Grupo Pão de Açúcar supera problemas e ganha mercado

10/04/2002

Como é sabido, o sucesso do comércio eletrônico está intimamente ligado ao processo logístico adotado pela empresa e que dá suporte às vendas. Afinal, de que adianta vender algo e não entregá-lo no prazo e nas condições adequadas?

E onde mais esta correlação é crítica do que na área de alimentos e de produtos eletrônicos?

Visando mostrar um pouco desta realidade, o que é preciso fazer para manter-se neste mercado competitivo e as mudanças ocorridas,o LogWeb foi ouvir Hélio de Barros Ferraz, gerente de planejamento de manutenção do Grupo Pão de Açúcar.

Ele inicia explicando que o Grupo dispõe, hoje, de dois sites de comércio eletrônico: o paodeacucar.com.br, voltado para produtos de supermercado, e o extra.com.br, especializado em categorias de não-alimentos, como eletrônicos, informática, acessórios, etc.

Ferraz destaca que a logística de cada um dos sites tem suas particularidades. “O paodeacucar.com.br distribui seus pedidos em quatro capitais – São Paulo, Rio de Janeiro, Brasília e Curitiba – partindo de lojas locais semidedicadas ao negócio pontocom. Sua frota exclusiva é basicamente composta de veículos leves de cargas (usualmente Sprinters), especialmente montados para atender tal operação.”

Já o extra.com.br opera com parceiros logísticos, distribuindo, de São Paulo para todo o território nacional, desde um cartucho de impressora até uma geladeira. A única exceção se faz no mercado de São Paulo, onde o site busca sinergizar as operações logísticas com a própria estrutura do Grupo.


Problemas

Referindo-se aos problemas enfrentados para atender às necessidades dos clientes, o gerente de planejamento de manutenção do Grupo Pão de Açúcar destaca que, na distribuição local de supermercados, o maior problema, sem dúvida, é o pesado trânsito das grandes cidades e a falta de local para descarga (ruas estreitas, impossibilidade de estacionamento, etc.). “Em São Paulo também há a dispersão geográfica do público-alvo do site, levando nossa logística a cobrir um extenso raio de ação. Obviamente que há, corroborado pelos dois aspectos acima, o problema do custo, que é excessivamente alto”, explica Ferraz.

Já na logística de não-alimentos, onde a distribuição toma uma forma mais abrangente, a empresa enfrenta alguma dificuldade para alcançar destinos mais distantes – região Norte e algumas cidades do interior dos Estados do Norte e Nordeste. As tarifas de fretes são também altas e há o problema de rastreabilidade de pedidos. Atrasos por problemas em estradas, más condições do asfalto, inacessibilidade de vias também são fatores complicadores.


Mudanças

O gerente de planejamento de manutenção do Grupo Pão de Açúcar também conta o que mudou na logística do comércio eletrônico da empresa para se adaptar ao mercado.

Ele diz que o Pão de Açúcar tem um histórico de aproximadamente sete anos no comércio eletrônico e foi um dos pioneiros deste canal, com o lançamento do Pão de Açúcar Delivery, em 1995. “Houve uma rápida expansão ao longo deste tempo e muito se fez para respeitar prazos de entrega e se adaptar às exigências para o transporte de produtos mais delicados, como frutas e legumes. A frota foi redimensionada e adaptada. Ao mesmo tempo, equipamentos e compartimentos especiais foram criados e montados nos veículos. Embalagens especiais foram concebidas e utilizadas e muito treinamento foi promovido.”

Já na operação do extra.com.br, Ferraz conta que o grupo negociou melhores prazos de entregas, ampliou sua base de fornecedores, seus parceiros de transporte e as praças de cobertura, entregando, hoje, em todo território nacional.


Perspectivas

Concluindo, o gerente do Pão de Açúcar fala das perspectivas do grupo com relação ao e-commerce. E diz que a empresa acredita muito no e-commerce e continuará investindo neste canal, que já exerce uma importância muito significativa no contexto do varejo nacional. “Acreditamos num crescimento gradual e no desenvolvimento pleno da cultura do comércio eletrônico brasileiro”, finaliza.

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