dados e monitoramento em tempo real, produtores e operadores conseguem reduzir desperdícios, evitar falhas mecânicas e aumentar a eficiência no transporte da safra. “Esses ganhos operacionais têm impacto direto na rentabilidade, especialmente em um cenário em que o custo logístico é um dos principais fatores de pressão para o produtor rural”, detalha o executivo. Para empresas de software, a incorporação de dados operacionais das frotas abre espaço para expansão de portfólio sem necessidade de novos investimentos em hardware. Assim, aumenta-se o valor agregado das plataformas e amplia-se a oferta de serviços. Por fim, o modelo de receita recorrente no transporte tende a apresentar maior estabilidade em comparação à comercialização de produtos físicos. A venda de serviços contínuos, baseada em assinaturas, contribui para reduzir a sazonalidade típica do setor e cria uma base mais previsível de faturamento ao longo do tempo. “A recorrência permite que empresas atravessem períodos de baixa venda de ativos sem perda significativa de receita. É uma mudança estrutural na forma como o setor captura valor”, finaliza Neri.
Queda nas vendas de caminhões impulsiona receita recorrente no transporte, sinaliza Platform Science

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