A importância da apuração de custos nas transportadoras

08/10/2021

Raquel Serini – Economista do IPTC (Instituto Paulista do Transporte de Carga)

Nas últimas décadas, a economia dos países capitalistas vem se transformando aceleradamente, visando o melhor jeito de servir aos clientes com os menores custos. A definição de novas estratégias para equacionar o preço de venda e as despesas é condição necessária às empresas que querem atuar em um mercado competitivo. Conhecer, controlar, medir e avaliar a produtividade do negócio são questões vitais para o desenvolvimento e aperfeiçoamento dos processos em qualquer organização.
O preço de venda deve, certamente, considerar as práticas de mercado, no entanto, a consonância de preços praticados e custos efetivos é questão fundamental para a sobrevivência e o crescimento autossustentado das empresas, independentemente de seu porte e de sua área de atuação.
Política eficiente não significa, de modo algum, preços altos. Nem baixos! Além de perfeitamente identificada com o mercado de atuação, esta política deve contemplar a análise dos custos gerais da empresa, seu equilíbrio operacional e o retorno desejado.
Para tanto, ter instrumentos para a identificação, apuração e análise de custos operacionais e administrativos, bem como a formação de preço do serviço de acordo com a realidade de seu negócio, é extremante essencial para a sobrevivência da sua empresa.

Grafico Setcesp

Composição da tarifa no TRC
Portanto, não devemos alterar nossa política de preços de forma precipitada por haver alguma alteração de custo. O custo é a somatória dos nossos recursos e esforços que permitem atender ao nosso cliente ao preço que ele deseja pagar. Precisamos monitorar nossos custos para tomarmos as decisões de alteração de preços impostas pelo mercado.
As transportadoras de carga atuam no mercado de concorrência perfeita, ou seja, as empresas individualmente não têm poder de influir no mercado. E o que isso significa? Somos todos “tomadoras de preços” e o mercado reage através da oferta e da demanda. Portanto, uma vez que desejamos formar preço é necessário conhecer os custos.
Para identificarmos melhor os custos envolvidos no transporte de carga, devemos, inicialmente, conhecer bem todas as etapas que estão interligadas no processo operacional, que pode ser visto como um sistema, ou seja, uma cadeia sequencial e ordenada de operações. Com isso, você será capaz de quantificar a produtividade dos veículos utilizados nos processos de coleta, transferência e entrega da carga, ou seja, todos os custos fixos e variáveis envolvidos na operação. E assim, gerar tarifas mais rentáveis e competitivas com o mercado.
Mas desde o processo inicial de formação da tarifa de frete, não podemos esquecer da medição dos insumos e a consequente apuração dos respectivos custos, que é a chave do negócio. Isso é parte integrante dos custos e como efeito cascata, deve ser incorporado ao preço.
Portanto, no que diz respeito à gestão de transportes, a apuração de custos demonstrará de forma transparente, servindo de amparo as empresas no momento da precificação da prestação de serviço.
Como já dizia o engenheiro, estatístico e professor americano William Edwards Deming – “Só se gerência aquilo que se mede”.

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A combinação de juros elevados e restrição ao crédito tem levado o setor de transporte rodoviário a buscar novas estratégias de geração de receita. Diante da queda nas vendas de caminhões, empresas da cadeia logística passaram a acelerar a adoção de modelos baseados em serviços e receita recorrente no transporte, com foco em maior previsibilidade financeira. De acordo com dados da Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave), as vendas de caminhões recuaram 34,6% em janeiro deste ano em relação a dezembro de 2025. Além disso, na comparação com janeiro do ano anterior, a retração foi de 30,14%. Esse cenário reforça a necessidade de diversificação das fontes de receita em um ambiente mais volátil. Nesse contexto, a mudança de modelo reflete uma tentativa de reduzir a dependência de vendas pontuais de ativos. Ao mesmo tempo, empresas passam a incorporar soluções tecnológicas embarcadas nas frotas não apenas para ganho operacional, mas também como nova fonte de faturamento para concessionárias, revendedores e companhias de software. Receita recorrente no transporte avança com uso de tecnologia logística Segundo Rony Neri, diretor-executivo LATAM da Platform Science, multinacional americana especializada em soluções de segurança e tecnologia para o setor de transporte, a lógica do mercado está em transformação. “A lógica do setor está mudando. Antes, a receita estava concentrada na venda do ativo. Agora, com o uso de tecnologia, é possível construir uma base recorrente de faturamento, mais previsível e menos exposta às oscilações do mercado”, afirma. A empresa atua no desenvolvimento de plataformas tecnológicas para gestão de frotas e segurança operacional, permitindo a integração de dados e serviços no ambiente logístico. Dessa forma, soluções como telemetria, videomonitoramento e plataformas digitais passam a viabilizar modelos de assinatura, ampliando o ticket médio e a retenção de clientes. “A tecnologia passa a funcionar como uma camada de inteligência que fortalece o negócio principal e cria novas oportunidades de receita ao longo do tempo”, reforça Neri. Além disso, o movimento também alcança o agronegócio, onde a digitalização da logística tem impacto direto nos custos operacionais. Com o uso de dados e monitoramento em tempo real, produtores e operadores conseguem reduzir desperdícios, evitar falhas mecânicas e aumentar a eficiência no transporte da safra. “Esses ganhos operacionais têm impacto direto na rentabilidade, especialmente em um cenário em que o custo logístico é um dos principais fatores de pressão para o produtor rural”, detalha o executivo. Para empresas de software, a incorporação de dados operacionais das frotas abre espaço para expansão de portfólio sem necessidade de novos investimentos em hardware. Assim, aumenta-se o valor agregado das plataformas e amplia-se a oferta de serviços. Por fim, o modelo de receita recorrente no transporte tende a apresentar maior estabilidade em comparação à comercialização de produtos físicos. A venda de serviços contínuos, baseada em assinaturas, contribui para reduzir a sazonalidade típica do setor e cria uma base mais previsível de faturamento ao longo do tempo. “A recorrência permite que empresas atravessem períodos de baixa venda de ativos sem perda significativa de receita. É uma mudança estrutural na forma como o setor captura valor”, finaliza Neri.
Queda nas vendas de caminhões impulsiona receita recorrente no transporte, sinaliza Platform Science

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