Vários fatores devem ser considerados na escolha do equipamento

10/07/2004

Afinal, como diz um dos entrevistados, o erro na escolha pode ser de especificação ou de quantidade de equipamentos. E uma palavra define o resultado: prejuízo.

Em qualquer local, a movimentação mecanizada de materiais requer muitos cuidados, seja para proteger o material movimentado e o patrimônio – como equipamentos e instalações -, seja para preservar a vida humana.

Mas, quando se fala em movimentação em CDs – Centros de Distribuição, estes cuidados devem ser redobrados. Afinal, “o CD é mais sensível às mudanças porque, atualmente, elas vem ocorrendo em ciclos mais curtos. Dependendo de sua vocação, o CD está sujeito a mudanças de diferentes intensidades”, avalia Claudirceu Batista Marra, diretor técnico da Vantine Consultoria.

De acordo com ele, o maior desafio do planejador tem sido organizar sistemas operacionais racionais, conciliando os aspectos de investimento e custo operacional, além da flexibilidade na utilização do espaço, livre ou ocupado com estruturas de armazenagem.

O que considerar
Neste contexto, e respondendo à questão sobre o que se deve considerar quando da seleção dos equipamentos para a movimentação de materiais dentro dos CDs, Marra responde com base na equação dos Três Emes (Material + Movimento = Método), cuja lição é a de que o Método só é estabelecido, bem e definitivamente, se o Material e os Movimentos forem conhecidos.

“Na organização de um CD deve sempre se ter em mente que o que se busca é o equilíbrio entre a capacidade de armazenagem e a de movimentação (e/ou vazão). Portanto, os elementos (estruturas, corredores e áreas de apoio) devem estar adequadamente dispostos para que seja alcançado o equilíbrio”, informa Marra.

Ainda de acordo com ele, as avaliações referentes ao Movimento são tão importantes quanto as avaliações sobre o Material, apenas com características diferentes. “Geralmente se associa o Material ao Espaço e o Movimento ao Tempo, porém, tanto um quanto o outro estão associados ao Tempo e ao Espaço. Os materiais estão sempre em movimento: mesmo na prateleira, quando o movimento é muito lento, parecendo inexistir; não é usada a expressão ‘giro de estoque’? Então, os materiais não ficam lá para sempre. Entre cada atividade do processo, há pelo menos um movimento e o conjunto de atividades e movimentos caracteriza um ‘caminho’, como descarregamento do veículo, conferência dos materiais, unitização, consolidação, separação, acondicionamento e outros”.

Por sua vez, Cristiano Cecatto, consultor em logística inbound/outbound da Qualilog Consultoria, acrescenta que a correta escolha dos equipamentos que deverão fazer parte da operação de um Centro de Distribuição ou Armazém deve levar em consideração os objetivos de desempenho que a empresa deseja prestar para seus clientes, além dos recursos financeiros disponíveis para tal realização. “Aspectos ergonômicos e de segurança do trabalho devem estar presentes em todas as etapas da escolha, começando no recebimento de materiais, passando pelo processo administrativo, armazenagem, produção, expedição e entrega final do produto”, diz Cecatto.

Ainda segundo ele, se as condições ergonômicas e de segurança não forem satisfatórias, estas poderão afetar, com maior ou menor intensidade, o rendimento operacional dos trabalhadores, refletindo, conseqüentemente, nos custos logísticos.

Também com relação a este questionamento, Eduardo Banzato, diretor da IMAM Consultoria, enumera uma série de fatores (ver Tabela 1), “entre outros inúmeros que são analisados em função das necessidades identificadas na operação”, como ele informa.

Pelo lado da relação custo/benefício vai a análise de Mauro Vivacqua de Chermont, sócio-gerente da Chermont Engenharia e Consultoria. De acordo com ele, há os benefícios calculados pela análise econômica – investimentos, custos operacionais, retorno sobre o investimento – e os decorrentes da análise qualitativa – flexibilidade, tecnologia, imagem da empresa, segurança, meio ambiente, confiabilidade, etc. “Considero a flexibilidade o fator mais importante para seleção e escolha de equipamentos. Há casos em que os aspectos qualitativos se sobrepõem aos econômicos; uma alternativa mais cara, porém com maior flexibilidade, mais segura ou que não agrida o meio ambiente pode ser escolhida”, diz ele.

Concordando com o exposto por Marra, da Vantine, no início desta reportagem, Chermont também destaca que o mercado e a tecnologia não param de evoluir e o CD tem que acompanhar, adaptando o layout às mudanças. Para ele, o CD continuará a ser o amortecedor da malha logística. “Mão-de-obra e instalações precisam ser remanejados rapidamente e ao menor custo. Alguém já definiu o CD como o pit-stop da malha logística; desempenho perfeito e rápido faz a diferença entre ganhar e perder a corrida”, diz Chermont.

Tabela 1
Alguns aspectos a serem considerados na seleção de equipamentos para uso em um CD
– Velocidade de operação
– Flexibilidade (produtos, volumes, pesos, etc.)
– Capacidade de carga
– Custo operacional em relação ao Investimento
– Segurança operacional
– Ergonomia da operação
– Facilidade de manutenção
– Qualidade da operação
– Produtividade operacional
– Retorno sobre o investimento
– Preservação da integridade física dos produtos
Fonte: IMAM Consultoria

Equipamentos mais utilizados
Já no que se refere aos equipamentos mais utilizados nos CDs, o diretor técnico da Vantine diz que, considerando um mesmo material, com o mesmo acondicionamento, cada movimento requer um tipo de equipamento, como basicamente indicado na Tabela 2.
Para o diretor técnico da Vantine, o que deve se considerar como fundamental é que estes equipamentos podem ser comprados de forma prática, o que induz muitos ao erro de adquiri-los sem estudos específicos, pois além de sua utilização deve ser considerada a integração das pessoas e dos materiais no processo.

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