Compras coletivas no mundo corporativo

05/11/2020

Raquel Serini – Economista do IPTC – Instituto Paulista de Transporte de Cargas, órgão ligado ao SETCESP – Sindicato das Empresas de Transporte de Carga de São Paulo e Região.

 

 

Não é de hoje que sabemos da importância do mercado de transportes, mas diante dos últimos acontecimentos mundiais, o setor se viu na necessidade de modificar o modelo tradicional de atuação. Muito se fala sobre economia compartilhada através de cargas e fretes, o que gera reduções expressivas no custo das operações. Mas, vamos abordar também a nova realidade para compras coletivas no mundo empresarial.

Pensando na fase atual de recuperação da economia, alguns empresários já iniciaram um movimento de aquisições em conjunto, dos mais diversos itens, que acabam gerando descontos por volume no momento da compra. Tudo isso intermediado por entidades de classe, associações ou grupos de interesse em comum, para garantir a confiabilidade nas negociações. A exemplo do Sindicato das Empresas de Transporte de Carga de São Paulo e Região (SETCESP), que realiza há três anos, para seus associados, compras coordenadas em escala, justamente por ser uma ferramenta rentável para o transportador.

Um “Pool de Compras” vai muito além de oferecer ganhos imediatos para as empresas que dividem com o grupo seu histórico de gastos e têm acesso aos preços antecipadamente negociados junto a fornecedores. A cada nova rodada de negócios, uma nova demanda é compartilhada, resultando em mais ganhos mútuos.

Dentro desta lógica, as compras coletivas são uma modalidade econômica e representam uma forma consciente de consumo também, uma vez que você compra e investe somente em itens/insumos essenciais e de necessidade imediata, com preços acessíveis e de forma colaborativa.

 

Clube de Compras: porque eles ajudam sua empresa?

Uma das vantagens do Clube de Compras é a redução de custos, que varia de acordo com o item adquirido. Há casos de produtos que geraram economias de até 65%. Isso sem falar na conquista de agilidade nos processos de compras, na melhora da análise de custo-benefício e otimização da negociação de diversas categorias de insumos.

tabela4

 

E mais: o comprador também pode avaliar de maneira assertiva e rápida a proposta recebida pelo intermediador, ser transparente na decisão de compra. Ou seja, a empresa que adquire os produtos e/ou serviços acaba contribuindo para que os fornecedores façam melhores ofertas no futuro – o que alimenta uma rede de decisões mais veloz e eficiente. Em um mundo altamente competitivo, essa é uma característica que deve ser levada em conta.

Por isso, ter em mente que, quando a área de compras alinha seus objetivos com as demais áreas da companhia, principalmente a financeira, vencer o desafio constante de tornar o setor mais eficiente torna-se uma realidade. Além disso, ainda é possível contar com uma rede de apoio institucional do sindicato.

Volto a afirmar que alinhar estratégias e realizar bons negócios é uma realidade viável. E, na minha visão, o conceito de Clube de Compras é o melhor caminho para se alcançar esse objetivo. A redução de custos e otimização de processos são alguns dos benefícios. Faça uma análise do quanto você poderá usufruir dessas vantagens e contribuir com a sua empresa. Pense nisso!

 

