Chega de pessimismo: a logística mostra aceleração

21/03/2023

*Por Jarlon Nogueira

Tenho ouvido muita gente pessimista em relação ao cenário econômico do país. Não quero ser ingênuo, mas espero de fato que tudo avance para o melhor. E as pesquisas comprovam isso. A Sondagem do TRC, estudo divulgado recentemente pelo Instituto Paulista do Transporte de Cargas (IPTC), trouxe dados importantes sobre como foi o ano passado para esse setor, além de ser um termômetro sobre como o mercado de transportes de carga vai se comportar em 2023.

O balanço geral da receita das cerca de 100 empresas pesquisadas foi positivo: 81% delas cresceram, com um faturamento médio 16% superior a 2021. Mas será que esses números poderiam ser melhores? Com certeza sim.

No ano passado as empresas não repassaram a maioria dos custos aos clientes. E, como não dá para prejudicar mais o desempenho financeiro, a saída foi barrar novas contratações e investimentos. Já para esse ano, os ares estão mais equilibrados, com 51% planejando novas contratações CLT e 20% preferindo a terceirização.

A boa notícia é que o volume transportado cresceu 13,1%, número que será ainda melhor, já que a safra de grãos 2022/23 deverá crescer 14,5%. Só que o preço do frete não acompanha a empolgação de recorde da safra.

Para 47% dos entrevistados ele se manterá estável, enquanto 27% acreditam que vai piorar e 25% acham que haverá melhora. Na verdade, essa é a maior incógnita para o ano de 2023! Cenário internacional conturbado, mudanças esperadas na Petrobras, gangorra no preço do diesel pela queda do dólar, tudo pode acontecer.

Ainda segundo a Sondagem do TRC, a média de idade da frota própria teve redução de 0,5 ano, número que em 2023 deve diminuir por conta da regulamentação do Programa Renovar, promovido pelo Governo Federal.

Nele, caminhões com mais de 30 anos serão recomprados e sucateados, com o caminhoneiro recebendo o valor de mercado do veículo. Os recursos virão de empresas contratadas para exploração e produção de petróleo e gás natural. A agenda com o início e os próximos passos pode sair nos próximos meses. Com dinheiro no bolso, muitos profissionais procurarão veículos novos ou usados, aquecendo as vendas no setor automobilístico.

Reduzir a idade média da frota sem dúvidas é importante, principalmente para o meio ambiente, que agradecerá milhares de toneladas de monóxido de carbono a menos na atmosfera. Só que, infelizmente, apenas caminhões novos não vão resolver a grave questão do transporte rodoviário no Brasil.

No país 65% das cargas são transportadas por estradas em péssimas condições de conservação. Um pavimento ruim exige mais do motor de um caminhão, que consome mais combustível, diminuindo a rentabilidade do frete. E a conta foi mostrada no Relatório Executivo do Plano Nacional de Logística 2025: empresas e autônomos têm um gasto anual extra de R$4,89 bilhões.

No Nordeste, por exemplo, 71,3% da malha rodoviária têm problemas, o que obriga o desenvolvimento de outros modais, como o aéreo, muito mais caro. A situação é tão grave que só o aeroporto de Recife transportou em 2022 mais 47 milhões de quilos, figurando entre os 10 com maior volume de carga no país.

O investimento para infraestrutura de transporte para 2023 é de R$ 18,7 bilhões, praticamente o triplo em comparação ao ano passado. Uma retomada se inicia, mas ainda é pouco em comparação ao que precisa ser feito.

Outro movimento que promete otimizar o transporte de cargas é a regulamentação do Documento Eletrônico de Transporte (DT-e). Mais que um simples documento, ele é uma plataforma que vai unificar as obrigações administrativas exigidas em operações de transporte de carga em todos os modais.

A iniciativa vai reunir nesta plataforma mais de 90 documentos necessários no transporte, trazendo mais tecnologia e desburocratizando o setor.

Como deu para perceber, o setor logístico se reinventa e evolui. E tantas transformações têm atraído novos perfis de profissionais. Uma pesquisa realizada pela consultoria Michael Page apurou que essa área é uma das que têm melhor remuneração, onde 80% dos cargos tiveram aumento.

Mais focados em planejamento, melhoria na experiência do cliente e uso de novas tecnologias, esses profissionais chegam ocupar muitas vagas que há poucos anos não existiam.

E o pilar tecnologia traz a importância da informação e decisões baseadas em dados. Mas não são todas as empresas que estão prontas para ter esse nível de maturidade de maneira rápida como a alta gestão pede.

O modal rodoviário, literalmente, carrega o Brasil nas costas. De que maneira a sua empresa vai contribuir para o crescimento do país em 2024?

* Artigo escrito por Jarlon Nogueira, CEO da AgregaLog — transportadora digital que oferece soluções inovadoras de logística de transporte para a indústria.

 

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