Atacadistas e distribuidores se unem à indústria e ao varejo para driblar queda no consumo

26/02/2016

O pequeno e médio varejo, principal cliente dos agentes de distribuição, enfrenta um difícil cenário. Pressionado por juros altos, inflação e desemprego, o consumidor tem sido implacável na hora da compra: leva menos produtos, busca as melhores ofertas e escolhe o estabelecimento segundo critérios específicos, como localização, boa infraestrutura e, principalmente, bom preço. Esse ambiente hostil, provocado pela retração no poder de compra e endurecimento do mercado, preocupa e o pequeno varejista se vê diante de duas alternativas: encolher-se e correr o risco de fechar a loja ou lutar pela sobrevivência.

Foi pensando nesse varejista, que sofre o maior impacto no momento de crise na economia, que a Associação Brasileira de Atacadistas e Distribuidores (ABAD) mudou o foco do seu evento anual e decidiu inovar em 2016. No segundo semestre, a capital do Estado de São Paulo será a sede do maior encontro da cadeia de abastecimento do Canal Indireto. Representantes da indústria, agentes de distribuição e varejistas terão três dias de imersão – com capacitação, informação e relacionamento – para, juntos, gerar oportunidades de negócios e encontrar caminhos para driblar a queda de consumo e retomar o crescimento. O ENACAB – Encontro Nacional da Cadeia do Abastecimento, que incluirá a 36ª Convenção ABAD do Canal Indireto, acontecerá de 8 a 10 de agosto, no São Paulo Expo Exhibition & Convention Center (antigo Centro de Exposições Imigrantes).

A realização do evento na cidade de São Paulo é outra inovação da ABAD neste ano. A localização privilegiada, próxima às principais indústrias de bens de consumo e estrategicamente posicionada na região Sudeste, que concentra o maior número de agentes de distribuição e pontos de venda do varejo independente no país, prevaleceu em relação às demais cidades do país. O evento ocupará 12 mil m2 do São Paulo Expo, que foi totalmente remodelado. Com um aporte de mais de R$ 400 milhões em investimento por parte da operadora GL events, o local tornou-se um dos mais modernos centros de convenção do Brasil.

“O atual ritmo de crescimento econômico e os novos hábitos de consumo desenham novas tendências e prenunciam grandes desafios. A ABAD é a entidade que representa os agentes de distribuição que, por sua vez, atendem mais de 1 milhão de varejistas. É nosso dever coordenar o desenvolvimento socioeconômico da cadeia de abastecimento do Canal Indireto, que inclui também a indústria. O alinhamento estratégico vai fortalecer essa parceria, multiplicando conhecimentos e garantindo a disseminação das melhores práticas de gestão e operação dos negócios, aumentando a eficiência e a competitividade de toda a cadeia produtiva”, afirma o presidente da ABAD, José do Egito Frota Lopes Filho.

Capacitação

E não há dúvida de que a capacitação do varejo independente é a principal arma para vencer as adversidades impostas pela turbulência econômica. “Com o apoio da indústria e as ferramentas de capacitação trazidas por entidades parceiras como o Sebrae, os agentes de distribuição têm a possibilidade de oferecer um serviço ainda mais qualificado ao varejista. Com isso, torna o varejo ainda mais forte, melhor, mais produtivo e preparado para fazer o seu papel político, social e econômico”, ressalta Oscar Attisano, superintendente executivo da ABAD.

A programação do ENACAB terá workshops especiais, desenvolvidas com base no programa Varejo Competitivo da ABAD, para ajudar o pequeno e médio comerciante a promover mudanças estruturais e de conceito no ponto de venda. Durante a feira, o varejista também poderá visitar uma Loja Modelo completa, da recepção de produtos do fornecedor na retaguarda até a consumação da venda pelo caixa. O objetivo, ao simular o dia a dia de um estabelecimento, é mostrar ao varejista, principalmente das lojas de vizinhança, como adotar boas práticas e garantir maior rentabilidade.

Ao lado da Loja Modelo, o varejista e o agente de distribuição vai conhecer o Centro de Distribuição do Futuro. O CD, que será montado com o apoio da indústria, apresentará toda a logística de distribuição e armazenamento. A proposta é mostrar como ele funciona e o que fazer para torná-lo eficiente.

Informação

Além de capacitar o varejo, o ENACAB também capacitará os agentes de distribuição, levando ainda informações institucionais e políticas. A grade de palestras, com renomados profissionais nacionais e internacionais, vai contribuir com o desenvolvimento do setor em temas prioritários para cadeia, que vão da oportunidade de investimento em novos negócios ao treinamento em questões de ordem legal, trabalhista e tributária, que estão no âmbito de atuação da ABAD.

