Com investimento de R$ 370 milhões no Brasil, DHL Express amplia operações e adquire cargueiro próprio

22/07/2022

Logweb conversa com vice-presidente de Operações, Claudia Agnello de Souza, e conhece in loco operações do hub logístico da empresa, localizado em São Paulo

Por Carol Gonçalves

No último dia 21 de julho, a Logweb foi convidada pela DHL Express a fazer um tour em seu hub logístico, localizado do Espace Center, na Vila Anastácio, em São Paulo, SP, e conversar com a vice-presidente de Operações, Claudia Agnello de Souza, sobre os planos da empresa.

A DHL Express está investindo R$ 370 milhões no Brasil para diminuir o tempo de entrega de mercadorias, ampliar a atuação em ações ESG e aumentar sua participação de mercado. Entre 2019 e o início de 2022, o faturamento no Brasil saltou 117%. Nos próximos anos, a previsão é de um avanço de cerca de 10% por ano no país, com perspectivas de investimento de mais de R$ 100 milhões.

Avião

Um dos destaques é o investimento de R$ 130 milhões em um avião cargueiro exclusivo para fazer a rota Miami-Campinas-Bogotá. O Boeing 767, com capacidade de 52 toneladas e frequência de seis vezes na semana, chegou ao Brasil dia 10 de julho no Aeroporto de Viracopos, em Campinas, SP.

Ele será utilizado para importação e exportação de mercadorias para América do Norte, Norte da América do Sul, América Central e parte da Ásia. Já as cargas relacionadas à Europa e ao Cone Sul continuarão seguindo por voos comerciais ou cargueiros de companhias parceiras, como Lufthansa e Air Europa.

O novo voo garante embarque para todos os clientes, independentemente do tamanho da remessa, em qualquer época do ano, sem depender das malhas aéreas comerciais. Além disso, a DHL Express oferta ao mercado o espaço vago na aeronave, via agentes de carga. “Mesmo com o pouco tempo de operação, já estamos muito satisfeitos com os resultados alcançados. O novo avião permite oferecermos confiabilidade aos nossos clientes, pois garantimos a entrega”, explicou Claudia.

Ela diz isso lembrando dos problemas recentes que impactaram todo o mundo e trouxeram incertezas ao mercado. Durante a pandemia houve muitos cancelamentos de voo e redução da oferta. E, ainda, há os lockdowns na China, o aumento do preço dos combustíveis, a alta da inflação e também do frete marítimo, que ajudaram a DHL Express a decidir pelo investimento no cargueiro próprio.

Viracopos

Maior aeroporto de cargas do país, Viracopos vai receber parte dos investimentos anunciados. Serão aportados R$ 40 milhões, nos próximos anos, para aumentar a capacidade de operação dos serviços de exportação. O aporte torna a DHL Express a primeira empresa a ter armazém alfandegário próprio no Brasil, o que permitirá ter o total controle sobre a cadeia logística das remessas no desembaraço da importação formal.

Claudia explicou que o TECO – Terminal Courrier da DHL Express no aeroporto de Viracopos foi habilitado a desembaraçar cargas formais de importação, ou seja, com valor acima de 3 mil dólares, o que antes só era feito no TECA – Terminal de Cargas. Com isso, o tempo de trânsito, que era de quatro dias no TECA, foi reduzido para um dia e meio no TECO. “Foi um grande passo ter um miniterminal de cargas dentro do TECO, pois ele permite uma economia enorme de tempo na importação”, ressaltou Claudia. E todo esse processo agora será feito para a área de exportação. Hoje, 100% da exportação é feita pelo TECA.

Vice-presidente de Operações da DHL Express, Claudia Agnello de Souza

 

Expansão

A empresa também está investindo quase R$ 3 milhões para abrir ou ampliar lojas da DHL Express em diversas cidades do país, como Florianópolis e Itajaí, em Santa Catarina, e Vitória, no Espírito Santo. Ainda no Espírito Santo, outros R$ 3,5 milhões foram investidos na ampliação da filial na cidade de Serra, região metropolitana da capital capixaba, para aumentar a capacidade de atendimento. A DHL Express possui 16 lojas próprias com mais de 450 parceiros e 19 filiais.

A companhia anuncia, ainda, o desenvolvimento de um hub regional em Recife, para atender à Região Nordeste, rica em atividade industrial e com perspectivas de aumento de consumo. Por exemplo, o que é coletado em Salvador vai até Recife, e de lá é distribuído para outras localidades. “Estudamos a criação de outros hubs regionalizados, sendo um deles no Sul”, disse Claudia. Atualmente, a operação é toda centralizada em São Paulo.

O plano de expansão inclui a abertura de 25 novas lojas próprias no país nos próximos anos, com foco em pessoas físicas e empresas de pequeno e médio porte interessadas em ingressar no mercado internacional, que foi alavancado pela pandemia. As operações com lockers, os armários inteligentes, também estão em desenvolvimento. Já foi realizado um piloto no Rio de Janeiro e agora será feito outro em São Paulo.

