Quais as principais tecnologias para aprimorar as operações logísticas?

02/08/2022

Big Data, Machine Learning, telemetria, câmeras de segurança, controle de frio, softwares integradores, TMS e torre de controle estão entre as soluções citadas pelos entrevistados.

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Inteligência Artificial para melhorar a roteirização das entregas, APIs para integração entre embarcadores e transportadores, Big Data, Machine Learning, TMS e WMS cada vez mais tecnológicos. Essas são as principais tecnologias que estão sendo mais utilizadas nos processos logísticos atualmente, segundo Fábio Carvalho, diretor de Supply Chain da Printi, gráfica online focada em materiais personalizados.

“No geral, elas ajudam a otimizar custos e reduzir o lead time das operações. Ao mesmo tempo, aumentam a confiabilidade e a previsibilidade”, ressalta.

Quem também opina é Leandro Ferraz, gerente de risco da JBS Transportadora, uma das maiores empresas responsáveis pelo transporte terrestre de animais vivos, laticínios, couro, carga seca e contêineres, entre outros. Ele cita rastreador, telemetria, câmeras de segurança, controle de frio, softwares integradores, TMS e softwares de torre de controle.

“Os equipamentos e softwares trazem maior velocidade para a logística, aumentando segurança e produtividade. Alguns hardwares podem completar ‘gaps’ que tínhamos nas operações. Sabendo usar as tecnologias, podemos agregar mais aos processos”, expõe.

Para José Humberto Cortês, diretor da Brasfrigo, líder na América Latina em movimentação de congelados, um bom Sistema de Gerenciamento de Armazém (WMS) voltado especificamente para o segmento de frigorificados e automação são de suma importância para o bom andamento do negócio.

“As tecnologias potencializam a performance da empresa, integrando os processos desde o chão de fábrica até a expedição do produto, trazendo acuracidade operacional, agilidade na tomada de decisões e precisão operacional. Segurança, agilidade, transparência são alguns dos benefícios”, resume.

Desafios

Quanto aos desafios, Carvalho, da Printi, cita como um dos principais ter uma equipe qualificada para utilizar todo o potencial que essas tecnologias têm a oferecer. “Ao mesmo tempo, é um desafio reter esses talentos que estão cada vez mais aprimorando seus conhecimentos e desenvolvendo novas soluções dentro da empresa”, diz.

Esse desafio pode ser vencidos, primeiramente, desenvolvendo uma cultura forte e uma gestão inspiradora para atrair esses talentos. “Em segundo lugar, desenvolver um ambiente propício ao aprendizado e estimular a inovação para que esses profissionais se sintam à vontade para desenvolver novas soluções”, opina.

Ferraz, da JBS, considera que o maior desafio é o custo, pois muitos destes hardwares e softwares são focados em algo específico, forçando a cadeia logística a contratar diversos serviços e produtos para ter um resultado otimizado. Porém, as empresas de logística têm dificuldade de repassar estes custos, fazendo com que a rentabilidade a cada dia fique menor”, observa.

Esse desafio pode ser vencido, segundo ele, procurando parceiros que desenvolvam equipamentos ou serviços mais completos e buscando integrações IoT (Internet das Coisas) para obter maior aproveitamento.

Cortês, da Brasfrigo, cita que os principais entraves são: desafio ao novo, aplicação sistemática e conhecimento. “A implementação de um software de gerenciamento de armazém não é um processo simples, e a provável falta de experiência em processos semelhantes costuma complicá-la ainda mais. Os projetos de implementação de um WMS duram meses, o que é normal. É preciso adaptar as funcionalidades, integrá-lo aos demais sistemas utilizados na empresa e testá-lo no próprio armazém”, recomenda.

De acordo com ele, comprometimento e boa vontade em querer fazer podem minimizar o impacto inicial e facilitar a implantação e a gestão da ferramenta.

Lições

Em vista de um mercado que se apresenta cada vez mais inovador, ágil e competitivo, os entrevistados foram convidados a citar a principal lição que desejam destacar. “A principal lição é que vivemos numa era de lifelong learning. Então, o que sabemos hoje não será o suficiente para nos mantermos em alta no futuro. É preciso estar aberto para aprender e testar novas tecnologias, buscando soluções diárias para problemas reais”, diz Carvalho, da Printi.

Ferraz, da JBS, considera que benchmark é sempre viável para conhecer o que estão fazendo ao seu redor e buscar absorver e aplicar ao máximo no seu dia a dia. “Não se limite ao que já foi aplicado ou aos resultados que já alcançou”, destaca.

