Ataques cibernéticos crescem no Brasil e empresas precisam de cuidados

28/02/2023

Entidade do setor de transporte desenvolve webinar com foco na proteção de dados para auxiliar empresas

O relatório do FortiGuard Labs, laboratório de inteligência de ameaças da Fortinet, mostra que o Brasil concentrou a maior parte dos ataques cibernéticos da América Latina entre julho e setembro de 2022, o equivalente a 18,8 bilhões de invasões. Com isso, a Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais (LGPD) busca garantir os direitos de liberdade e privacidade no tratamento de dados pessoais e é destaque nas discussões sobre a seguridade do ambiente digital, sobretudo para evitar essas ocupações ilegais.

Diante desta exposição à criminalidade virtual, os roubos de dados – se não forem bem administrados – podem trazer grandes prejuízos às empresas, principalmente dentro do setor de transporte rodoviário de cargas que lida com muitos colaboradores e terceiros para o andamento das atividades.

Como forma de amparo e auxílio sobre os cuidados com a proteção de dados, o Sindicato das Empresas de Transportes de Carga de São Paulo e Região – SETCESP organiza o Webinar  “LGPD em Cibersegurança”, que ocorrerá no dia 16 de março, às 09h, e com transmissão ao vivo. O acesso será gratuito para associados da entidade.

Caroline Duarte, coordenadora do departamento jurídico do SETCESP e uma das professoras do Webinar, destaca o papel da Lei de Proteção de Dados junto às empresas: “A LGPD é a lei que obriga as empresas a garantir que as pessoas físicas não tenham seus dados pessoais vazados e usados para fins que vão de comerciais a políticos. É importante também para garantir que dados da empresa, como seu segredo de negócio, faturamento, contratos confidenciais, recolhimento de tributos e cumprimento de obrigações acessórias, assim como salários e endereços de seus diretores e colaboradores, não sejam vazados e usados por seus concorrentes, ou ainda para aplicação de golpes.”

Investir na defesa virtual garante a privacidade dos dados tanto do cliente quanto da própria organização. Em caso de falhas na manutenção e backup de dados da empresa devido à invasão, Caroline reforça que a empresa “não poderá atender os requisitos da fiscalização e certamente sofrerá sanções por isso”, como resultado da falta de preocupação com essa questão.

A coordenadora ainda alerta que as organizações devem implantar políticas junto aos seus colaboradores, que deverão observar as normas e avisarem sobre comportamentos suspeitos aos departamentos responsáveis como método inicial de aprimoramento do sistema.

“As empresas precisam se unir no combate às ameaças cibernéticas e contar com o auxílio da tecnologia. Métodos simples podem fazer uma grande diferença e reduzir consequências previsíveis”, complementa Caroline, que finaliza: “Nosso Webinar irá explicar as formas de implantar e revisar suas medidas para que sejam criados procedimentos internos na sua empresa, visando auxiliar em pequenos atos que colaborem com a preservação da segurança de seus dados e informações essenciais às suas atividades. É um passo para um ambiente empresarial ainda mais seguro”.

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A combinação de juros elevados e restrição ao crédito tem levado o setor de transporte rodoviário a buscar novas estratégias de geração de receita. Diante da queda nas vendas de caminhões, empresas da cadeia logística passaram a acelerar a adoção de modelos baseados em serviços e receita recorrente no transporte, com foco em maior previsibilidade financeira. De acordo com dados da Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave), as vendas de caminhões recuaram 34,6% em janeiro deste ano em relação a dezembro de 2025. Além disso, na comparação com janeiro do ano anterior, a retração foi de 30,14%. Esse cenário reforça a necessidade de diversificação das fontes de receita em um ambiente mais volátil. Nesse contexto, a mudança de modelo reflete uma tentativa de reduzir a dependência de vendas pontuais de ativos. Ao mesmo tempo, empresas passam a incorporar soluções tecnológicas embarcadas nas frotas não apenas para ganho operacional, mas também como nova fonte de faturamento para concessionárias, revendedores e companhias de software. Receita recorrente no transporte avança com uso de tecnologia logística Segundo Rony Neri, diretor-executivo LATAM da Platform Science, multinacional americana especializada em soluções de segurança e tecnologia para o setor de transporte, a lógica do mercado está em transformação. “A lógica do setor está mudando. Antes, a receita estava concentrada na venda do ativo. Agora, com o uso de tecnologia, é possível construir uma base recorrente de faturamento, mais previsível e menos exposta às oscilações do mercado”, afirma. A empresa atua no desenvolvimento de plataformas tecnológicas para gestão de frotas e segurança operacional, permitindo a integração de dados e serviços no ambiente logístico. Dessa forma, soluções como telemetria, videomonitoramento e plataformas digitais passam a viabilizar modelos de assinatura, ampliando o ticket médio e a retenção de clientes. “A tecnologia passa a funcionar como uma camada de inteligência que fortalece o negócio principal e cria novas oportunidades de receita ao longo do tempo”, reforça Neri. Além disso, o movimento também alcança o agronegócio, onde a digitalização da logística tem impacto direto nos custos operacionais. Com o uso de dados e monitoramento em tempo real, produtores e operadores conseguem reduzir desperdícios, evitar falhas mecânicas e aumentar a eficiência no transporte da safra. “Esses ganhos operacionais têm impacto direto na rentabilidade, especialmente em um cenário em que o custo logístico é um dos principais fatores de pressão para o produtor rural”, detalha o executivo. Para empresas de software, a incorporação de dados operacionais das frotas abre espaço para expansão de portfólio sem necessidade de novos investimentos em hardware. Assim, aumenta-se o valor agregado das plataformas e amplia-se a oferta de serviços. Por fim, o modelo de receita recorrente no transporte tende a apresentar maior estabilidade em comparação à comercialização de produtos físicos. A venda de serviços contínuos, baseada em assinaturas, contribui para reduzir a sazonalidade típica do setor e cria uma base mais previsível de faturamento ao longo do tempo. “A recorrência permite que empresas atravessem períodos de baixa venda de ativos sem perda significativa de receita. É uma mudança estrutural na forma como o setor captura valor”, finaliza Neri.
Queda nas vendas de caminhões impulsiona receita recorrente no transporte, sinaliza Platform Science

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