ESG

Na área de ESG, a DHL Express vai eletrificar a frota de carros e motos, em até 60%, até 2025. Outro destaque é a parceria de R$ 2 milhões com a ONG Sobrasa, que atua na prevenção a afogamentos no mar e em águas doces. A empresa também estuda a implantação de painéis solares em todas as suas filiais, assim como foi feito na unidade de Vitória.

Vale a pena destacar o uso de lona com ganchos no lugar do plástico shrink para embalar paletes e proteger a carga. Solução reutilizável desenvolvida no Brasil, alcançou visibilidade em nível global, reduzindo o consumo de plástico.

A empresa também aproveita as placas de madeira usadas nos paletes aéreos para confecção de móveis, como um banco que está disponível no Espace Center, sem utilizar qualquer tipo de cola.

 

ESPECIAL

Hub logístico

O hub logístico da DHL Express, localizado no Espace Center, opera ininterruptamente, atuando em 45 rotas com 63 carros, entre Sprinters médias e longas e Fiorinos, sendo um veículo elétrico, além de 10 motos elétricas e um carro especial para transporte de biológicos.

As cargas movimentadas são as mais variadas possíveis, principalmente dos setores de e-commerce e energia, com grande demanda B2B. “Realizamos toda urgência de entregas no Brasil, além de exportação expressa de cargas grandes”, disse Claudia.

A DHL Express conta com roteirização inteligente para entregas e coletas, tendo todas as informações relacionadas a rotas enviadas eletronicamente. A Torre de Controle Logístico é responsável pelo monitoramento real time.

No hub, parte da carga segue para as filiais via parceiros de transporte, enquanto outra parte segue para entregas e coletas na região. Um posto avançado das companhias aéreas facilita todo o processo para as mercadorias destinadas a aeroportos.

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A combinação de juros elevados e restrição ao crédito tem levado o setor de transporte rodoviário a buscar novas estratégias de geração de receita. Diante da queda nas vendas de caminhões, empresas da cadeia logística passaram a acelerar a adoção de modelos baseados em serviços e receita recorrente no transporte, com foco em maior previsibilidade financeira. De acordo com dados da Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave), as vendas de caminhões recuaram 34,6% em janeiro deste ano em relação a dezembro de 2025. Além disso, na comparação com janeiro do ano anterior, a retração foi de 30,14%. Esse cenário reforça a necessidade de diversificação das fontes de receita em um ambiente mais volátil. Nesse contexto, a mudança de modelo reflete uma tentativa de reduzir a dependência de vendas pontuais de ativos. Ao mesmo tempo, empresas passam a incorporar soluções tecnológicas embarcadas nas frotas não apenas para ganho operacional, mas também como nova fonte de faturamento para concessionárias, revendedores e companhias de software. Receita recorrente no transporte avança com uso de tecnologia logística Segundo Rony Neri, diretor-executivo LATAM da Platform Science, multinacional americana especializada em soluções de segurança e tecnologia para o setor de transporte, a lógica do mercado está em transformação. “A lógica do setor está mudando. Antes, a receita estava concentrada na venda do ativo. Agora, com o uso de tecnologia, é possível construir uma base recorrente de faturamento, mais previsível e menos exposta às oscilações do mercado”, afirma. A empresa atua no desenvolvimento de plataformas tecnológicas para gestão de frotas e segurança operacional, permitindo a integração de dados e serviços no ambiente logístico. Dessa forma, soluções como telemetria, videomonitoramento e plataformas digitais passam a viabilizar modelos de assinatura, ampliando o ticket médio e a retenção de clientes. “A tecnologia passa a funcionar como uma camada de inteligência que fortalece o negócio principal e cria novas oportunidades de receita ao longo do tempo”, reforça Neri. Além disso, o movimento também alcança o agronegócio, onde a digitalização da logística tem impacto direto nos custos operacionais. Com o uso de dados e monitoramento em tempo real, produtores e operadores conseguem reduzir desperdícios, evitar falhas mecânicas e aumentar a eficiência no transporte da safra. “Esses ganhos operacionais têm impacto direto na rentabilidade, especialmente em um cenário em que o custo logístico é um dos principais fatores de pressão para o produtor rural”, detalha o executivo. Para empresas de software, a incorporação de dados operacionais das frotas abre espaço para expansão de portfólio sem necessidade de novos investimentos em hardware. Assim, aumenta-se o valor agregado das plataformas e amplia-se a oferta de serviços. Por fim, o modelo de receita recorrente no transporte tende a apresentar maior estabilidade em comparação à comercialização de produtos físicos. A venda de serviços contínuos, baseada em assinaturas, contribui para reduzir a sazonalidade típica do setor e cria uma base mais previsível de faturamento ao longo do tempo. “A recorrência permite que empresas atravessem períodos de baixa venda de ativos sem perda significativa de receita. É uma mudança estrutural na forma como o setor captura valor”, finaliza Neri.
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