“No momento em que todo mundo precisa fazer mais, melhor e com menos, a capacitação, a informação e o trabalho conjunto são essenciais. Só conseguimos unir esses três elementos criando um evento como o ENACAB, que reúne os três elos da cadeia para debater assuntos de interesse comum, focando na produtividade e na geração de negócios”, destaca Rogério Oliva, diretor de Relacionamento Comercial e Marketing.

Relacionamento

Uma das principais vantagens do ENACAB é permitir um amplo relacionamento entre os integrantes da cadeia de abastecimento. “A indústria está se mobilizando para buscar novos negócios no Canal Indireto, melhorando sua relação com o agente de distribuição e diretamente com o varejista. Esse contato permite falar de um novo posicionamento, do gerenciamento de categoria, de novas estratégias, de campanhas de vendas e de merchandising. Tudo o que o varejista precisa saber para vender mais e receber bem o consumidor”, esclarece Oliva.

“Mais do que gerar oportunidade de negócios, o ENACAB vai funcionar como uma opção estratégica de união, pela convergência e pela sinergia dos setores integrantes da cadeia com vistas ao planejamento, à consolidação de parcerias duradouras e ao relacionamento de longo prazo, na perpetuação das empresas”, complementa Oscar, lembrando que a indústria terá um espaço no São Paulo Expo para realizar sua própria programação, como convenções paralelas.

Para o presidente José do Egito, o encontro agora traduz de forma mais adequada o conceito defendido pela ABAD, fundamentado na participação ativa e na sinergia entre todos os elos da cadeia de abastecimento do Canal Indireto. “Acreditamos que esse é o caminho do sucesso. Por isso, convidamos todos os parceiros a fazer parte desse caminho”, conclui.

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A combinação de juros elevados e restrição ao crédito tem levado o setor de transporte rodoviário a buscar novas estratégias de geração de receita. Diante da queda nas vendas de caminhões, empresas da cadeia logística passaram a acelerar a adoção de modelos baseados em serviços e receita recorrente no transporte, com foco em maior previsibilidade financeira. De acordo com dados da Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave), as vendas de caminhões recuaram 34,6% em janeiro deste ano em relação a dezembro de 2025. Além disso, na comparação com janeiro do ano anterior, a retração foi de 30,14%. Esse cenário reforça a necessidade de diversificação das fontes de receita em um ambiente mais volátil. Nesse contexto, a mudança de modelo reflete uma tentativa de reduzir a dependência de vendas pontuais de ativos. Ao mesmo tempo, empresas passam a incorporar soluções tecnológicas embarcadas nas frotas não apenas para ganho operacional, mas também como nova fonte de faturamento para concessionárias, revendedores e companhias de software. Receita recorrente no transporte avança com uso de tecnologia logística Segundo Rony Neri, diretor-executivo LATAM da Platform Science, multinacional americana especializada em soluções de segurança e tecnologia para o setor de transporte, a lógica do mercado está em transformação. “A lógica do setor está mudando. Antes, a receita estava concentrada na venda do ativo. Agora, com o uso de tecnologia, é possível construir uma base recorrente de faturamento, mais previsível e menos exposta às oscilações do mercado”, afirma. A empresa atua no desenvolvimento de plataformas tecnológicas para gestão de frotas e segurança operacional, permitindo a integração de dados e serviços no ambiente logístico. Dessa forma, soluções como telemetria, videomonitoramento e plataformas digitais passam a viabilizar modelos de assinatura, ampliando o ticket médio e a retenção de clientes. “A tecnologia passa a funcionar como uma camada de inteligência que fortalece o negócio principal e cria novas oportunidades de receita ao longo do tempo”, reforça Neri. Além disso, o movimento também alcança o agronegócio, onde a digitalização da logística tem impacto direto nos custos operacionais. Com o uso de dados e monitoramento em tempo real, produtores e operadores conseguem reduzir desperdícios, evitar falhas mecânicas e aumentar a eficiência no transporte da safra. “Esses ganhos operacionais têm impacto direto na rentabilidade, especialmente em um cenário em que o custo logístico é um dos principais fatores de pressão para o produtor rural”, detalha o executivo. Para empresas de software, a incorporação de dados operacionais das frotas abre espaço para expansão de portfólio sem necessidade de novos investimentos em hardware. Assim, aumenta-se o valor agregado das plataformas e amplia-se a oferta de serviços. Por fim, o modelo de receita recorrente no transporte tende a apresentar maior estabilidade em comparação à comercialização de produtos físicos. A venda de serviços contínuos, baseada em assinaturas, contribui para reduzir a sazonalidade típica do setor e cria uma base mais previsível de faturamento ao longo do tempo. “A recorrência permite que empresas atravessem períodos de baixa venda de ativos sem perda significativa de receita. É uma mudança estrutural na forma como o setor captura valor”, finaliza Neri.
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