Para mais informações, contato@iptcsp.com.br

Compartilhe:
Veja também em Conteúdo
JSL lança “Estrada de Prêmios” para fidelizar motoristas, reduzir turnover e ampliar eficiência operacional
JSL lança “Estrada de Prêmios” para fidelizar motoristas, reduzir turnover e ampliar eficiência operacional
ID Logistics Brasil inaugura centros de distribuição para a Amazon e amplia operação de fulfillment
ID Logistics Brasil inaugura centros de distribuição para a Amazon e amplia operação de fulfillment
Alta no tráfego rodovias paulistas reflete avanço de veículos leves e pesados, aponta Veloe/Fipe
Alta no tráfego rodovias paulistas reflete avanço de veículos leves e pesados, aponta Veloe/Fipe
Gestão climática ganha relevância no setor logístico diante de eventos extremos: destaque do primeiro ABOL Day do ano
Gestão climática ganha relevância no setor logístico diante de eventos extremos: destaque do primeiro ABOL Day do ano
Frete mínimo da ANTT: o que muda para embarcadores e transportadoras no TRC, segundo a Mundo Seguro
Frete mínimo da ANTT: o que muda para embarcadores e transportadoras no TRC, segundo a Mundo Seguro
A combinação de juros elevados e restrição ao crédito tem levado o setor de transporte rodoviário a buscar novas estratégias de geração de receita. Diante da queda nas vendas de caminhões, empresas da cadeia logística passaram a acelerar a adoção de modelos baseados em serviços e receita recorrente no transporte, com foco em maior previsibilidade financeira. De acordo com dados da Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave), as vendas de caminhões recuaram 34,6% em janeiro deste ano em relação a dezembro de 2025. Além disso, na comparação com janeiro do ano anterior, a retração foi de 30,14%. Esse cenário reforça a necessidade de diversificação das fontes de receita em um ambiente mais volátil. Nesse contexto, a mudança de modelo reflete uma tentativa de reduzir a dependência de vendas pontuais de ativos. Ao mesmo tempo, empresas passam a incorporar soluções tecnológicas embarcadas nas frotas não apenas para ganho operacional, mas também como nova fonte de faturamento para concessionárias, revendedores e companhias de software. Receita recorrente no transporte avança com uso de tecnologia logística Segundo Rony Neri, diretor-executivo LATAM da Platform Science, multinacional americana especializada em soluções de segurança e tecnologia para o setor de transporte, a lógica do mercado está em transformação. “A lógica do setor está mudando. Antes, a receita estava concentrada na venda do ativo. Agora, com o uso de tecnologia, é possível construir uma base recorrente de faturamento, mais previsível e menos exposta às oscilações do mercado”, afirma. A empresa atua no desenvolvimento de plataformas tecnológicas para gestão de frotas e segurança operacional, permitindo a integração de dados e serviços no ambiente logístico. Dessa forma, soluções como telemetria, videomonitoramento e plataformas digitais passam a viabilizar modelos de assinatura, ampliando o ticket médio e a retenção de clientes. “A tecnologia passa a funcionar como uma camada de inteligência que fortalece o negócio principal e cria novas oportunidades de receita ao longo do tempo”, reforça Neri. Além disso, o movimento também alcança o agronegócio, onde a digitalização da logística tem impacto direto nos custos operacionais. Com o uso de dados e monitoramento em tempo real, produtores e operadores conseguem reduzir desperdícios, evitar falhas mecânicas e aumentar a eficiência no transporte da safra. “Esses ganhos operacionais têm impacto direto na rentabilidade, especialmente em um cenário em que o custo logístico é um dos principais fatores de pressão para o produtor rural”, detalha o executivo. Para empresas de software, a incorporação de dados operacionais das frotas abre espaço para expansão de portfólio sem necessidade de novos investimentos em hardware. Assim, aumenta-se o valor agregado das plataformas e amplia-se a oferta de serviços. Por fim, o modelo de receita recorrente no transporte tende a apresentar maior estabilidade em comparação à comercialização de produtos físicos. A venda de serviços contínuos, baseada em assinaturas, contribui para reduzir a sazonalidade típica do setor e cria uma base mais previsível de faturamento ao longo do tempo. “A recorrência permite que empresas atravessem períodos de baixa venda de ativos sem perda significativa de receita. É uma mudança estrutural na forma como o setor captura valor”, finaliza Neri.
Queda nas vendas de caminhões impulsiona receita recorrente no transporte, sinaliza Platform Science

As mais lidas

01

Transporte de cargas perigosas: falhas operacionais aumentam riscos e exigem mais segurança, adverte consultor
Transporte de cargas perigosas: falhas operacionais aumentam riscos e exigem mais segurança, adverte consultor

02

Shopee inaugura centro de distribuição fulfillment em Minas Gerais e reduz prazos de entrega
Shopee inaugura centro de distribuição fulfillment em Minas Gerais e reduz prazos de entrega

03

Intermodal 2026 chega à 30ª edição como hub estratégico da logística global e vitrine de inovação, negócios e integração multimodal
Intermodal 2026 chega à 30ª edição como hub estratégico da logística global e vitrine de inovação, negócios e integração multimodal