Mesmo com queda na inflação e sem alta no preço do diesel, setor de transporte e logística ainda precisa de reformas

28/04/2023

Os números não são ruins, longe disso, o IPCA-15 (Índice Nacional de Preços ao Consumidor – Amplo 15), considerado uma prévia da inflação, desacelerou pelo segundo mês seguido, para 0,57% em abril, segundo o IBGE. Em março, o índice ficou em 0,69%. A Inflação acumulada em 12 meses é a menor em mais de 2 anos. A taxa de 4,16% é a menor desde outubro de 2020, quando ficou em 3,52%. Foi também a primeira vez em que ficou abaixo de 5% desde fevereiro de 2021.

O preço do diesel, principal combustível dos meios de transporte no Brasil, também tem apresentado números positivos para o setor de transporte e logística, O preço médio do litro do diesel nos postos do país tem caído – na última semana de abril, caiu pela 11ª semana consecutiva, segundo dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).

São números positivos, entretanto, o setor de transporte e logística ainda precisa de reformas e adaptações importantes, como mais investimento (também do poder público) em segurança, evitar o desperdício (O Brasil desperdiça hoje 30% de combustível com sobrecarga nas rodovias e uma frota velha de caminhões), buscar alternativa mais sustentáveis, como a eletrificação da frota de veículos logísticos, utilizar ainda mais as plataformas de Data Analytics (Segundo o Conselho de Profissionais de Gestão da Cadeia de Suprimentos, 71% das transportadoras e empresas de terceirização de logística acreditam que o uso dessas plataformas melhora a qualidade e o desempenho das operações).

Não podemos negar que esses números para o começo de ano são positivos, mas é preciso que o setor também se movimente. O Brasil ainda está muito distante do que consideramos perto do ideal, o custo logístico nacional é de 12,5% do PIB (Produto Interno Bruto), enquanto nos Estados Unidos não chega a 8%. É preciso que os empresários busquem melhorias, como a utilização de plataformas de Data Analytics (inteligência artificial), ser uma empresa mais sustentável, próxima dos conceitos de ESG, com a eletrificação de frotas, por exemplo, o que pode ser um investimento hoje, será economia em pouco tempo.

A questão da inteligência artificial, do uso das tecnologias também é primordial, o Big Data Analytics é uma tecnologia que permite o processamento de dados estruturados e essas informações podem ser analisadas e compreendidas pelos negócios, a fim de prever tendências e acompanhar métricas, tirando decisões úteis para os negócios. Com relação às práticas mais sustentáveis, a logística sustentável também pode ser importante para gerar novas operações inteligentes, que reduzam custos. Uma das formas mais palpáveis atualmente são os veículos híbridos e elétricos, que chegaram à marca de 100 mil emplacamentos em 2022, e podem fazer parte da frota das empresas, e isso também pode significar economia.

Quando tocamos no assunto de infraestrutura, apenas em 2022, 62% da carga brasileira foi transportada por caminhões, 20% por ferrovias, 14% por cabotagem (aquavias), 0,3% por aerovias e 3,6% por outros sistemas. Para ser mais competitivo em logística, o ideal seria que, em 15 anos, o Brasil pudesse reduzir a carga rodoviária a 40%, aumentar a ferroviária para 30% e a de cabotagem para 25%, mas para isso, é preciso que poder público e privado busquem união e investimentos para que essa mudança possa começar a sair do papel.

A tendência para os próximos meses é de crescimento no mercado, assistimos, desde antes da pandemia, o crescimento do setor de e-commerce, é algo eu veio para ficar, cada vez mais as pessoas estão comprando pela internet e esses produtos precisam chegar em seus endereços e, para isso, existe o setor de transporte e logística. Temos um ano promissor pela frente, mas é preciso de reformas estruturais nas empresas e no setor público, pensando no hoje e amanhã, para que possamos crescer ainda mais. Ainda falta planejamento para o Brasil, como melhorias em modais, infraestrutura, acesso a mais investimentos e automação são pontos cruciais da logística nos próximos anos. Sem esses investimentos, sem esse olhar, os bons números de agora poderão ser inúteis no fim deste e nos próximos anos.

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Antonio Wrobleski

Antonio Wrobleski

Especialista em logística, presidente da BBM Logística, sócio e conselheiro da Pathfind. Engenheiro com MBA na NYU (New York University) e também sócio da Awro Logística e Participações. Ele foi presidente da Ryder no Brasil de 1996 até 2008. Em 2009 montou a AWRO Logística e Participações, com foco em M&A e consolidação de plataformas no Brasil. Foi Country Manager na DHL e Diretor Executivo na Hertz. O trabalho de Antonio Wrobleski tem exposição muito grande no mercado Internacional, com trabalhos em mais de 15 países tanto no trade de importação como de exportação. Além disso, ele é faixa preta em Jiu-jítsu há 13 anos e pratica o esporte há 30 anos.

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