Para Cortês, da Brasfrigo, a dica é acompanhar as tendências que sempre se mostram favoráveis, buscando cada vez mais eficiência no atendimento aos parceiros. “O mundo dos negócios tem experimentado um grande dinamismo e está cada vez mais claro que uma gestão eficiente, aliada a uma visão de futuro, faz a diferença.”

Logística Brasil

Os entrevistados para essa matéria estão entre os palestrantes do Logística Brasil, evento virtual e gratuito que acontecerá de 9 a 11 de agosto, das 14h às 18h.

Realizado pela Senior Sistemas (http://www.senior.com.br/segmentos/logistica) e, neste ano, com correalização do ILOG – Instituto Logweb de Logística e Supply Chain (http://www.ilog.org.br/), o evento terá 15 horas de conteúdo e mais de 20 palestras. O tema central é “Transformando desafios em novos caminhos”.

As inscrições podem ser feitas clicando aqui https://tinyurl.com/LogisticaBrasil.

Entidades apoiadoras: ABOL, Abralog, CNT e SER Logístico. Mídias apoiadoras: Grupo Logweb, Mundo Logística e Tecnologística. Patrocinadores: Wiipo, Amazon e Veloe.

Confira a grade de palestras

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A combinação de juros elevados e restrição ao crédito tem levado o setor de transporte rodoviário a buscar novas estratégias de geração de receita. Diante da queda nas vendas de caminhões, empresas da cadeia logística passaram a acelerar a adoção de modelos baseados em serviços e receita recorrente no transporte, com foco em maior previsibilidade financeira. De acordo com dados da Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave), as vendas de caminhões recuaram 34,6% em janeiro deste ano em relação a dezembro de 2025. Além disso, na comparação com janeiro do ano anterior, a retração foi de 30,14%. Esse cenário reforça a necessidade de diversificação das fontes de receita em um ambiente mais volátil. Nesse contexto, a mudança de modelo reflete uma tentativa de reduzir a dependência de vendas pontuais de ativos. Ao mesmo tempo, empresas passam a incorporar soluções tecnológicas embarcadas nas frotas não apenas para ganho operacional, mas também como nova fonte de faturamento para concessionárias, revendedores e companhias de software. Receita recorrente no transporte avança com uso de tecnologia logística Segundo Rony Neri, diretor-executivo LATAM da Platform Science, multinacional americana especializada em soluções de segurança e tecnologia para o setor de transporte, a lógica do mercado está em transformação. “A lógica do setor está mudando. Antes, a receita estava concentrada na venda do ativo. Agora, com o uso de tecnologia, é possível construir uma base recorrente de faturamento, mais previsível e menos exposta às oscilações do mercado”, afirma. A empresa atua no desenvolvimento de plataformas tecnológicas para gestão de frotas e segurança operacional, permitindo a integração de dados e serviços no ambiente logístico. Dessa forma, soluções como telemetria, videomonitoramento e plataformas digitais passam a viabilizar modelos de assinatura, ampliando o ticket médio e a retenção de clientes. “A tecnologia passa a funcionar como uma camada de inteligência que fortalece o negócio principal e cria novas oportunidades de receita ao longo do tempo”, reforça Neri. Além disso, o movimento também alcança o agronegócio, onde a digitalização da logística tem impacto direto nos custos operacionais. Com o uso de dados e monitoramento em tempo real, produtores e operadores conseguem reduzir desperdícios, evitar falhas mecânicas e aumentar a eficiência no transporte da safra. “Esses ganhos operacionais têm impacto direto na rentabilidade, especialmente em um cenário em que o custo logístico é um dos principais fatores de pressão para o produtor rural”, detalha o executivo. Para empresas de software, a incorporação de dados operacionais das frotas abre espaço para expansão de portfólio sem necessidade de novos investimentos em hardware. Assim, aumenta-se o valor agregado das plataformas e amplia-se a oferta de serviços. Por fim, o modelo de receita recorrente no transporte tende a apresentar maior estabilidade em comparação à comercialização de produtos físicos. A venda de serviços contínuos, baseada em assinaturas, contribui para reduzir a sazonalidade típica do setor e cria uma base mais previsível de faturamento ao longo do tempo. “A recorrência permite que empresas atravessem períodos de baixa venda de ativos sem perda significativa de receita. É uma mudança estrutural na forma como o setor captura valor”, finaliza Neri.
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